Objetivou-se com esta pesquisa avaliar os limites da adubação sulfatada combinada com a inoculação e co-inoculação sobre a nodulação e produtividade da cultura da soja.

Autores: Pedro Gardin Alessio1, Evandro Ademir Deak1, Jessica Deolinda Leivas Stecca1, Guilherme Costa Barriquelo1, Carlos Alexandre Engel1 ,Thomas Newton Martin11

Trabalho publicado nos Anais do evento e divulgado com a autorização dos autores.

A cultura da soja [Glycine max (L.) Merrill] é extremamente importante para a economia brasileira, sendo a cultura de maior expressão em área cultivada no país, com 33,8 milhões de hectares cultivados na safra agrícola 2016/17 (CONAB, 2017). Para o alcance de alta produtividade a soja necessita de um equilíbrio nutricional, sendo que o nutriente que estiver em menor disponibilidade será o elemento limitante da produtividade.

O nutriente de maior demanda pela cultura é o nitrogênio (N), sendo obtido preferencialmente pela fixação biológica de nitrogênio (FBN) (HUNGRIA et al., 2013). Processo realizado por meio de bactérias do gênero Bradyrhizobium, as quais captam o nitrogênio atmosférico (N2) do ambiente e convertem em amônia (NH3+), tornando-o disponível à planta (TAIZ; ZIEGER, 2013). Além das bactérias do gênero Bradyrhizobium, a associação destas com bactérias da espécie Azospirillum brasilense (A. brasilense) vem mostrando bons resultados, aumentando a nodulação, o comprimento de raízes e a produtividade de grãos de soja (BRACINI et al., 2016; CEREZINI et al., 2016; ZUFFO et al., 2015).



O enxofre (S) é um nutriente que vem apresentando relatos de deficiência nos solos de vários países nos últimos anos, implicando em limitações na produtividade das culturas. A deficiência de S pode causar redução na FBN, pois este nutriente é um constituinte importante da ferredoxina, enzima responsável pelo transporte de elétrons até as subunidades da nitrogenase, que é a enzima responsável pela quebra do N2 (GETACHEV et al., 2017).

Objetivou-se com esta pesquisa avaliar os limites da adubação sulfatada combinada com a inoculação e co-inoculação sobre a nodulação e produtividade da cultura da soja.

O experimento foi realizado na área experimental pertencente ao departamento de Fitotecnia do Centro de Ciências Rurais da Universidade Federal de Santa Maria – UFSM, situado no município de Santa Maria, Rio Grande do Sul (RS). A cultivar utilizada foi a Nidera 5959 IPRO. As unidades experimentais (UE) foram constituídas por cinco fileiras de semeadura com espaçamento de 0,45 m entre fileiras, com 7,75 m de comprimento, totalizando 17,43 m² de área total por parcela, sendo colhidas as três fileiras centrais por 5,0 m de comprimento, totalizando 6,75 m2 de área útil de colheita.

O delineamento experimental utilizado foi o de blocos ao acaso em um fatorial (3 x 4), com quatro repetições. Os tratamentos quanto a inoculação (A) foram: Testemunha (Não inoculado); Inoculação (Inoculação com Bradyrhizobium spp.), e Co-inoculação (Co-inoculação com Bradyrhizobium spp. + A. brasilense). As doses de enxofre (D) foram: 0, 20,40 e 60 kg de S ha-1.

Em amostragem do solo na camada de 0 a 10 cm de profundidade antes da semeadura do experimento foram encontrados os seguintes atributos químicos; Argila – 18%, Matéria orgânica – 2,0%, S-SO4-2 – 16,8 mg dm³, fósforo – 37,2 mg dm³, potássio – 108,0 mg dm³, pH – 4,7, cálcio – 2,2, magnésio – 0,6, alumínio – 1,0 cmol dm³.

A inoculação com Bradyrhizobium foi realizada com inoculante líquido de Bradyrhizobium japonicum estirpe CPAC 15 (semia 5079) e Bradyrhizobium diazoefficiens estirpe CPAC 7 (semia 5080), na dose de 2 mL kg-1 de sementes. Para os tratamentos com A. brasilense foi utilizado inoculante líquido contendo as estirpes Ab-V5 e Ab-V6, na dose de 2 mL kg-1 de sementes. Foram inoculados 2 kg de sementes com 6 mL de calda para cada quilograma de sementes, com o auxílio de sacos plásticos, agitando até obter a uniformidade do produto sobre as sementes. A adubação sulfatada foi realizada 20 dias antes da semeadura, em aplicação a lanço, de um produto formulado, contendo 90% de S elementar (Sulfurgran®).

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As variáveis analisadas foram: número de nódulos por planta (NN, planta-1), avaliados no estádio fenológico R2 pela contagem direta dos nódulos de quatro plantas por parcela. No estádio R8 foi determinado o número de legumes por planta (NLP, planta-1) em quatro plantas por parcela, e a produtividade de grãos (PG, kg ha-1) corrigindo o teor de umidade das mesmas para 13% (base seca).

