Análise semanal do mercado da soja

Comentários referentes ao período entre 03/08/2018 a 09/08/2018

Autores:  Dr. Argemiro Luís Brum e Jaciele Moreira, CEEMA UNIJUÍ

As cotações da soja neste início de agosto oscilaram bastante, porém, se mantiveram, para o primeiro mês cotado, abaixo dos US$ 9,00/bushel, fechando a quinta-feira (09/08) em US$ 8,87, contra US$ 8,82 uma semana antes. O viés é de alta, porém, o mesmo dependerá do que sairá no relatório de oferta e demanda do USDA, previsto para o dia 10/08 (o mesmo será largamente comentado em nosso próximo boletim).

Na prática, três temas dominaram o mercado nesta semana:

1) o litígio comercial entre EUA e China;

2) o clima no Meio Oeste estadunidense;

3) o relatório de oferta e demanda do USDA, a ser anunciado no dia 10/08.

 Quanto ao primeiro tema, o governo chinês anuncia que adotará tarifas entre 5% a 25% sobre US$ 60 bilhões em produtos estadunidenses, caso o governo Trump confirme o aumento de 10% para 25% de tarifas para US$ 200 bilhões em importações procedentes da China. Por sua vez, o governo dos EUA se diz satisfeito com as medidas contra a China, pois está forçando o país asiático a negociar termos comerciais melhores.

Dito isso, o mercado nota que os chineses anunciam um recuo de até 10 milhões de toneladas nas compras de soja deste ano comercial. Embora os mesmos possuam estoques importantes, os operadores comerciais consideram que, apesar do litígio
comercial, logo mais os chineses terão que comprar soja estadunidense já que os demais fornecedores (Brasil e Argentina) não têm volume suficiente para atender a demanda chinesa. De fato, os compradores chineses se mostram preocupados, já que as importações de soja em grão, por parte da China, comaram 8 milhões de toneladas em julho, diminuindo 21% sobre igual mês de 2017. No acumulado de 2018 os chineses compraram 52,9 milhões de toneladas, com recuo de 3,7% sobre igual período de 2017. Mas, é bom lembrar que os pecuaristas chineses estão procurando fontes alternativas à soja para este ano, podendo não precisar tanto da oleaginosa.

Pelo lado das exportações dos EUA, o recuo das compras chinesas já estaria precificado em Chicago. Além disso, as exportações estadunidenses deverão alcançar a 56,7 milhões de toneladas no final do atual ano comercial, em 31 de agosto próximo.

Este volume é até melhor do que os 55,5 milhões inicialmente esperados, após a saída da China do mercado comprador norte-americano. Mas dado o curto espaço de tempo para o encerramento do ano comercial, muitos operadores consideram que, talvez, o volume total exportado no ano não alcance o volume atualmente estimado.

Quanto ao clima nos EUA, o mesmo continua regular, porém, alguns analistas norteamericanos informam que o padrão climático ocorrido naquele país entre 1º de maio e
30 de julho deste ano trouxe chuvas bem abaixo da média normal existente para o período 1980-2010. Isso pode ter prejudicado a produtividade média da atual safra e, com isso, o volume final a ser colhido. Veio corroborar esta possibilidade o anúncio, no dia 06/08, de que as condições das lavouras de soja estadunidenses pioraram neste início de agosto, ficando com 67% entre boas a excelentes, 23% regulares e 10% entre ruins a muito ruins.

Assim, o terceiro tema ganhou importância ainda maior no final da semana. O mercado passou a olhar o relatório do USDA com maior atenção ainda, já que o mesmo poderá reduzir as estimativas de produção final, além dos estoques finais nos EUA. Neste sentido, o mercado espera que o relatório de oferta e demanda indique, para o ano comercial 2018/19, uma safra de 120,5 milhões de toneladas de soja nos EUA, contra
117,3 milhões no relatório de julho. Para os estoques finais, o volume seria de 17,4 milhões de toneladas, contra 15,7 milhões em julho. Para o ano 2017/18, que está se
encerrando, o mercado espera uma pequena elevação nos estoques, com os mesmos chegando a 12,6 milhões de toneladas, enquanto os estoques finais mundiais diminuiriam para 95,8 milhões de toneladas. Já para 2018/19, que se iniciará em 1º de outubro, os estoques finais mundiais se elevariam para 99,3 milhões de toneladas, contra 98,3 milhões apontados em julho. Por tanto, uma expectativa baixista para Chicago, contrariando alguns sentimentos de alta motivados pelo clima.

De fato, vale destacar que, segundo a AgResources, são poucos os locais com problemas climáticos  nos EUA e a possibilidade de uma nova safra recorde de soja naquele país é real.

Aqui no Brasil, o câmbio permaneceu oscilando entre R$ 3,70 e R$ 3,77 durante a semana. Com isso, os preços internos ficaram relativamente estáveis, com leve viés de alta. O balcão gaúcho fechou a semana na média de R$ 75,94/saco, enquanto os lotes ficaram entre R$ 82,00 e R$ 82,50/saco. Nas demais praças nacionais os lotes oscilaram entre R$ 69,50/saco em Sorriso (MT) e R$ 84,00/saco em Abelardo Luz (SC), passando por R$ 83,50 no centro e norte do Paraná; R$ 74,50 em São Gabriel (MS); R$ 73,00 em Goiatuba (GO); R$ 69,00 em Pedro Afonso (TO) e R$ 71,00/saco em Uruçuí (PI).

Neste contexto, a comercialização da safra passada, no Brasil, chegava a 84% do total no dia 03/08, contra 71,3% um mês antes e 82% na média histórica. O Rio Grande do Sul vendeu 74%, contra 68% na média; o Paraná 80%, contra 75% na média; e o Mato Grosso havia comercializado 90% da safra, ficando exatamente dentro da média histórica. Já quanto a safra futura, as vendas antecipadas no Brasil, na mesma data, chegavam a 18% do total esperado, contra 20% na média histórica e apenas 8% em igual período do ano passado. O Rio Grande do Sul já teria vendido antecipadamente 9% de sua futura safra, contra 12% na média histórica; o Paraná 17%, contra 14% na média histórica; e o Mato Grosso 22%, contra 27% na média histórica. Neste início de agosto, as vendas antecipadas abaixo de suas respectivas médias históricas se encontravam nos Estados do Rio Grande do Sul, Mato Grosso, Goiás, São Paulo, Santa Catarina e o conjunto formado pelo Maranhão, Piauí, Tocantins e outros Estados menores produtores.

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Fonte: Informativo CEEMA UNJUI, do prof. Dr. Argemiro Luís Brum (1) e de Jaciele Moreira (2).

1 – Professor do DACEC/UNIJUI, doutor em economia internacional pela EHESS de Paris-França, coordenador, pesquisador e analista de mercado da CEEMA.
2-  Analista do Laboratório de Economia da UNIJUI, bacharel em economia pela UNIJUÍ, Tecnóloga em Processos Gerenciais – UNIJUÍ e aluna do MBA – Finanças e Mercados de Capitais – UNIJUÍ e ADM – Administração UNIJUÍ.

Texto originalmente publicado em:
CEEMA UNJUI
Autor: CEEMA UNJUI

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