O objetivo do referido trabalho, é quantificar o teor de Nitrogênio acumulado na parte aérea da cultura do milho (palha + grãos), visando a utilização de fertilizantes orgânicos em diferentes modos de aplicação, além do uso de inibidor de nitrificação.

Autores: Cristian Mateus Freiberg(1); Rogério Gonzzato(2);Rosemar de Queiroz(3); Heitor Luís Santin Bazzo(4); Ana Julia Santos Figueiró(5); Celso Aita(6)

Trabalho publicado nos Anais do evento e divulgado com a autorização dos autores.

INTRODUÇÃO

O aumento significativo dos resíduos de suínos na região sul do país, é consequência da elevada produção dos mesmos, que no término de 2015, representou cerca de 49% da produção nacional (ABCS, 2016). Segundo Aita et al. (2006) os dejetos líquidos de suínos (DLS) apresentam elevado potencial fertilizante. Devido a esse potencial, uma das alternativas de uso mais adotadas entre os produtores, é a aplicação dos dejetos como fonte orgânica de nutrientes em áreas agrícolas (LOURENZI, 2014). Esse dejeto é utilizado na forma líquida (fezes, urina e água), que em sua maioria, são realizadas em aplicações superficiais ao solo.

O nitrogênio (N), é um dos nutrientes encontrado em maior quantidade nos dejetos (DESBESSELL, 2017). Também é um nutriente considerado bastante móvel, pois quando adicionado ao solo, o N amoniacal presente no DLS, estará disponível para absorção das plantas (GONZATTO, 2016).

Porém, essa aplicação superficial acarreta perdas de nitrogênio na fração amoniacal, tanto na volatilização de amônia, quanto no escoamento superficial (GIACOMINI, 2005). Além de perdas significativas na aplicação, pode ocorrer a lixiviação do nitrato, que é caracterizada através da alta mobilidade do ânion NO3, podendo ultrapassar a área radicular das culturas, e posteriormente, chegar a lençóis freáticos (CASTAMANN, 2005). A aplicação de DLS ao solo via fertilização, pode estimular a emissão de óxido nitroso (N2O), devido aos processos de nitrificação e desnitrificação (GIACOMINI, 2006).

Tendo em vista as perdas do N amoniacal, existem alguns métodos para retardar a nitrificação, disponibilizando o nitrogênio em maior período de tempo para as culturas, como no caso dos inibidores de nitrificação. Embora vários autores não comprovaram efetividade no inibidor, o efeito pode ser observado nos resultados de Marcelino (2009), onde a DCD aumentou a eficiência no uso do N, porém, não influenciou na produção de grãos de milho.

O objetivo do referido trabalho, é quantificar o teor de Nitrogênio acumulado na parte aérea da cultura do milho (palha + grãos), visando a utilização de fertilizantes orgânicos em diferentes modos de aplicação, além do uso de inibidor de nitrificação.

MATERIAL E MÉTODOS

O experimento foi conduzido no setor de zootecnia pertencente a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), situada no estado do Rio Grande do Sul, Brasil. O clima do local, conforme a classificação climática de Köppen, é subtropical úmido CFA2. O solo encontrado é Argissolo Vermelho Alumínico úmbrico.

A área destinada para o experimento encontrava-se em pousio, com vegetação natural do local, formada principalmente por capim-annoni (Eragrostis plana Nees). Também se fez necessária a aplicação de calcário dolomítico devido ao baixo pH da camada 10-20 cm.

O período de duração do experimento estendeuse de dezembro de 2011 a dezembro de 2015, operando a área através do sistema de plantio direto. O delineamento utilizado foi blocos ao acaso com quatro repetições de cada tratamento. As parcelas apresentavam uma área de 5,25m X 6,00m, contendo os mesmos tratamentos quando reaplicados a cada cultivo.

Os tratamentos comparados contemplam dois diferentes modos de aplicação, superficial (comum) e injetado, um comparativo entre adubação nitrogenada comercial e orgânica, além do uso de inibidor de nitrificação. Desse modo, foram instalados seis diferentes tratamentos: T1 – Testemunha, sem nenhuma aplicação de fertilizantes; T2 – Adubação mineral (NPK); T3 – Dejeto líquido de suíno aplicado na superfície (DLSs); T4 – DLS + inibidor de nitrificação (DCD) (DLSs+DCD); T5 – DLS na forma injetada (DLSi); T6 – DLS Injetado + DCD (DLSi+DCD).

As culturas empregadas foram de milho no verão, e aveia/trigo no inverno, sendo que para esse trabalho foram utilizados os dados da cultura de verão. As doses de NPK e DLS foram estipuladas conforme a Comissão de Química e Fertilidade do solo (CQFS-RS/SC, 2004). A semeadura do milho foi feita manualmente (espaçamento de 70 cm). O dejeto foi coletado em suínos em fase de terminação. Na injeção do dejeto, fez-se o uso de um equipamento desenvolvido para tal atividade (daol Modelo -I 4000 Tandem, Mepel, Estação, Rio Grande do Sul, Brasil). No dejeto em superfície, a aplicação foi realizada com uso de regadores de 10 Litros cada. O inibidor de nitrificação utilizado foi a dicianodiamida (DCD).