Os dados foram submetidos às pressuposições do modelo matemático (STEEL et al., 1997), posteriormente submetidos à análise de variância (ANOVA) pelo teste de F. Quando significativos, foi realizada análise de regressão para as doses de S, e teste de comparação de médias de Sckott-Knott a 5% de probabilidade para as inoculações, observando as interações. As análises foram realizadas com o auxílio do software estatístico Sisvar® (FERREIRA, 2011).

Para o NN não houve interação entre inoculações e doses de S, porém ambos foram estatisticamente diferentes, já para o NV e PROD não houve interação, e apenas as doses de enxofre foram significativas (Tabela 1).

Tabela 1. Resumo da análise de variância representado pelos quadrados médios para o experimento de campo. Santa Maria, 2017/18.

O NN foi superior quando foi utilizada a co-inoculação, independente da dose de S. A co-inoculação apresentou uma média de 92 nódulos por planta, sendo 8% superior a inoculação apenas com Bradyrhizobium, e 15% superior a testemunha não inoculada (Figura 1 A).

Para o NV e PROD as inoculações não apresentaram efeito significativo, sendo possível encontrar diferença apenas para as doses de enxofre (Figura 1 C e D). Solos do RS quando cultivados com a cultura da soja e recomendado que apresentem teores de enxofre acima de 10 mg de S dm³ (CQFRS/SC, 2016).


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No presente experimento em amostragem realizada antes da semeadura observou-se que o teor de enxofre no solo estava acima do limite crítico para o cultiva da soja, apresentando na camada de 0 a 10 cm de profundidade o teor de 16,8 mg dm³ de S-SO4-2. Nesta situação a aplicação de enxofre não seria recomendada de acordo com as recomendações atuais, porém, foi observado um ajuste linear da equação de regressão, demonstrando que houve incremento na produtividade de grãos até a dose máxima testada de 60 kg de S ha-1, onde a produtividade foi de 4822 kg há-1, incrementando a produtividade em 7% quando comparado a dose zero.

Este acréscimo na produtividade pode estar relacionado a maior atividade da ferredoxina, que é a enzima que doa elétrons para a nitrogenase utilizar na quebra no nitrogênio atmosférico.

Figura 1. Número de nódulos (NN, planta-1) (A e B), número de vagens por planta (NV, planta-1) (C), e produtividade de grãos (kg ha-1) (D), em função das inoculações e de doses de enxofre. Santa Maria, 2017/18.

A co-inoculação promove acréscimo na nodulação de plantas de soja. A utilização de enxofre aumenta o número de nódulos, número de vagens e a produtividade da cultura da soja.

Referências

BRACCINI, A. L. et al. Co-inoculação e modos de aplicação de Bradyrhizobium japonicum e Azospirillum brasilense e adubação nitrogenada na nodulação das plantas e rendimento da cultura da soja. Scientia Agraria Paranaensis, Marechal Cândido Rondon, v. 15, p. 27-35, 2016.

CEREZINI, P. et al. Strategies to promote early nodulation in soybean under drought. Field Crops Research, Amsterdam, v. 196, p. 160-167, 2016.

COMISSÃO DE QUÍMICA E FERTILIDADE DO SOLO – CQFRS/SC. Manual de adubação e calagem para os Estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina. 2.ed., Sociedade Brasileira de Ciência do Solo, Núcleo Regional Sul, 2016.

CONAB: COMPANHIA NACIONAL DE ABASTECIMENTO. Acompanhamento da Safra Brasileira de Grãos. Monitoramento agricola- Safra 2016/2017, Brasília, v. 4, p. 1–174, 2017.

FERREIRA, D. F. Sisvar: a computer statistical analysis system. Ciência e Agrotecnologia, Lavras, v. 35, n. 6, p. 1039-1042, 2011.

GETACHEV, Z.; ABERA, G.; BEYENE, S. Rhizobium inoculation and sulphur fertilizer improved yield, nutrients uptake and protein quality of soybean (Glycine max L.) varieties on Nitisols of Assosa area, Western Ethiopia. African Journal of Plant Science, Ethiopia, v. 11, n. 5, p. 123–132, 2017.

HUNGRIA, M; NOGUEIRA, M. A; ARAUJO, R. S. Co-inoculation of soybeans and common beans with rhizobia and azospirilla: strategies to improve sustainability. Biology and Fertility of Soils, Firenze, v. 49, p. 791-801, 2013.

STEEL, R. G. D.; TORREI, J. H.; DICKEY, D. A. Principles and procedures of statistics: a biometrical approach. 3. ed. McGraw Hill Book, New York, 1997. 666p.

TAIZ, L.; ZEIGER, E. Fisiologia vegetal. 5. ed. Porto Alegre: Artmed, 2013. 918 p.

ZUFFO, A. M. et al. Co-inoculation of Bradyrhizobium japonicum and Azospirillum brasilense in the soybean crop. Revista de Ciências Agrárias, Lisboa, v. 38, p. 87-93, 2015.

Informações dos autores:  

1Universidade Federal de Santa Maria. Av. Roraima, n. 1000, Departamento de Fitotecnia. Cidade Universitária. 97105900 – Santa Maria, RS – Brasil

Disponível em:  Anais da 42ª Reunião de Pesquisa de Soja da Região Sul, Três de Maio – RS, Brasil, 2018.

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