Comentários referentes ao período entre e 14/09/2018 a 20/09/2018

Autores:  Dr. Argemiro Luís Brum e Jaciele Moreira, CEEMA UNIJUÍ

As cotações da soja em Chicago, após atingirem os mais baixos níveis em pouco mais de 10 anos em Chicago, com o primeiro mês batendo em US$ 8,14 no dia 18/09, se recuperaram no final da semana, avançando 36 pontos em dois dias, ao fechar a quinta-feira (20) em US$ 8,50/bushel (melhor valor em quase um mês), contra US$ 8,22 uma semana antes.

O avanço da colheita nos EUA e o recrudescimento da guerra comercial entre EUA e China foram os principais motivos da baixa. Posteriormente, um ajuste técnico (tomada de lucros) por parte do mercado, estimulado pela melhoria na demanda da soja estadunidense, especialmente em função de compras por parte da União Europeia, melhorou o cenário.

No que diz respeito a colheita estadunidense, até o dia 16/09 a mesma atingia a 6%, contra 3% na média histórica para esta época do ano. Quanto a guerra comercial sino-americana, os EUA decidiram impor tarifas sobre mais US$ 200 bilhões de produtos chineses. A sobretaxa será de 10% e começará a vigorar a partir de 24/09 e subirá para 25% no final do ano. Em represália a China anunciou aplicação de tarifas sobre 5.207 produtos estadunidenses, atingindo um total de US$ 60 bilhões, para o mesmo dia 24/09.

O mercado chegou a especular uma nova reunião entre os dois países visando encerrar o conflito, porém, até o final da semana o quadro não havia evoluído, com o presidente dos EUA informando que não irá ceder. Neste contexto, o diretor-geral da OMC (Organização Mundial do Comércio), o brasileiro Roberto Azevêdo, declarou que receia que tal conflito avance para outras áreas e para outros países, deixando a entender que a relação entre China e EUA pode piorar ainda mais nos próximos meses.


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Por outro lado, as inspeções de exportação estadunidenses de soja chegaram a 784.752 toneladas na semana encerrada no dia 13 de setembro. No acumulado do ano comercial 2018/19, iniciado em 01 de setembro, as inspeções estão em 1,62 milhão de toneladas, contra 2,04 milhões no acumulado do ano anterior, no mesmo período.

No Brasil, apesar da nova elevação de preços em algumas regiões, o mercado terminou a semana em ritmo lento. O recuo do câmbio para níveis um pouco abaixo da casa dos R$ 4,10 freou, em parte, os negócios. Além disso, o quadro eleitoral continua pesando na medida em que se aproxima a data do primeiro turno das eleições presidenciais.

O balcão gaúcho fechou a semana na média de R$ 82,59/saco, enquanto os lotes subiram para R$ 89,00. Nas demais praças nacionais, os lotes de soja variaram entre R$ 74,50/saco em Querência (MT) e R$ 89,50 no norte do Paraná, passando por R$ 89,00 em Campos Novos (SC); R$ 81,50 em São Gabriel (MS); R$ 82,50 em Goiatuba (GO); R$ 77,00 em Uruçuí (PI); e R$ 74,50/saco em Pedro Afonso (TO).

Por sua vez, os prêmios nos portos brasileiros continuaram subindo, puxados pelo litígio comercial entre EUA e China, alcançando valores entre US$ 2,17 e US$ 2,52/bushel.

Neste contexto, no curto prazo, a tendência de preços é de os mesmos se manterem firmes. No médio e longo prazo, após o término das eleições brasileiras, é possível alguma redução nos mesmos, pois o quadro será de recuo do câmbio com a possibilidade de acomodação do Real, mesmo que o cenário seja preocupante quanto a nova condução da economia nacional.

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Fonte: Informativo CEEMA UNJUI, do prof. Dr. Argemiro Luís Brum (1) e de Jaciele Moreira (2).

1 – Professor do DACEC/UNIJUI, doutor em economia internacional pela EHESS de Paris-França, coordenador, pesquisador e analista de mercado da CEEMA.
2-  Analista do Laboratório de Economia da UNIJUI, bacharel em economia pela UNIJUÍ, Tecnóloga em Processos Gerenciais – UNIJUÍ e aluna do MBA – Finanças e Mercados de Capitais – UNIJUÍ e ADM – Administração UNIJUÍ.

Texto originalmente publicado em:
CEEMA Unijui
Autor: CEEMA Unijui

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