Análise da produção de trigo no Brasil

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Na Bahia, estima-se que sejam cultivados 5 mil hectares desse cereal. As lavouras estão distribuídas em cinco propriedades, entre os municípios de Barreiras, Luís Eduardo Magalhães, Riachão das Neves, São Desidério e Formosa do Rio Preto.

A motivação dos pioneiros, com a introdução do trigo na região, esteve ligada aos benefícios como a redução da incidência de doenças como Fusariose e Esclerotinia, por não ser o trigo seu hospedeiro, diminuição na ocorrência de nematoides e plantas daninhas, na diversificação e cobertura do solo, segundo o consultor Pedro Júnior, integrante do Conselho Técnico da Aiba.

O cultivo é irrigado e foi realizado em meados de maio, quando a temperatura noturna atinge 17º C, e a colheita em agosto e setembro.

Em Mato Grosso do Sul, a estimativa de área a ser cultivada no estado é de aproximadamente 28 mil hectares, um aumento de 40% em relação à safra anterior, com perspectiva de produtividade em torno de 2.200 kg/ha. Atualmente, aproximadamente 80% da área destinada ao trigo já foi plantada e a maioria das lavouras estão no estádio de desenvolvimento vegetativo.

A cultura se adapta tanto a solos arenosos quanto argilosos. Porém, nos solos com alto teor de argila, há relatos de dificuldades para a germinação das plântulas. O uso de grades aradoras e aplicações de defensivos em lavouras com restos culturais do milho segunda safra são práticas comuns no cultivo do cereal. Nos solos, onde a cultura é plantada em pós-colheita da soja, os restos culturais se decompõem e o produtor mantém um período em pousio, facilitando a semeadura nessas áreas, realizando apenas análise de solo para correções com adubações e posterior plantio do cereal.

Algumas áreas apresentaram ataques de pulgão em plântulas e, aplicações corretivas com defensivos, apresentaram-se eficientes ao controle do inseto. Os monitoramentos constantes têm apresentado resultados esperados pelos produtores.


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O câmbio apresentou alta nesse semestre e desfavoreceu as tradings a importarem o cereal dos países vizinhos, como o Paraguai e Argentina, gerando expectativas de melhores preços aos produtores locais por ocasião da colheita.

O trigo em Goiás é todo irrigado (sistema pivô central). A safra ocorre em regiões altas como Cristalina, Luziânia e Água Fria de Goiás, justamente na entressafra de outros países. na região. O trigo plantado na região leste na condição de sequeiro foi semeado em março com as primeiras áreas sendo colhidas neste final de junho com produtividade média entre 1.500 a 1.700/ha. Enquanto a cultura irrigada na região leste com colheita prevista para agosto e setembro deve atingir produtividade em torno de 5.446 kg/ha. Áreas menores estão situadas no sul do Estado tanto sequeiro como irrigado. Áreas destinadas primeiramente para plantio de feijão foram substituídas poe trigo principalmente na região leste do Estado onde a altitude supera 800 metros, fator este importante para implantação da cultura.

No Distrito Federal, o cenário para a próxima safra define uma área semelhante à cultivada na safra anterior, em 900 hectares. O rendimento médio estimado é de 6.200 kg/ha, 3,3% superior ao obtido na safra anterior, ocasionado, sobretudo, pelas boas condições de clima observadas até o momento.

O plantio foi efetivado e as lavouras ultrapassam o bom estádio de germinação e desenvolvimento vegetativo. A maior parte do trigo cultivado é com irrigação, e as barragens se encontram em seu potencial máximo de abastecimento.

O triticultor da região central do Brasil tem a vantagem de ser o primeiro colhido no país, o que favorece a comercialização. Além dos preços atrativos de mercado, favorece também o período de escassez do produto por ser a entressafra da produção nacional.

A desvalorização do real ajudou apenas a frear o movimento de alta dos preços internos. Daqui adiante, e até a nova colheita, a variação cambial no Brasil definirá o rumo dos preços do trigo. O plantio de trigo teve início no final de março e deve se estender até julho. A área de plantio está estimada em 81,3 mil hectares, 3,9% inferior em relação à safra anterior. As lavouras de sequeiro respondem negativamente ao período de estiagem e baixas temperaturas, prenunciando baixas produtividades para esta safra. As lavouras irrigadas apresentam bom desenvolvimento vegetativo e estimativas de rendimento normais.

