Atualmente a cultura da soja apresenta uma importância indiscutível para a sustentabilidade econômica das propriedades rurais. Dessa forma, todas as ações devem direcionar para que a cultura da soja possua as melhores condições de crescimento e desenvolvimento, aumentando assim a produtividade de grãos. Apesar de muitas vezes as ações de manejo serem tomadas somente durante a safra da soja, muito pode ser feito para que a cultura se desenvolva e produza mais e de forma sustentável durante a safra. Nesse sentido, a rotação de culturas deve ser aliada ao produtor rural proporcionando um ambiente mais adequado a sustentabilidade da cultura.

O planejamento das lavouras deve ser realizado em conjunto, levando em consideração a cultura principal, no caso a soja, as aptidões das áreas paras as diversas culturas, e um sistema de rotação de culturas que respeite e potencialize a cultura da soja. Na década de 70-80 se tinha o binômio trigo-soja e essas culturas eram suficientes, porém com a intensificação da agricultura, surgimento do plantio direto e necessidade de maiores produtividades de grãos, a pressão de pragas, doenças e plantas daninhas elevou a necessidade de uma melhor organização das culturas ao longo do tempo nas áreas agrícolas das propriedades. Além disso, os períodos de seca (deficiência hídrica) são mais intensos/frequentes podendo reduzir a produtividade de forma mais severa.

Os princípios do plantio direto, consideram a rotação de culturas como um dos pilares fundamentais, que agregam culturas, com características diferentes, de forma sequencial para que cada uma auxilie no desenvolvimento da cultura subsequente. Esse auxílio pode ser devido à quebra de um ambiente favorável para o desenvolvimento de pragas, doenças e plantas daninhas. Isso ocorre pelo conjunto de plantas serem distintos ao longo do tempo dentro de uma mesma área agrícola. E a possibilidade de utilização de produtos fitossanitários variados. Além disso, deve-se considerar que plantas distintas, tem diferentes sistemas radiculares explorando de forma mais intensa o solo, formando um perfil com maiores possibilidades de exploração pelas raízes de soja. Plantas como o milho, a canola, a aveia, trigo, e nabo forrageiro, ou até mesmo os policultivos, atuam de maneira eficiente na descompactação do solo e na formação de foros, o que causará a possibilidade das raízes de soja aumentarem o sistema radicular, reduzindo os estresses hídricos.

Uma opção viável é considerar a propriedade como um todo e realizar a rotação de culturas em talhões que ocupem parte da área agricultável da propriedade, buscando não só o rendimento econômico imediato, mas um rendimento de médio e longo prazo. Deve-se destacar a produção de palha e sua capacidade de permanecer no solo por um longo tempo, reduzindo a evaporação dos solos e mantendo uma maior umidade no solo. Isso torna-se interessante pela maior umidade dos solos, liberação gradual de nutrientes pela decomposição da palhada, melhor atividade das bactérias para a fixação biológica do nitrogênio e redução da erosão por chuvas intensas. Então a rotação de culturas é uma prática fundamental para a agricultura brasileira e dever ser realizada com todo o cuidado e profissionalismo que a cultura da soja exige.

Elaboração:

Thomas Newton Martin – Professor da UFSM

Prof. Dr. Thomas N. Martin – contato: martin.ufsm@gmail.com

Confira também mais informações sobre o grupo de pesquisa e os trabalhos coordenados pelo professor Thomas, clicando aqui.

O Portal Mais Soja agradece a colaboração do professor em produzir informação e conhecimento para construção de uma agricultura produtiva e sustentável.

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