Análise semanal do mercado da soja

Comentários referentes ao período entre 22/06/2018 a 28/06/2018, realizados no Boletim Análise semanal do mercado de Soja, Milho e Trigo, da CEEMA Unijuí.

Autores: Prof. Dr. Argemiro Luís Brum (1) e Jaciele Moreira (2)

As cotações da soja em Chicago continuaram recuando nesta última semana de junho, fechando a quinta-feira (28) em US$ 8,61/bushel, contra US$ 8,80 uma semana antes. Entre os dias 1º e 28 de junho (20 dias úteis), as cotações recuaram em 14 dias.

Fonte: CEEMA Unijui

O litígio comercial entre China e EUA, que teve novos desdobramentos negativos e está longe de ser resolvido; a continuidade do clima positivo para o desenvolvimento da nova safra estadunidense de soja; e a projeção de um aumento na área semeada com soja nos EUA a ser anunciada no relatório de plantio previsto para o dia 29/06 foram os três elementos centrais que puxaram as cotações para baixo. Apenas em alguns momentos da semana, pequenos ajustes técnicos permitiram alguma recuperação momentânea dos preços, porém, sem sustentação.

Pelo lado do litígio comercial, os EUA começam a receber anulações de contratos de embarque de soja, fato que aumenta os estoques locais e cria um problema comercial importante ao país. Na semana anterior, um milhão de toneladas de soja foram embarcadas, porém, apenas 7% tiveram como destino a China. Desta forma, as estimativas de exportação total de soja pelos EUA estão sendo revistas para baixo no ano 2017/18. O número final esperado agora é de 56,2 milhões de toneladas, ou seja, 9,4% a menos do que o estimado no início do atual ano comercial, em outubro/17. É bom lembrar que mais de 60% das exportações de soja dos EUA tem por destino a China. Assim, caso os chineses taxem em 25% suas importações de soja procedentes dos EUA o impacto sobre a demanda da oleaginosa estadunidense será sem precedentes.

 

Quanto ao clima, as condições das lavouras estadunidenses, até o dia 24/06, estavam em 66% entre boas a excelentes, 26% regulares e 8% entre ruins a muito ruins. Vale destacar que existem algumas previsões de clima bem mais quente e seco para o mês de julho junto ao Cinturão de plantio estadunidense. Isso poderá criar um movimento especulativo altista nas próximas semanas, dependendo de sua intensidade.

Por sua vez, os Fundos continuaram vendendo posições na Bolsa, alcançando, pela primeira vez desde fevereiro passado, um total líquido negativo junto à soja em grão, com 12.800 contratos vendidos. Isso poderá ajudar a reverter o movimento baixista mais adiante, desde que haja fundamentos pelo lado da demanda e oferta que auxiliem a um movimento de recompra dos contratos.

Antevendo a possibilidade de concretização desta guerra comercial (a data limite seria o dia 06/07 para o início da mesma), os chineses, além de aumentarem suas compras no Brasil (como a Argentina registrou forte frustração de safra, praticamente não possui soja para exportar neste ano, já que seu parque moageiro deverá consumir quase toda a disponibilidade da oleaginosa), estão isentando alguns países da Ásia-Pacífico de taxas de importação de soja. Segundo o governo chinês, a partir de 1º de julho a China reduzirá de 3% para zero as tarifas de importação de soja procedentes da Índia, Coreia do Sul, Bangladesh, Laos e Sri Lanka. A lista igualmente atinge outros produtos.

A semana terminou com as projeções sobre o relatório de plantio da área da safra de verão nos EUA, assim como a posição de seus estoques trimestrais em 1º de junho (estes relatórios estaremos analisando em profundidade na próxima semana).

Quanto ao plantio, o mercado espera uma área de 36,3 milhões de hectares de soja. Este número é um pouco menor do que o efetivamente semeado em 2017 (36,5 milhões de hectares), porém, maior do que a intenção de plantio anunciada em março passado (36,01 milhões de hectares). Em relação aos estoques trimestrais, projetava-se um volume de 33,1 milhões de toneladas em 1º de junho, contra 26,3 milhões em igual data de 2017.

Enfim, vale ainda destacar que as exportações líquidas dos EUA, na semana encerrada em 14/06, atingiram a 301.700 toneladas para o ano 2017/18, ficando 48% acima da média das quatro semanas anteriores.

Já no Brasil, o câmbio voltou a movimentar o mercado na medida em que o Real se desvalorizou ainda mais, chegando a bater em R$ 3,87 por dólar em alguns momentos da semana. Com isso, os preços da soja nos lotes acabaram melhorando um pouco em relação a semana passada, pois o câmbio compensou o recuo em Chicago, porém, isso não se refletiu no balcão.

Assim, o balcão gaúcho fechou a semana na média de R$ 71,00/saco, enquanto os lotes oscilaram entre R$ 77,00 e R$ 77,50/saco. Nas demais praças nacionais os lotes oscilaram entre R$ 64,00/saco em Sorriso e Querência (MT) e R$ 79,00/saco no norte do Paraná, passando por R$ 65,00 em Chapadão do Sul e São Gabriel; R$ 67,00 em Goiatuba (GO) e Pedro Afonso (TO); R$ 68,00 em Uruçuí (PI); e R$ 77,50/saco em Campos Novos (SC).

Enfim, os prêmios igualmente colaboraram para manter a soja nos atuais preços já que continuaram firmes, oscilando entre US$ 1,33 e US$ 1,77/bushel nos diferentes portos nacionais.

Abaixo segue o gráfico da variação de preços da soja no período entre 07/06/2018 a 28/06/2018.

Fonte: Informativo CEEMA UNJUI, do prof. Dr. Argemiro Luís Brum (1) e de Jaciele Moreira (2).

1 – Professor do DACEC/UNIJUI, doutor em economia internacional pela EHESS de Paris-França, coordenador, pesquisador e analista de mercado da CEEMA.
2-  Analista do Laboratório de Economia da UNIJUI, bacharel em economia pela UNIJUÍ, Tecnóloga em Processos Gerenciais – UNIJUÍ e aluna do MBA – Finanças e Mercados de Capitais – UNIJUÍ e ADM – Administração UNIJUÍ.

Texto originalmente publicado em:
Análise Semanal do Mercado de Grãos
Autor: CEEMA UNJUI

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