Em São Paulo, diante deste levantamento realizado a campo, ficou evidenciado, com relação ao trigo safra 2018, que o plantio está significativamente atrasado devido à ausência de chuvas no estado. O estado vem atravessando forte estiagem. Conforme relata as cooperativas locais e também as casas de agricultura, os produtores estão plantando sem maiores expectativas. Muitos deles semearam o trigo no pó, ou seja, jogaram a semente do cereal nas lavouras, cientes da possibilidade de não haver boa colheita. Essa realidade se faz presente para aqueles produtores que plantam no sequeiro. Situação já bastante diferente do produtor que planta sob pivô de irrigação. Esse produtor semeou o trigo na janela agrícola recomendável, efetuou o plantio em meados de maio, e está com suas lavouras permanentemente irrigadas. As áreas de trigo deverão sofrer redução, se comparada com a safra passada. O motivo elencado pelos informantes é a falta de chuva, onde originou atraso no plantio. O produtor planta o trigo com o seguro agrícola, mas diante da estiagem ocorrida, o calendário recomendável ficou comprometido. Segundo muitos municípios a data ideal para o plantio inspirou em 20 de maio.

A maior área do trigo de São Paulo, é banhada pela região de Itapeva. Nessa localidade independente de existir pivôs para irrigação, onde o plantio seguiu normal, a presença do sequeiro também deve ser considerada, visto que o produtor desistiu da semeadura do trigo, optando pela aveia preta (cobertura de solo), produto de maior resistência e custo menor. Quanto aos preços do trigo no estado, neste momento, estão em patamares elevados. Praticamente sem negócios devido à ausência do cereal. A área apresenta neste levantamento um recuo de 16,01% e estabilidade na produtividade. A área de trigo no Estado está estimada em 1.062,5 mil hectares, o que representa um aumento de 10,5% com relação à safra anterior, devido à substituição das áreas de milho. Até o momento aproximadamente 52% foram semeados e a maioria (78%) das lavouras encontra-se em fase de emergência.

No norte do Paraná o plantio e a emergência foram um pouco prejudicados pela estiagem na segunda quinzena de junho, mas mesmo assim o plantio foi concluído. Nesta região as lavouras necessitam de um pouco mais de umidade. Nas demais regiões as condições estão muito boas para o desenvolvimento, com pouca umidade e frio. Falta um pouco de luz para as lavouras que foram semeadas em junho, mas nada que prejudique o potencial produtivo, estimado em 2.672 kg/ha. Para essas últimas também é desejável quedas maiores nas temperaturas nos próximos dias para que haja bom perfilhamento. Os estádios das lavouras estendem-se desde a emergência até início da floração. As condições das lavouras estão entre boas e regulares e não há registro de doenças. Os produtores estão com boa expectativa de comercialização.

Em Santa Catarina, as estimativas para a safra de trigo atual ainda estão em consolidação, pois a semeadura, que iniciou em meados de maio, deverá se estender até final de julho. Em relação ao levantamento anterior, houve uma reversão nas expectativas de plantio, saindo de uma estimativa de plantio de 51,5 mil hectares, 4,5% menor que a safra anterior, que foi de 53,9 mil hectares, para 55,6 mil hectares, 3,2% maior que a safra passada. Essa alteração no cenário está relacionada a uma mudança de preço pago ao produtor nos últimos dois meses. As condições climáticas têm sido favoráveis à semeadura, possibilitando o produtor seguir o calendário de colheita e semeadura conforme o recomendado para a cultura. O financiamento necessário para a condução da cultura deverá provir 26% de bancos oficiais, 56% de empresas e 24% de capital próprio. No momento, 87% da área semeada se encontra em germinação e 13% em desenvolvimento vegetativo.

No Rio Grande do Sul, o panorama está começando a se definir nos municípios e, de acordo com os informantes, a tendência é de aumento da área nas principais regiões produtoras. Na região noroeste a semeadura está praticamente concluída. Nos municípios de Erechim e Sarandi, por exemplo, o aumento chega a 10% em relação à safra anterior, com cerca de 80% das lavouras já semeadas.

Na região de Bagé 60% da área foi plantada e 75% na região de Pelotas. Estima-se redução em relação à safra passada de 16% na área plantada em Bagé e 20% em Pelotas. Os baixos preços pagos na safra passada e a baixa expectativa em relação ao mercado futuro estão os principais fatores responsáveis pela retração.

Fonte: Conab.
Nota: Estimativa em julho/2018.

Fonte: Boletim de Acompanhamento da Safra Brasileira de Grãos CONAB

Texto originalmente publicado em:
Conab
Autor: Conab

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