O objetivo deste trabalho é relacionar os resultados financeiros de contratos comercializados de soja, na Bolsa de Mercadorias e Futuro (BM&F BOVESPA) e a produção do grão no Brasil, entre 2001 e 2015.

Autores: FARIAS, T. R. R.1; REZENDE, C. F. A.1; SILVA, L. R.2

Trabalho publicado nos Anais do evento e divulgado com a autorização dos autores.

A produção de soja está entre as atividades econômicas que, nas últimas décadas, apresentou crescimento mais expressivo. Isso pode ser atribuído a diversos fatores, dentre os quais: desenvolvimento e estruturação de um sólido mercado internacional relacionado com o comércio de produtos do complexo agroindustrial da soja; consolidação da oleaginosa como importante fonte de proteína vegetal, especialmente para atender demandas crescentes dos setores ligados à produção de produtos de origem animal; geração e oferta de tecnologias, que viabilizaram a expansão da exploração sojícola para diversas regiões do mundo (HIRAKURI; LAZZAROTTO, 2014).

O agronegócio brasileiro está cada vez mais complexo e cheio de desafios, pois o mercado mostra-se em constantes mudanças, em que a oscilação de preço das commodities de um dia para outro são enormes. Devido a essas oscilações, alguns produtores optam por manterem sua colheita estocada em armazém próprio pelo tempo necessário para efetuar uma venda com um preço satisfatório (DAMBROSIO et al., 2012).

Para que o setor agrícola possa planejar as suas atividades de modo satisfatório, é relevante que se tenha uma estimativa sem viés dos preços à vista esperados para o futuro, ou seja, um mecanismo de descoberta de preços, o que se configura em uma das funções básicas dos mercados futuros agrícolas. Nesse sentido, por possuírem um mecanismo centralizado de negociação, com disponibilidade de acesso e transparência, os mercados futuros podem proporcionar a “descoberta de preço”, pois nele as informações são processadas, interpretadas e incorporadas às negociações com velocidade (JUNIOR et al., 2013).

 

Dentro desse contexto, o mercado futuro se apresenta como um mecanismo pelo qual agentes econômicos buscam eliminar a possibilidade de risco, fixando preços de mercadorias com antecedência, para realizarem a troca em datas futuras. Nesse mercado, os agentes baseiam-se em informações hipotéticas sobre a existência de eventos futuros, visando diminuir os efeitos das oscilações de preços (JUNIOR et al., 2013).

Certamente, existe consenso sobre a vocação brasileira para produção agrícola, com maior evidência no cultivo de soja. Entretanto, a consolidação no mercado internacional em condições de competitividade com outros países produtores passa pelo mercado futuro, com a finalidade de proporcionar segurança comercial através do mecanismo de hedge. Nesse sentido, o objetivo deste trabalho é relacionar os resultados financeiros de contratos comercializados de soja, na Bolsa de Mercadorias e Futuro (BM&FBOVESPA) e a produção do grão no Brasil, entre 2001 e 2015.

Relacionar o volume comercializado no mercado futuro e a produção de soja desde 2001 até 2015, configura levantar tanto a série histórica da comercialização pelo referido canal, quanto a produção aferida no período. Posteriormente, tabular os dados e elaborar gráficos para possibilitar análise das informações coletadas.

Nesse sentido, as informações de comercialização de soja foram obtidas por meio da BM&FBOVESPA. Converteram-se os dados de contratos negociados em volume, para que a relação possibilitasse correta análise. Com base no histograma, foi calculada uma linha de tendência para medir a variação por meio da respectiva regressão quadrática. Quanto às informações de produção de soja em toneladas, o trabalho iniciou na comparação entre as informações publicadas pela Conab e pelo IBGE no período em análise.

O gráfico da relação foi composto pela relação percentual do volume comercializado no mercado futuro conforme a metodologia descrita sobre o total produzido no período analisado. Adicionalmente, estabeleceram-se uma linha de média móvel e uma linha de tendência quadrática acompanhada do coeficiente de regressão para viabilizar a análise dos dados.