Para análise do acúmulo de N, foram colhidas, após a maturação, sub amostras, contendo quatro plantas de milho. Palhas e grãos foram separados para secagem em estufa, até adquirirem peso constante, para posterior cálculo de massa seca (MS). Após a secagem, realizou a moagem dos resíduos através de um moinho de facas e moinho de bolas respectivamente. As análises das amostras foram feitas com o equipamento com combustão a seco (Flash EA 1112, Thermo Finnigan, Milão, Itália). O cálculo para quantificar o acúmulo de N na planta foi através da multiplicação do rendimento de MS por concentração de N.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

A produtividade do milho aumentou com a aplicação de fertilizantes mineras e orgânicos. Os menores teores de acumulo de N, podem ser notados na testemunha, devido ao fato de ser isento de qualquer aplicação de fertilizantes nitrogenados (Tabela 1). O tratamento com adubação mineral (NPK), comparado com a aplicação orgânica, resultou em valores semelhantes do modo de aplicação superficial (oscilações em cada safra), isto, devido a maior parte do N mineral, ser aplicado superficialmente, contribuindo para sua volatilização. Porém, em relação aos métodos injetados, houve discrepância.

Tabela 1.Planilha de N acumulado no milho, resultado de adubação com dejetos de suínos e ureia, em um período de 4 anos.

Na avaliação dos diferentes modos de aplicação do DLS, as maiores respostas no acúmulo de N foram através de injeção do DLS (Figura 1), os quais, diferentemente da aplicação em superfície, ocasionaram menor volatilização de amônia, semelhante aos resultados encontrados por Dessbesell (2017).

Figura 1. N acumulado na parte área do milho sob diferentes modos de aplicação, juntamente com inibidor de nitrificação.

A aplicação de DCD junto ao dejeto na aplicação, apresentou melhores respostas em cultivos de inverno (dependência do clima), porém, não possui significativas melhorias na acumulação de N e consequentemente, na produção de culturas de verão.

CONCLUSÕES

A adubação mineral pode ser substituída pelo dejeto aplicado em superfície, visando seu bom rendimento em cultura de verão, além do semelhante acúmulo de N. Dentre as formas de aplicação, destaca-se a injeção, a qual mostrou respostas significativas. O uso do inibidor de nitrificação (DCD) possui algumas respostas em determinadas situações, porém, não são de ampla efetividade na cultura do milho.

REFERÊNCIAS

Aita C, Port O, Giacomini SJ. Dinâmica do nitrogênio no solo e produção de fitomassa por plantas de cobertura no outono/inverno com o uso de dejetos de suínos. Rev. Bras. Cienc. Solo. 2006; 30:901-910.

Castamann A. Aplicação de dejetos líquidos de suínos na superfície e no sulco em solo cultivado com trigo [Dissertação]. Passo Fundo: Universidade de Passo Fundo; 2005.

Dessbesell A. Volatilização de amônia dos dejetos líquidos de suínos aplicados em plantio direto: quantificação e estratégias de mitigação [Dissertação]. Santa Maria: Universidade Federal de Santa Maria; 2017.

Giacomini SJ. Avaliação e modelização da dinâmica de carbono e nitrogênio em solo com o uso de dejetos de suíno [Tese]. Santa Maria: Universidade Federal de Santa Maria; 2005.

Giacomini SJ, Jantalia CP, Aita C, Urquiaga SS, Alves BJR. Emissão de óxido nitroso com a aplicação de dejetos líquidos de suínos em solo sob plantio direto. Pesqui. Agropecu. Bras. 2006; 41:1653-1661.

Gonzatto R. Eficiência de uso do nitrogênio por gramíneas em função do modo de aplicação de dejetos suínos no solo e do uso de inibidor de nitrificação[Tese]. Santa Maria: Universidade Federal de Santa Maria; 2016.

Lourenzi CR. Dejetos de suínos: produção de culturas, efeitos na matéria orgânica e na transferência de formas de fósforo [Tese]. Santa Maria: Universidade Federal de Santa Maria; 2014.

Marcelino R. Inibidor de nitrificação em fertilizantes nitrogenados e Rendimento de milho [Dissertação]. Campinas: Instituto Agronômico; 2009.

Neves MF, Júnior JCL, Sá NC, Pinto MJA, Kalaki RB, Gerbasi T, Galli RM, Vriesekoop F. Mapeamento da suinocultura brasileira. 1ª ed. Brasília:2016 (Boletim Técnico).

Informações dos autores:

(1)Graduando do curso de Agronomia, Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Av. Roraima, 1000, Santa Maria;

(2)Engenheiro Agrônomo; Mosaic Fertilizantes;

(3) Doutoranda no Programa de Pós Graduação em Ciência do Solo – UFSM;

(4) Mestrando no Programa de Pós Graduação em Ciência do Solo – UFSM;

(5) Graduanda no Curso de Agronomia – UFSM;

(6) Professor Titular – UFSM.

Disponível em: Anais da XII Reunião Sul-Brasileira de Ciência do Solo. Xanxerê – SC, Brasil.

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