O  trabalho teve por objetivo avaliar a ação de fungicida sistêmico e fungicida multi-sítio por dois métodos: in vitro sobre a germinação do fungo em placas de microtitulação e in vivo sobre a severidade da doença pelo método de folhas destacadas, tratadas preventivamente, antes da inoculação.

Autores: KAJIHARA, L.H.1; FURLAN, S.H.2; BERIAM, L.O.S.1; LEITE, J.A.B.P.2
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Trabalho publicado nos Anais do evento e divulgado com a autorização dos autores.

A ferrugem-asiática da soja vem merecendo destaque cada vez maior por evidenciar resistência a diversos ingredientes ativos isolados e apresentar baixas eficiências de controle (Godoy & Meyer, 2016). Recentemente, nas safras 2015/16 e 2016/17 foram detectados casos de redução de eficácia das carboxamidas em áreas com histórico intensivo de uso (FRAC, 2018). Somado a esses problemas atuais, é preciso adotar o uso de fungicidas multi-sítios e rotação de grupos químicos, uma vez que novas moléculas dificilmente surgirão nos próximos anos.

O trabalho teve por objetivo avaliar a ação de fungicida sistêmico e fungicida multi-sítio por dois métodos: in vitro sobre a germinação do fungo em placas de microtitulação e in vivo sobre a severidade da doença pelo método de folhas destacadas, tratadas preventivamente, antes da inoculação.

Os experimentos foram realizados no Laboratório de Fitopatologia do Instituto Biológico/Campinas – SP, em condições de estufa incubadora (BOD) para ambos os métodos.

No teste in vitro, foram preparadas as caldas dos produtos (carbendazim + tebuconazole e clorotalonil) nas concentrações indicadas na tabela 1, utilizando água esterilizada. Com o auxílio de pipeta, uma alíquota das caldas foram adicionadas às placas de microtitulação contendo substrato de ágar-água solidificado. Uma suspensão de uredosporos de P. pachyrhizi calibrada para 103 esporos/ml de água destilada, contendo uma gota de tween 20, foi adicionada à superfície, em volume determinado para se obter as concentrações desejadas. Foram utilizadas placas de microtitulação contendo 96 poços (assépticas por solução de hipoclorito 1%), cada um representando uma repetição. Foram incubadas com controle de temperatura e fotoperíodo, obedecendo-se a temperatura de 24°C, o tempo de exposição de seis horas e na ausência de luz.

Tabela 1. Fungicidas testados, nas concentrações de 0,25; 0,5; 1; 2; 4; 8 e 16 ppm i.a., in vitro na germinação de uredosporos, visando o controle de Phakopsora pachyrhizi.

Os uredosporos foram coletados no mesmo dia da instalação dos testes, a partir de plantas de soja naturalmente infectadas de três cultivares distintas, todas semeadas em 13 de outubro de 2016, no município de Arthur Nogueira, SP.

O uredosporo foi considerado germinado quando apresentou tubo germinativo de comprimento maior ou igual ao seu menor diâmetro. A quantificação da germinação e a mensuração do comprimento dos tubos germinativos foram realizadas com o auxílio de microscópio ótico através de varredura da placa de microtitulação.


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No teste in vivo, os folíolos (unifoliolados) de soja da cv. BMX Potência foram coletados de plantas cultivadas em vasos, em condições de estufa, aos 18 dias após a emergência. Não havia presença de esporos de ferrugem-asiática (P. pachyrhizi), ou de qualquer outro patógeno nestas condições. Em seguida, os folíolos foram imersos nas caldas fungicidas nas concentrações indicadas na tabela 2, durante 3 segundos e distribuídos com a face inferior para cima, em número de quatro, em placas de Petri (12 cm de diâmetro), contendo três discos de papel de filtro umedecido em água destilada. Após a secagem natural, eles foram inoculados com a mesma suspensão de uredosporos do teste in vitro, calibrada agora para 105 esporos/ml. As placas foram acondicionadas em sacos plásticos para obter uma câmara úmida e propiciar a germinação e penetração dos uredosporos, mantidas em BOD durante 14 dias a 23°- 24 °C, quando então se efetuou a avaliação dos sintomas da doença, com base na porcentagem de severidade do tecido foliar afetado. Cada placa contendo os quatro folíolos representou uma repetição, sendo três placas para cada concentração de fungicida.

Tabela 2. Fungicidas testados, nas concentrações de 1; 2; 4; 8; 16; 32; 64; 128 ppm i.a., in vivo pelo método de folíolos destacados, visando o controle de Phakopsora pachyrhizi.

Os resultados obtidos foram submetidos a cálculos de porcentagem de inibição para determinação do CL50 e CL95 em programa Probit.

Os fungicidas apresentaram ações inibitórias sobre a germinação dos uredosporos e o desenvolvimento dos sintomas. De forma geral o fungicida clorotalonil foi mais fungitóxico in vitro (tabela 3) e in vivo (tabela 4) do que o fungicida sistêmico, para todas as amostras coletadas provenientes das três cultivares, especialmente na cv. BMX Turbo com valor in vitro de CL50 = 0,18 ppm i.a. e CL95 = 1,54 ppm i.a. e com valor in vivo de CL50 = 0,24 ppm i.a. e CL95 = 6,81 ppm i.a., indicando haver diferenças entre si. Furlan et al., 2015, ao estudarem diversos fungicidas multi-sítios, verificaram que o fungicida a base de clorotalonil apresentou valor in vitro de CL50 = 0,16 ppm i.a. sendo bastante similar ao presente trabalho. A sensibilidade do fungo foi maior para a germinação dos uredosporos em relação à infecção nos folíolos. Estes resultados reforçam a importância dos multi-sítios nos programas de aplicação com fungicidas específicos (sistêmicos) por evidenciar boa fungitoxicidade, a fim de manejar a resistência e incrementar a eficácia de controle sobre a ferrugem da soja.

Tabela 3. Valores de CL50 e CL95 dos fungicidas para inibição in vitro da germinação de uredosporos de Phakopsora pachyrhizi. Isolado de Arthur Nogueira, SP.

Tabela 4. Valores de CL50 e CL95 dos fungicidas para inibição in vivo da germinação de uredosporos de Phakopsora pachyrhizi. Isolado de Arthur Nogueira, SP.

Referências

FRAC.Informação sobre Carboxamida em ferrugem da soja. Disponível em <http://www.fracbr.org/>. Acesso em Mar. 2018.

FURLAN, S.H.; LEITE, J.A.B.P.; FRANCO, D.A.S. AÇÃO in vitro e in vivo DE FUNGICIDAS MULTI-SITIOS SOBRE Phakopsora pachyrhizi. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE SOJA, 7, 2015. Florianópolis. Anais… Londrina: Embrapa Soja, 2015. 1. CD-ROM.

GODOY, C.V.; MEYER, M.C. Ensaio Cooperativo para avaliação da eficiência de fungicidas no controle da ferrugem-asiática da soja, Phakopsora pachyrhizi, na safra 2015/16, em Londrina, PR. In: REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA, 35., 2016. Resumos expandidos… Londrina: Embrapa Soja, 2016. 282. (Embrapa Soja. Documentos, 372).

Informações dos autores:  

1Instituto Biológico, Laboratório de Bacteriologia;

2Laboratório de Fitopatologia, CEP 13012-970, Campinas, SP.

Disponível em: Anais do VIII Congresso Brasileiro de Soja. Goiânia – GO, Brasil.

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