Análise de Solo: conheça tudo sobre esta importante ferramenta

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Foto : Adriano Fernandes

A análise de solo tem como objetivo principal quantificar em Laboratório algumas características químicas e físicas, o que permite a recomendações de insumos mais eficientes e a avaliação do período de plantio de culturas anuais com base no Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC)*.

Entre as vantagens das análises de solo podemos destacar o baixo custo, a rapidez e a possibilidade de enviar amostras ao laboratório o ano todo.

Análise química do solo e recomendação de insumos

Esta análise objetiva indicar os níveis de nutrientes no solo, permitindo a interpretação, pelo agente de ATER e, a Recomendação de Insumos para aumentar a eficiência técnica e econômica de determinada cultura. A realização da análise em períodos regulares, possibilita monitorar e avaliar as mudanças de nutrientes no solo além do impacto da atividade agropecuária e eficiência das calagens e/ou adubações realizadas em cada gleba.

A recomendação de insumos pode sugerir um programa de correção e manutenção da fertilidade do solo, levando em conta duas questões básicas: as necessidades de nutrientes da cultura e cultivar, visando a um produto de melhor qualidade ou preços dos insumos visando ao aumento de lucratividade.

Análise física (granulométrica) do solo

Esta análise objetiva quantificar a proporção dos constituintes sólidos do solo em areia, silte e argila. Essa diferenciação possibilita conhecer o potencial de uso e manejo do solo na área, como por exemplo, a disponibilidade de água para as plantas, risco de erosão e potencial de mecanização, entre outros. A classificação em tiposde solo, existentes no laudo de análise permite a avaliação do período de plantio de culturas anuais com base no ZARC*.

Época de realização da coleta do solo

• A coleta deve ser realizada após o término da colheita da última cultura plantada na área.

• O resultado da análise e a recomendação de adubação e calagem deverão estar nas mãos do produtor antes do período recomendado para plantio da cultura.

• Para cultivos que possam requerer calagem, recomenda-se coletar a amostra 120 dias antes do plantio.

Coleta do solo

A coleta do solo é importante, pois, a quantidade de solo que chega ao laboratório é uma pequena fração da área amostrada. Sendo assim, essa fração precisa representar o todo da melhor forma.

Composição da amostra e amostragem

Para que a amostra represente bem o solo, é importante observar os procedimentos abaixo:

– Identificar as glebas da propriedade observando as diferenças em relação a cor do solo, profundidade, declividade, quantidade de pedras, características de vegetação, textura (se a terra é barrenta, arenosa ou média), posição da gleba no relevo (topo, encosta, baixada) e, histórico de utilização e adubação.

– Dispor de várias ferramentas para a coleta desde que estejam limpas e sem resíduos de terra, adubo, esterco, cimento, entre outros;

– Deve-se limpar a superfície do solo, removendo a vegetação e os resíduos de decomposição de material vegetal

• Análise química: é recomendada a coleta em dez a quinze pontos de amostragem por gleba, sendo o material misturado para compor uma amostra a ser enviada ao laboratório. Quanto mais pontos, mais representativa a amostra, garantindo mais confiabilidade ao laudo de análise. A quantidade a ser enviada ao Laboratório é de cerca de 500gramas de solo seco à sombra.

•Análise física: é recomendada a coleta em três a quatro pontos de amostragem para compor a amostra a ser enviada ao laboratório. A quantidade a ser enviada ao laboratório deve ser de cerca de 400gramas de solo seco à sombra.

– Profundidade de Amostragem

• Análise química:

Nas áreas cultivadas com culturas anuais, como milho, feijão, soja e forrageiras, a profundidade de amostragem é de 20cm, devido à concentração de raízes nessa camada.

Para o plantio direto, ou cultivo mínimo, em que o solo é pouco revolvido, o adubo permanece na camada superficial do solo de 0 a 5cm, podendo chegar até 10cm. Desta forma, em cada ponto de amostragem é necessárias duas camadas, uma de 0 até 10cm e a outra de 10 a 20cm.

Em culturas perenes, como fruteiras e essências florestais, deve-se também coletar em duas camadas em cada ponto de amostragem: uma de 0 a 20cm e outra de 20 a 40cm, antes da implantação da cultura. Para reavaliar as condições de fertilidade de solo, depois das culturas implantadas, deve-se coletar amostras de até 20cm de profundidade na periferia da projeção das copas das plantas.

As ferramentas a ser utilizadas para a coleta de análise química são:

– pá reta, com o seguinte procedimento: abrir uma trincheira (ou buraco) até a profundidade necessária, retirar uma fatia de solo com 5cm de espessura, desprezar as laterais, mantendo a parte central com 5cm de largura e a altura conforme indicado acima, dependendo da condição do cultivo. Cada fatia de solo retirada vai sendo colocada no balde até completar o número necessário de subamostras.

– trado, com o seguinte procedimento: introduzir o equipamento no solo em movimento giratório até a profundidade que se deseja amostrar e retirá-lo sem girar, evitando perder o solo amostrado e colocar as subamostras em um balde.

• Análise física:

A amostragem é realizada em até 50cm de profundidade. A ferramenta recomendada é a pá reta, e o procedimento é abrir uma trincheira (ou buraco) de até 50cm, retirar uma fatia com 5cm de espessura, desprezar as laterais mantendo a parte central de 10cm de largura e 50cm de comprimento da fatia. Cada fatia de solo retirada vai sendo colocada em um balde até completar o número necessário de subamostras.

Preparo da amostra
Com o solo dos pontos coletados no balde, a amostra deve ser destorroado tanto quanto possível, misturando bem as subamostras. Quando o solo estiver bem misturado, separar o dobro da quantidade necessária (aproximadamente 1 kg) e secar o solo à sombra em cima de material inerte (plástico, papel ou papelão, não pode ser jornal) e sem resíduos (adubo, esterco, cimento, entre outros).

Envio da amostra ao laboratório
Depois de secar o solo, embalá-lo em saco plástico limpo, seco e sem resíduos, etiquetar e levar ao posto de coleta mais próximo.

– Identificação da amostra
Junto com o solo, colocadas do lado de fora da embalagem, devem ser enviadas as seguintes informações para o laboratório:

° identificação do agricultor (nome e número do CPF);
° identificação da propriedade (nome da propriedade, endereço, comunidade, município);
° identificação da amostra (nome ou número da gleba, profundidade da coleta, tamanho da área, plantio anterior, etc.).

 

Agricultor: aproveite a entre safra e inicie seus planejamentos. Faça análise de solo.

Fonte: Portal da Epagri

Texto originalmente publicado em:
Portal da Epagri
Autor: Portal da Epagri

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