Figura 1. Relação percentual do volume de soja comercializada no mercado futuro da BM&FBovespa sobre o total produzido no Brasil, entre 2001 e 2015.

Composto pela média móvel entre dois períodos e linha de tendência polinomial em equação de segundo grau. No gráfico da linha de tendência polinomial de segundo grau, infere-se que no ano de 2002 o valor comercializado tornou-se significativo. Este fato é explicado porque exatamente nesta categoria, a linha de tendência supera o eixo horizontal. O valor de B na equação de segundo grau é positivo. Portanto, a tendência do gráfico é de ascensão no período avaliado.

É certo que a partir de 2001 até 2008, a participação do mercado futuro praticado por meio da bolsa de valores dentro do universo do complexo produtivo de soja apresenta um crescimento exponencial. Também em 2008, conforme afirmam Vargas et al. (2016), a economia brasileira apresenta um período de economia pujante com aceleração na abertura comercial brasileira para compradores internacionais, beneficiando principalmente produtos agrícolas.


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Acrescenta-se ainda nesta análise que houve um incremento produtivo da ordem de 32,11% nos três quinquênios que compõem o período estudado. Portanto, haveria necessidade de crescimento semelhante no volume comercializado no mercado futuro da bolsa de valores brasileira para que a participação deste canal no agronegócio do complexo soja se mantivesse constante.

Após 2008, é possível inferir que ocorre rápido declínio na porcentagem da soja negociada por meio desse canal em estudo. Entretanto, entre 2012 e 2015 existe um comportamento de estabilidade adquirindo um padrão médio superior a 2%.

Considerando que o Brasil é um dos principais produtores de soja no mundo durante o período em análise, observa-se que a participação do mercado nacional nas cotações de preço ocorre de forma indireta, visto o volume produzido. Porém, em 2008 o grão nacional alcançou próximo de 13% na comercialização em dólar no mercado futuro por meio da bolsa de valores. Naquele momento, influenciando diretamente sobre o comércio e a cotação internacional da commodity.

A produção brasileira de soja implica diretamente sobre o comércio internacional no instante em que é comercializada nas bolsas de valores em cotação balizada pela moeda americana. Todas as demais vias de escoamento da produção, significam efeito indireto sobre o mercado externo brasileiro (Sanguinet et al, 2017).

Quanto ao crescimento da produção de soja do Brasil, a qual fez o país ser referência mundial na produção agrícola, segundo maior produtor e maior exportador de soja, foi em decorrência, quase que exclusivamente, da incorporação de novas áreas ao processo produtivo do que propriamente pelo aumento do rendimento médio da cultura, principalmente nos últimos 20 anos.

Desse modo, a relação existente entre políticas cambiais e balança comercial tem sido um assunto de destaque na recente literatura econômica. Os estudos acerca desta relação procuram mensurar e explicar o efeito que variações e políticas cambiais tem sobre as transações comerciais, bem como os seus impactos no ciclo de negócios e de crescimento econômico (MACHOSHI et al., 2015).

É certo que as razões que justificam o comportamento verificado estão diretamente alinhadas com o desempenho da economia brasileira no mercado internacional. No entanto, existe um saldo positivo verificado matematicamente pela equação quadrática e visualmente pelo comportamento do gráfico. Ao final do período avaliado, existe um montante de soja comercializado no mercado futuro da BM&FBovespa superior ao volume inicial. Visto que a participação dessa via de escoamento é maior no segundo momento, com um volume produzido 157% mais elevado do que no primeiro momento.

Informações dos autores:  

1Professor(a) de Agronomia, Centro Universitário de Anápolis – UniEVANGÉLICA.

2Egressa do Centro Universitário de Anápolis – UniEVANGÉLICA.

Disponível em: Anais do VIII Congresso Brasileiro de Soja. Goiânia – GO, Brasil.

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