Brasil dá tiro no pé?

A missão do articulista ou comentarista que têm espaço na mídia é sempre analisar fatos do cotidiano, posições de autoridades e lideranças e, eventualmente, opinar sobre o que está enfocando. No nosso dia a dia sempre existem fatos que ao serem abordados, agradam ou desagrada a A ou B, mas sempre precisam estar comprometidos com verdade, mesmo que contrarie a opinião de alguém.

No setor agropecuário estamos vivendo um momento sui generis, segundo pode-se identificar ao ouvirmos pessoas ligadas ao agronegócio.  Enquanto o setor privado faz um esforço fora do normal para recuperar a economia e com isso melhorar o PIB e, consequentemente, a arrecadação de tributos para manter a máquina pública, e o pouco que sobra para investimentos em diversas áreas, por outro lado, existem setores públicos que ao invés de ajudarem, prejudicam essa situação.

Especialistas em produção e mercado das carnes não escondem o descontentamento que setores do Governo Federal brasileiro propiciam ao analisar e decidir por embargos de exportações das carnes e do pescado. Até parece que existem duas verdades no tratamento desse assunto. Enquanto órgãos oficiais proíbem as exportações sob o argumento de segurança sanitária, outros especialistas afirmam que não existe motivo generalizado para tal.

Embora defendendo a necessidade de fiscalização e controle, técnicos da área privada defendem que o Governo deveria atuar nos casos pontuais e não incluir todos os frigoríficos e produtores na mesma vala. Isso só tende a piorar a situação econômica do país, afetando produtores e indústrias das carnes e do pescado. É dar o tiro no próprio pé. Anunciam-se embargos temporário e generalizado, mas se passam dias e não tem solução e enquanto isso as indústrias arcam com prejuízos expressivos, e que se ainda não atingiu, chegará aos produtores, comprometendo toda a cadeia produtiva.

A morosidade e a burocracia oficial no Brasil continuam sendo o obstáculo para o desenvolvimento. Infelizmente, as normas adotadas são sempre deduzindo que todos são desonestos, e que não há exceções. O que é pior: a estabilidade nos empregos públicos; o poder da caneta oficial, e o corporativismo institucionalizado nos órgãos públicos, dificultam providências extremas de mudanças, e assim, ficamos sempre nas mãos de poucos com muito poder. O setor privado tem que produzir para muitos, e sustentar uma máquina que acha que dinheiro cai do céu. Será que um dia isso vai mudar?  Vêm aí as eleições de outubro. Precisamos modificar esse país. Pense nisso.

Fonte: Fecoagro -Ivan Ramos, Diretor executivo da Fecoagro

Texto originalmente publicado em:
Fecoagro
Autor: Ivan Ramos, Diretor executivo da Fecoagro

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