Objetivou-se com o presente trabalho avaliar a eficácia biológica de Acetamiprido & Bifentrina no controle da mosca-branca (Bemisia tabaci biótipo B) na cultura da soja.

Autores: JAKOBY, G.L.1; RATTES, J.F.1,2.; BERGER NETO, A.3; MEGDA, F.3; FERREIRA, J.P.
S.1; ANDRADE, W.F.1

Trabalho publicado nos Anais do evento e divulgado com a autorização dos autores.

A mosca-branca (Bemisia tabaci Biótipo B) é uma praga polífaga, que vem causando sérios prejuízos aos produtores das culturas da soja, feijão e algodão na região sudoeste do estado de Goiás. Durante a sucção da seiva, B. tabaci libera o honeydew, que é uma substância açucarada que fica depositada sobre as folhas e ramos das plantas, favorecendo a formação da fumagina que afeta negativamente os processos fisiológicos das plantas (HENDRIX & WEI, 1992).

A presença desse fungo escurece a folha, prejudicando a realização da fotossíntese, provocando murcha e queda das folhas, antecipando o ciclo da cultura, e consequentemente, interferindo na produtividade. As ninfas são as maiores responsáveis pela liberação dessa substância açucarada (DEGRANDE & VIVAN, 2008). Frente aos desafios de manejo da mosca-branca, objetivou-se com o presente trabalho avaliar a eficácia biológica de Acetamiprido & Bifentrina (250 & 250 g i.a. kg-1) no controle da mosca-branca (Bemisia tabaci biótipo B) na cultura da soja.

Com 3 e 7 DA1ªA, todos os inseticidas e doses testados apresentaram efeitos nocivos as ninfas de B. tabaci, diferindo do tratamento testemunha com menor número médio. Com 7 DA1ªA, houve um aumento acentuado na população de ninfas de B. tabaci no tratamento testemunha, com média de 69,13 ninfas por amostra. Em contrapartida, na maioria dos inseticidas e doses testados, houve uma redução na população. Com sete dias após a segunda aplicação (7 DA2ªA), o tratamento testemunha obteve o maior pico populacional de ninfas de B. tabaci, com média de 82,65 indivíduos por amostra (9 cm2).

Nesta data, todos os tratamentos diferiram de forma significativa da testemunha com menor número médio de ninfas. Ao analisarmos a eficácia, verifica-se que a segunda aplicação dos inseticidas potencializou os índices de controle, com percentual superior a 90%, exceto no tratamento Cyantraniliprole (50 g.a ha-1) que obteve 81% (Tabela 1).

Tabela 1. Número médio de ninfas de Bemisia tabaci e eficácia de controle (EC%) dos inseticidas utilizados em pulverização foliar após 1ª, 2ª e 3ª aplicação. Santo Antônio da Barra – GO, safra 2016/2017.


Sete dias após a terceira aplicação (7 DA3ªA), houve uma redução drástica na população de ninfas, principalmente no tratamento testemunha, o qual havia apresentado média de 82,65 na avaliação anterior, obteve média de somente 16,45 ninfas na avaliação de 7 DA3ªA. Embora tenha ocorrido a redução na população de ninfas no tratamento testemunha, todos os inseticidas e doses utilizados mantiveram-se com baixos números médios de ninfas em comparação ao tratamento testemunha, caracterizando que os mesmos apresentam ação nociva as formas jovens de B. tabaci (Tabela 1).

A aplicação sequencial dos inseticidas proporcionou a redução na incidência da população de B. tabaci Biotipo b, principalmente no estágio de ninfa, a principal responsável pela excreção de honeydew. Nas parcelas tratadas, o percentual de fumagina foi de 0 a 3%. Tais resultados são extremamente satisfatórios em função dos danos provocados pela fumagina. No tratamento testemunha, o percentual de fumagina no terço inferior das plantas chegou a 95%, com redução da área foliar em função da queda das folhas e antecipação do ciclo da cultura em torno de 12 dias, fato que comprometeu o rendimento da cultura (Tabela 2).

Tabela 2. Percentual de fumagina no terço inferior das plantas de soja, aos 21 dias após a terceira aplicação dos inseticidas e rendimento da cultura em função do manejo adotado. Santo Antônio da Barra – GO, safra 2016/2017.

De acordo com o teste de comparação de médias houve diferenças significativas entre os tratamentos para o parâmetro rendimento. Todos os inseticidas e concentrações testados, seja aplicados de forma isolada ou em mistura proporcionaram maior rendimento em relação ao tratamento testemunha. Os maiores índices de rendimento foram proporcionados pelos tratamentos Acetamiprido & Bifentrina nas concentrações de 75 & 75 g i.a ha-1, Acetamiprido & Bifentrina + Piriproxifen (50 & 50 + 25 g i.a ha-1) e Acetamiprido & Bifentrina + Piriproxifen (63 & 63 + 25 g i.a ha-1) com média de 3.348, 3.376 e 3.381 kg ha-1. Tais tratamentos proporcionaram índices de incremento no rendimento de 55, 57 e 57%, em relação ao tratamento testemunha (Tabela 2).

A partir dos resultados obtidos no presente trabalho fica claro que a aplicação sequencial dos inseticidas Acetamiprido & Bifentrina nas concentrações de 50 & 50, 63 & 63 e 75 & 75 g i.a ha-1, Acetamiprido & Bifentrina + Piriproxifem nas concentrações de 50 & 50 + 25 e 63 & 63 + 25 g i.a ha-1, Acetamiprido + Piriproxifem 50 + 25 g i.a ha-1, Acetamiprido (50 g i.a ha-1) e Cyantraniliprole (50 g i.a ha-1) reduzem os índices populacionais de Bemisia tabaci biótipo B na cultura da soja, com reflexos positivos no rendimento de grãos.

Referências

DEGRANDE, P., E.; VIVAN, L., M. Pragas da soja. Tecnologia e Produção: Soja e Milho 2008/2009.

HENDRIX, D.L.; WEI, Y. Detection and elimination of honeydew excreted by the sweetpotato whithefly feedingupon cotton. In: Beltwide Cotton Production Conference,Memphis, 1992. p. 5-8.

Informações dos autores:  

1Rattes Consultoria e Pesquisa Agronômica;

2Universidade de Rio Verde- UniRV;

3UPL do Brasil Industrias e Comércio de Insumos Agropecuários.

Disponível em: Anais do VIII Congresso Brasileiro de Soja. Goiânia – GO, Brasil.

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