Comentários referentes ao período entre 03/08/2018 a 09/08/2018

Autores:  Dr. Argemiro Luís Brum e Jaciele Moreira, CEEMA UNIJUÍ

As cotações do trigo continuam disparando em Chicago e se aproximam do teto dos US$ 6,00/bushel. O fechamento desta quinta-feira (09/08) ficou em US$ 5,64/bushel, para o primeiro mês cotado, contra US$ 5,60 uma semana antes e US$ 5,74 no dia 06/08.

O atual nível de preços em Chicago não era visto nesta Bolsa desde meados de julho de 2015, ou seja, há mais de três anos. Tal movimento altista se dá em função de graves problemas nas safras da Europa, incluindo Ucrânia e Rússia, assim como na Austrália e parte dos EUA.

Com isso, o mercado trabalhou na expectativa do relatório de oferta e demanda do USDA, a ser anunciado no dia 10/08, o qual, em sua sessão mundial, deverá trazer novos números sobre produção e estoques finais globais, já incorporando os efeitos das perdas em geral.

Paralelamente, as vendas líquidas estadunidenses de trigo chegaram a 382.500 toneladas na semana encerrada em 26/07, ficando 21% acima da média das quatro semanas anteriores.

No Mercosul, a tonelada FOB para exportação oscilou entre US$ 235,00 e US$ 255,00 na compra, enquanto o produto da safra nova subiu para US$ 225,00/tonelada na compra. Já no Brasil, os preços se mantiveram estáveis, porém, elevados, com o balcão gaúcho fechando a semana na média de R$ 41,07/saco, enquanto os lotes permaneceram em R$ 54,00/saco.


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No Paraná, o balcão trabalhou com valores entre R$ 49,00 e R$50,00/saco, enquanto os lotes se mantiveram entre R$ 60,00 e R$ 63,00/saco. Por sua vez, em Santa Catarina o balcão registrou valores entre R$ 42,00 e R$ 45,00/saco, enquanto os lotes, na região de Campos Novos, se mantiveram em R$ 57,00/saco.

A produção brasileira de trigo está ainda prevista em 6,3 milhões de toneladas para este ano, contra 4,3 milhões no frustrado ano passado. Todavia, é importante destacar que há problemas climáticos em algumas regiões do Paraná (falta de chuvas) e no Rio Grande do Sul (excesso de umidade e falta de sol).

As importações de trigo pelo Brasil, em 2018/19, estão projetadas em 6,45 milhões de toneladas (cf. Safras & Mercado). De fato, no que diz respeito ao clima, o mês de julho não foi bom, especialmente no Rio Grande do Sul. Segundo a Emater gaúcha, houve muita chuva e baixas temperaturas, fato que prejudicou as lavouras. No Paraná também há registros de perda de produtividade no norte do Estado.

Por outro lado, outra massa polar entrou no Rio Grande do Sul nesta quinta-feira (09), trazendo possibilidades de fortes geadas e até mesmo neve em algumas regiões, podendo atingir igualmente Santa Catarina e o Paraná.

Em isso ocorrendo certamente haverá quebras importantes em algumas lavouras, fato que pode indicar uma reversão no quadro nacional de oferta do produto. Ou seja, podemos estar na iminência de uma nova frustração de safra de trigo, o que seria condição para a manutenção dos preços elevados.

Dito isso, por enquanto não há estatísticas suficientes que comprovem a quebra de safra, embora a qualidade possa ficar comprometida em muitas regiões. Assim, no momento, o mercado espera que os preços recuem fortemente quando começar a colheita, a partir de setembro no Paraná.

A tonelada de trigo superior está sendo indicada em apenas R$ 780,00 a R$ 800,00 para aquele Estado quando da colheita, o que equivale a valores entre R$ 46,80 e R$ 48,00/saco, contra mais de R$ 60,00 atualmente nos lotes locais. Haverá igualmente pressão do trigo procedente do Paraguai, onde se espera maior produção do cereal neste ano.

Portanto, a partir de agora, a questão climática no Brasil passa a ser fundamental para dar direcionamento ao mercado do trigo nacional nos próximos meses.

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Fonte: Informativo CEEMA UNJUI, do prof. Dr. Argemiro Luís Brum (1) e de Jaciele Moreira (2).

1 – Professor do DACEC/UNIJUI, doutor em economia internacional pela EHESS de Paris-França, coordenador, pesquisador e analista de mercado da CEEMA.
2-  Analista do Laboratório de Economia da UNIJUI, bacharel em economia pela UNIJUÍ, Tecnóloga em Processos Gerenciais – UNIJUÍ e aluna do MBA – Finanças e Mercados de Capitais – UNIJUÍ e ADM – Administração UNIJUÍ.

Texto originalmente publicado em:
CEEMA Unijui
Autor: CEEMA Unijui

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