A influência do El Niño na safra de soja

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Com o término do vazio sanitário entre os dias 15 de setembro e 01 de outubro, nos principais estados produtores de soja no Brasil, iniciou-se a safra de soja 2015/2016. De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), esta safra sofrerá influência do fenômeno El Niño. Com isso, deverão ocorrer chuvas irregulares no Sudeste e no Centro-Oeste, chuvas abaixo da média na região Nordeste e chuvas acima da média na região Sul, principalmente no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. Desta forma, existe a possibilidade de ser uma safra favorável para a ocorrência da ferrugem asiática da soja, principalmente na região Sul.

Adicionalmente a essa constatação, o site do Consórcio Antiferrugem (www.consorcioantiferrugem.net) registrou ocorrências de ferrugem em soja voluntária na entressafra, com os primeiros casos em 27 de agosto deste ano, sendo que os estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Mato Grosso e Tocantins já possuem relatos.

De acordo com o histórico do site, a ferrugem tem aparecido com mais frequência a partir do mês de dezembro quando não ocorre El Niño, mas com esse conjunto de situações favoráveis, existe o risco de ocorrências antecipadas (registradas ainda no mês de novembro). Sendo assim, cabe aos agricultores e aos técnicos ficarem bastante atentos, fazendo o monitoramento das lavouras em busca da doença, buscando informações com a pesquisa e utilizando os fungicidas adequados, caso haja necessidade de aplicações.

Em relação ao controle da ferrugem, a maior preocupação do momento é referente ao fungo estar se adaptando aos fungicidas, ocasionando uma redução na sua eficiência ao longo das safras. De acordo com os ensaios cooperativos para ferrugem de 2014/2015, somente cinco produtos registrados no Brasil apresentaram eficiência de controle superior a 50%. Por isso, é importante utilizar estratégias antirresistência que, de maneira geral, incluem rotacionar e utilizar misturas comerciais de fungicidas com diferentes modos de ação, sempre na dose e no intervalo de aplicação recomendados pelo fabricante. Quanto aos produtos com carboxamidas, estes não devem ser utilizados em mais que duas aplicações por cultivo ou no caso da doença já estar plenamente instalada na lavoura.

Além disso, todas as estratégias de controle disponíveis devem ser utilizadas, sendo elas: a adoção do vazio sanitário; a utilização de cultivares de ciclo precoce e semeaduras no início da época recomendada; a redução da janela de semeadura; o monitoramento da lavoura desde o início do desenvolvimento; a utilização de fungicidas no aparecimento dos primeiros sintomas  ou preventivamente (baseado na situação de inóculo na região, aplicando logo antes do fechamento das entrelinhas da soja); e, ainda, a utilização de cultivares resistentes, quando disponíveis.

Atentos a esse problema, alguns estados baixaram instruções normativas visando reduzir a pressão de seleção para resistência. Nos estados de Goiás e Mato Grosso, a soja só poderá ser semeada até 31 de dezembro, objetivando reduzir as semeaduras mais tardias, que necessitam de maior número de aplicações de fungicidas. Da mesma forma acontecerá no Paraná, por meio da Portaria nº 193, de 06 de outubro de 2015, mas que entrará em vigor só a partir da safra 2016/2017.

Autor: Dr. Rafael Moreira Soares – pesquisador da Embrapa Soja.

O El Niño nas condições climáticas para a safra 2015/2016

De acordo com todos os institutos de meteorologia, toda a safra 2015/2016 estará sob influência do fenômeno climático El Niño, com chuvas acima da média, especialmente para a região Sul do Brasil.

Em anos de El Niño, os riscos de estiagem são praticamente ausentes no Sul e elevados no Norte e Nordeste do País. No caso das doenças, em especial da ferrugem asiática para o Sul, há uma condição muito favorável do clima para epidemias e que merece uma atenção especial dos agricultores e da assistência técnica no monitoramento da chegada dos primeiros esporos da doença. “Pela experiência que temos, em anos de El Niño são necessários maiores cuidados no monitoramento e no manejo das doenças, em especial da ferrugem”, relata o engenheiro agrônomo, Dr. Nelson Harger, que é extensionista e coordenador estadual da Emater-PR. E complementa: “Vários fatores contribuem para isso, entre eles o maior desenvolvimento vegetativo e maior fechamento da soja; o maior número de dias com chuvas e condição favorável para infecção; e a maior dificuldade do tráfego de máquinas visando o controle químico, pelo excesso de umidade do solo”.

Segundo o extensionista, a ferrugem causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi, deve aparecer nas lavouras mesmo antes de dezembro, mês que se caracteriza pelo surgimento dos primeiros focos da doença quando não ocorre El Niño.  “É importante observar que as condições muito favoráveis de clima e o inverno pouco rigoroso de 2015, podem ter possibilitado a sobrevivência de plantas isoladas de soja – mesmo com a adoção do vazio fitossanitário – o que também favorece a maior multiplicação inicial dos esporos da doença”, diz Harger.

E finaliza: “Cada vez mais alertamos sobre a importância do conhecimento de informações meteorológicas na administração de riscos na agricultura. Isto é válido especialmente nos anos onde os cenários são de grandes variações nas previsões, seja pela precipitação ou pela temperatura. Nesta safra, onde as médias destes índices serão maiores para os últimos meses do ano na região Sul, é necessário o constante monitoramento das lavouras e do clima, pois os riscos com perdas por doenças poderão ser bem maiores”.

Fonte: Informativo Meridional – Edição Nº 56

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Texto originalmente publicado em:
Fundação Meridional
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