Alimentado pelo clima da Argentina, a soja mantém o seu potencial de alta

A seca na Argentina ainda é o principal fator que move os preços no país local. Esta semana, tanto no mercado Argentino quanto em Chicago, a oleaginosa continuou um caminho ascendente. A farinha de soja, produto que a Argentina domina o mercado internacional, lidera os aumentos no complexo de soja e, até agora, a cotação aumentou US$ 65 /tonelada no Grupo CME.

Mais uma semana que passa sem chuvas significativas para a região produtiva da Argentina, aumentando as perdas de produção de soja na Argentina. Apenas locais muito pontuais receberam no fim de semana precipitação acima de 30 mm, enquanto na maior parte da região central as chuvas eram dispares e insignificantes, longe das pretensões de 50 mm indicadas pelas previsões.
O mapa de reservas de água no solo Argentino ainda têm predomínio laranja (seco), com áreas particularmente secas no Oriente de Entre Ríos, Centro / Norte de Santa Fé e centro de Buenos Aires e La Pampa. Com a soja no meio do período crítico, o potencial de rendimentos para a nova campanha encurta semana a semana e hoje 50 milhões de toneladas já são assumidas como máxima estimativa nacional.
O medo de uma falha produtiva deu suporte aos preços negociados durante a semana.
Outra consequência da incerteza produtiva, por um lado, e em relação ao fluxo de vendas que compromete o setor de suprimentos, por outro, é o cuidado que reina nos compromissos de exportação.
Para a farinha de soja especificamente, o principal produto de exportação do nosso país, não há compromissos de vendas para a nova safra, em contraste com as 600 mil toneladas registradas no mesmo período do ano passado.
Apesar disso, a indústria de exportação procura garantir o recebimento dos grãos em e, de acordo com dados do Ministério do Agronegócio, com a maior proporção de soja ja negociada dos últimos 05 anos. Na verdade, em um contexto em que o preço do grão aumentou 25% em 2018, estas estratégias de compra buscam minimizar o risco de aumentos de preço.
Indicadores comerciais 17/18 comparado a média dos últimos 05 ciclos (Promo 5) e com o último ciclo (16/17), onde observa-se que as compras totais chegam nos 16%, versus 9 na média de 5 safras e 12 do ano anterior. Restam ainda para comercialização (considerando as estimativas atuais de safra), comercializar 39,9 Milhões de toneladas, enquanto a média das 05 safras era de 47.5 milhões. Do volume já comercializado, 45% foi com preços já fixados e 45 por preços a fixar.
O medo de que a Argentina, o principal fornecedor mundial, não poderá fornecer farelo de soja neste ano, no volume esperado, causa fortes aumentos no preço do subproduto no mundo, e Chicago não foi a exceção. Neste ano, o mercado futuro aumentou em 65 dólares por tonelada, ultrapassando os US$ 410/ , como observado no gráfico abaixo.
Acontece que, embora uma sólida colheita da soja brasileira possa compensar a menor produção na Argentina, o Brasil não poderá exportar farelo de soja na proporção que a Argentina fornece. A capacidade de processamento de oleaginosas instalada na Argentina, com capacidade para 200 mil toneladas por dia, é superior as 175 mil t / dia que o Brasil pode processar, então, mesmo com o Brasil produzindo o dobro de soja que a Argentina, a capacidade de beneficiamento é inferior. É por isso que  o maior reflexo se dará nos preços do farelo, e não propriamente no preço do grão.
Fonte: adaptado do Portal da Bolsa de Comércio de Rosário pela equipe Mais Soja

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