A interferência em soja pela buva resistente a herbicidas

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Pesquisadores determinam a perda de rendimento em plantações de soja, bem como o limiar de dano econômico em decorrência da incidência de buva (Conyza bonariensis) resistente ao glifosato

A buva (Conyza bonariensis) é uma espécie nativa da América do Sul, foi descrita pela primeira vez na Argentina e atualmente está difundida em países dos sete continentes (Ásia, África, América do Norte, América Central, América do Sul, Europa e Oceania). Trata-se de uma planta anual que produz grande quantidade de sementes (mais de 100 mil viáveis) e tem alta capacidade de dispersão e de germinação. É considerada uma importante planta daninha em cultivos agrícolas, como milho, maçã, soja, entre outras.

O método de controle para buva mais utilizado é a aplicação do herbicida glifosato. Com a introdução comercial da soja transgênica tolerante ao glifosato, o uso desse herbicida foi intensificado, criando condições propícias para a seleção de populações resistentes e, consequentemente, aumentando as perdas na produtividade de soja.

A determinação e a adoção do limiar de dano econômico são importantes na tomada de decisão para manejo de buva, pois pode servir como um indicador do momento em que deve ser feita a aplicação do defensivo agrícola baseado no preço do produto colhido, preço do produto químico e do custo da aplicação.

Desse modo, pesquisadores do Rio Grande do Sul avaliaram a interferência de buva tolerante ao glifosato (em diferentes densidades) na perda de rendimento da soja, bem como estimaram o nível do limiar econômico.

Para isso, foram realizados dois experimentos de campo em dois locais diferentes – Passo Fundo (RS) e Santa Bárbara do Sul (RS). Utilizaram duas cultivares de soja tolerantes ao glifosato (BRS Estância e BMX Turbo) e as densidades de buva variaram de 0 a 124 plantas/m². Os dados foram submetidos a testes estatísticos.

O aumento da densidade de plantas de buva causou a diminuição do número de vagens nas duas cultivares de soja. Porém, na cultivar BMX Turbo essa diminuição foi mais expressiva, o que pode ser explicado pelo fato das plantas da cultivar BRS Estância apresentarem uma alta ramificação, o que resulta em maior potencial produtivo e competitivo com ervas daninhas (mais ramificação – mais estruturas reprodutivas – mais vagens – maior número em biomassa).

Nas densidades mínimas e máximas de plantas de buva as perdas de rendimento de soja foi respectivamente de 1,4 e 56% para a cultivar BRS Estância e 25,9 e 91% para cultivar BMX Turbo. Levando em consideração que os rendimentos de grãos observados na ausência de buva foram de 2.894 e 1.532 kg ha-¹ para as cultivares BRS Estância e BMX Turbo, respectivamente.

Os aumentos no rendimento das culturas, os preços da soja e a eficiência dos herbicidas reduziram o limiar de dano econômico, indicando que as medidas de controle devem ser adotadas quando a densidade da buva é baixa. Mas quando há um aumento no custo de controle da buva, o limiar de dano econômico também aumenta e as medidas são mais viáveis em densidades mais altas.

Segundo os autores do estudo, a aplicação do herbicida deve ocorrer antes da implantação de soja, pois a capacidade de rebrota diminui e em plantas menores a frequência de aplicação é menor, o que reduz o custo da produção. Além disso, quanto mais avançado o desenvolvimento de buva no momento da implantação da soja, maiores as perdas de rendimento devido aos efeitos de competição e à dificuldade de manejo dessas plantas.

O gerenciamento de buva resistente ao glifosato em sistemas de produção deve ocorrer de maneira integrada, combinando aplicações de herbicidas com outras práticas. A implementação de plantas de cobertura, espaçamento entrelinhas e a rotação de culturas e de modos de ação são alguns dos métodos que podem ser utilizados para reduzir a germinação, a densidade e a produção de sementes de buva.

Essas medidas devem ser tomadas principalmente de maneira preventiva. O manejo de plantas daninhas quando realizado de forma sustentável possibilita uma maior sustentabilidade às tecnologias disponíveis no Brasil e a longo prazo resulta em maior competitividade para nossa agricultura.

Fonte: Defesavegetal.net

Texto originalmente publicado em:
Defesavegetal.net
Autor: Defesavegetal.net

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