Em 2020, Dourados será palco do 17º Encontro Nacional do Plantio Direto na Palha, que tratará de questões ligadas ao novo modelo de agricultura que está em formação

O 17º Encontro Nacional do Plantio Direto na Palha, que será realizado no segundo semestre do ano de 2020, já está em andamento na verdade. Quando chegar lá, produtores, técnicos, pesquisadores, empresários e professores que vivem, conscientemente, o atual momento de profunda transformação estrutural pelo qual passa a agricultura brasileira, vão se encontrar para apresentar uns aos outros as informações acerca das experiências inéditas que vivem agora.

Essas experiências dizem respeito a sistemas produtivos com uma percepção mais ampla do todo. Elas estão mudando a forma de se entender a agricultura. O manejo pensado e exercido tendo, eminentemente, o emprego de produtos (insumos) para “segurar” a produtividade da lavoura está sendo revisto. O foco migrará para o manejo alicerçado num conhecimento mais integral, que em sua base, percebe mais profundamente a interelação química, física e biológica do solo. A tendência é irreversível na opinião de quem já consegue ver mais à frente. E isso já está sendo vivenciado para ser apresentado em Dourados, MS, daqui a dois anos.

Entre as soluções tecnológicas que compõem essas vivências, estão o controle biológico, a rochagem e o coquetel de plantas de cobertura, além, do Sistema Plantio Direto e seus três pilares básicos: cobertura de solo, rotação de cultura e não revolvimento do solo. Conjugadas, essas ferramentas não perdem de vista os contextos agronômico, ambiental, econômico e produtivo envolvidos, equilibram os solos, aproveitam melhor os recursos hídricos e entregam resultados melhores. Tudo isso será destaque em 2020.

De acordo com Lucio Damalia, presidente do Sindicato Rural de Dourados, além de ser uma grande oportunidade para as interações a respeito dos novos caminhos da agricultura brasileira, o 17º ENPDP servirá também para ajudar a impulsionar correções em problemas enfrentados hoje pelos produtores regionais.

“Uma grande de parte dos produtores está com dificuldades para fazer a rotação de culturas por causa do clima. Estamos sempre em busca de alternativas de culturas. A braquiária, no consórcio com o milho, ajudou mas ainda não é suficiente e a maior parte da região ainda não ainda está deficiente na rotação. É necessário que trabalhemos muito. Estamos vivendo um aumento constante dos insumos químicos aplicados na lavoura, o que eu chamo de gradagem química da lavoura, quanto mais químico, mais químico será necessário. O químico precisa ser muito bem controlado. Para isso, temos que voltar a encarar urgentemente o sistema e o 17º Encontro aqui é uma excelente oportunidade para que essa abordagem aconteça”, diz ele.

Para Gleyciano Vasconcellos, vice presidente da Fundação MS, o evento tem uma grande importância para a região da Grande Dourados, que abrange ainda municípios como Maracaju, Sidrolândia e Bonito, formando o principal polo produtivo de MS, por isso ela foi escolhida. Ele explica que, com o passar dos anos, algumas técnicas vêm sendo deixadas de lado. A rotação de cultura é uma destas.

“O produtor deixou de plantar milho no verão. E, dada a conjuntura econômica, caiu no binômio soja no verão e milho safrinha em sucessão. A importância de o ENPDP acontecer na região é mostrar para os produtores da região que o Sistema Plantio Direto foi um pouco esquecido, limitando-se hoje em grande parte à semeadura direta apenas. É importante fomentar esse resgate da técnica”.

Dono de uma experiência bem sucedida com o Controle Biológico em sua propriedade, Vasconcellos diz que dentro do Plantio Direto, resgatando o equilíbrio químico, físico e biológico do solo, o Controle Biológico se encaixa perfeitamente. “É um caminho sem volta. Pelo amor ou pela dor a agricultura vai passar por esse caminho”.

Entre outras técnicas que fortalecem o conceito conservacionista ele destaca a rochagem e o coquetel de plantas de cobertura, que seriam as bioativações. Ele acredita que hoje a agricultura brasileira está buscando trabalhar mais o conhecimento e não mais os produtos. “O produtor está chocado e procurando isso. Num futuro muito breve, ele vai estar pagando por conhecimento e não mais por produto. Vamos pensar no sistema de manejo e essa agricultura de conhecimento, que no 17º ENPDP com certeza estará atendendo os produtores nesse papel”.

Para Alex Melotto, diretor da Fundação MS, reforça o argumento ao descrever a atuação da Fundação MS na comissão organizadora do 17º ENPDP. Segundo ele, a ideia é ajudar a trazer para o evento temas relevantes que reflitam fidedignamente a realidade do produtor rural. “O principal desdobramento será a difusão de tecnologias correlatas ao Sistema Plantio Direto com foco na solução de problemas ou desafios do produtor rural”, destaca.

Autor: Redação FEBRAPDP

Fonte: FEBRAPDP

Texto originalmente publicado em:
FEBRAPDP
Autor: Redação FEBRAPDP

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