Comentários referentes ao período entre 03/08/2018 a 09/08/2018

Autores:  Dr. Argemiro Luís Brum e Jaciele Moreira, CEEMA UNIJUÍ

As cotações do milho em Chicago ficaram estáveis na semana, com leve elevação em relação a semana anterior. O bushel para o primeiro mês cotado registrou US$ 3,69, no fechamento da quinta-feira (09/08), véspera do anúncio do relatório de oferta e demanda do USDA, contra US$ 3,66 uma semana antes.

Mesmo com a guerra comercial entre China e EUA atrapalhando um pouco o mercado do milho, o problema central neste momento é o clima e o relatório de oferta e demanda a ser anunciado no dia 10/08.

Em termos de clima norte-americano, para o milho o momento mais sensível teria passado e já não haveria tantos problemas sobre as lavouras do cereal caso venha a ocorrer falta de chuvas. Dito isso, o clima é regular, não havendo grandes problemas climáticos em geral nos EUA neste verão, apesar de algumas especulações em torno do tema. Todavia, a forte seca e calor na Europa, atingindo países como Ucrânica e Rússia, está provando quebras importantes no milho e trigo locais. Neste sentido, o trigo poderá, logo mais, romper o teto dos US$ 6,00/bushel, puxando consigo o milho.

Já as exportações semanais dos EUA, em milho, se mantêm em bom ritmo, atingindo a 986.100 toneladas na semana anterior, e 1,2 milhão de toneladas na semana que passou. Pelo lado das expectativas de produção, o mercado espera uma produtividade média entre 10.987 e 11.176 quilos/hectare (183 a 186 sacos/ha), em nítido aumento sobre as projeções anteriores. Para a soja, o mercado indica 3.463 quilos/hectare, ou seja, 57,7 sacos/ha de média nacional.

O relatório deste dia 10/08 apontará as projeções oficiais de produtividade, assim como o volume final da produção e os estoques finais, tanto dos EUA quanto do mundo (comentaremos largamente o referido relatório em nosso próximo boletim).

Por sua vez, até o dia 05/08, as condições das lavouras estadunidenses de milho atingiam a 71% entre boas a excelentes, com perda de um ponto percentual em relação à semana anterior.


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Neste contexto, a realidade norte-americana é baixista para as cotações do milho. Entretanto, os graves problemas climáticos na Europa estão provocando altas importantes de preços na região, tanto para o trigo quanto para o milho, fato que sustenta Chicago. Neste sentido, a Europa projetava importar 16 milhões de toneladas de milho para 2018/19, e já está recalculando este volume para algo entre 19 e 20 milhões de toneladas.

Enfim, o mercado esperava que o relatório de oferta e demanda do USDA indicasse uma produção estadunidense de milho, para 2018/19, em 366,3 milhões de toneladas, com estoques finais chegando a 41,4 milhões de toneladas. Na Argentina, a tonelada FOB fechou a semana em US$ 174,00, enquanto no Paraguai a mesma ficou em US$ 134,00.

Já no Brasil, o mercado se manteve firme, com o saco de milho no balcão gaúcho fechando a semana na média de R$ 34,94. Já os lotes oscilaram entre R$ 42,00 e R$ 43,00/saco. Nas demais praças nacionais os lotes giraram entre um mínimo de R$ 21,50/saco em Campo Novo do Parecis (MT) e um máximo de R$ 41,50/saco em Videira e Chapecó (SC).

Tomando-se o mercado paulista como referência, os operadores consideram que a ausência dos produtores pelo lado da venda do cereal não deixa os preços do milho baixarem. E a estratégia destes produtores parece não mudar tão cedo. A crise de oferta na Europa tende a elevar a demanda pelo milho brasileiro neste restante de ano, e mesmo no primeiro semestre de 2019, auxiliando no empuxe às exportações nacionais do cereal.

Neste contexto, os consumidores do Sudeste brasileiro, em particular, continuam encontrando dificuldades para se abastecerem de milho. Assim, o referencial Campinas chegou a R$ 44,00/saco CIF. Por sua vez, no mercado livre de balcão, a ideia é de que os preços alcancem os R$ 40,00/saco para venda em São Paulo (cf. Safras & Mercado).

O quadro ganha apoio na expectativa de um plantio de verão sem aumento de área devido aos preços interessantes da soja. Assim, a semana chegou ao fim com os produtores em geral segurando o produto disponível, enquanto os consumidores encontram dificuldades de abastecimento em muitas regiões, e os preços no porto melhorando, o que estimula a exportação. Neste último caso, as tradings registraram atuação mais forte nesta semana no Mato Grosso e em Goiás.

Vale ainda destacar que a comercialização da safrinha, no Centro-Sul brasileiro, chegou a 50,5% no início de agosto, contra 40,6% comercializado no mesmo período do ano passado. Já a colheita da mesma, até o dia 03/08, atingia a 67% da área esperada, contra 64% no ano passado nesta época (cf. Safras & Mercado).

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Fonte: Informativo CEEMA UNJUI, do prof. Dr. Argemiro Luís Brum (1) e de Jaciele Moreira (2).

1 – Professor do DACEC/UNIJUI, doutor em economia internacional pela EHESS de Paris-França, coordenador, pesquisador e analista de mercado da CEEMA.
2-  Analista do Laboratório de Economia da UNIJUI, bacharel em economia pela UNIJUÍ, Tecnóloga em Processos Gerenciais – UNIJUÍ e aluna do MBA – Finanças e Mercados de Capitais – UNIJUÍ e ADM – Administração UNIJUÍ.

Texto originalmente publicado em:
CEEMA Unijui
Autor: CEEMA Unijui

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