Aplicação de doses de Tiodicarbe para controle de lagarta Falsa-medideira, Chrysodeixis includens em soja não Bt

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O objetivo deste trabalho foi avaliar a eficácia da aplicação de diferentes doses de tiodicarbe, um inseticida do grupo químico dos carbamatos, sobre C. includens em soja sem a tecnologia Bt.

Autores: GUARNIERI, C.C.O.1; KAJIHARA, L.H.1; PAES JUNIOR, R.1; SILVA, T.R.1; SOUZA, G.B.C.1

Trabalho publicado nos Anais do evento e divulgado com a autorização dos autores.

Introdução

A soja é uma cultura que sofre ataque de diversas pragas, que no geral são divididas em mastigadoras e sugadoras. Dentre as mastigadoras a maioria é alguma espécie de lagarta.

Uma delas é a lagarta-falsa-medideira, Chrysodeixis includens, que se alimenta principalmente de folhas, destruindo o limbo foliar deixando apenas as nervuras (GAZZONI et al., 1988; ZUCCHI et al., 1993). Com isso, o ataque intenso dessa praga diminui a capacidade fotossintética da planta, já que afeta a superfície útil das folhas.

Existem diversas formas de controle dessa praga, como o uso de cultivares com tecnologia Bt, ou o monitoramento da população e a aplicação de inseticidas. Com o uso intenso de inseticidas do grupo químico das diamidas, a eficácia sobre C. includens dessas moléculas diminuiu muito nas últimas safras. Com isso se faz necessário o uso de diferentes grupos químicos para se ter um controle satisfatório da mesma.

O objetivo deste trabalho foi avaliar a eficácia da aplicação de diferentes doses de tiodicarbe, um inseticida do grupo químico dos carbamatos, sobre C. includens em soja sem a tecnologia Bt.

Material e Métodos

O experimento foi conduzido de 23 a 31 de janeiro de 2017, em soja naturalmente infestada por C. includens na Estação Experimental da Rotam, em Arthur Nogueira, SP. A cultivar utilizada foi a P97R21 RR, semeada no espaçamento de 0,5 m entre linhas com 12 plantas por metro na linha. Foram feitos todos os tratos culturais de acordo com o padrão local.

O delineamento estatístico experimental utilizado foi o de blocos casualizados, com seis tratamentos e quatro repetições. Cada parcela foi constituída de 6 linhas de 5 metros de comprimento, ou seja 15 m², onde utilizou-se as 4 linhas centrais para avaliação através de 2 amostragens por parcelas com pano-de–batida. Em cada ponto amostral foi avaliado o número de lagartas vivas.

Após a avaliação prévia, foi feita a aplicação dos tratamentos com pulverizador costa pressurizado com CO2, barra de aplicação de 3 metros com 6 bicos espaçados entre si por 0,5 Foi utilizado o volume de aplicação de 200 l/ha, com pontas do tipo leque XR Teejet 11002.No dia da aplicação a soja se encontrava na fase R 5.1.

Os tratamentos aplicados com as doses de produtos comerciais (p.c./ha) e ingredientes ativos (i.a./ha) encontram-se na Tabela 1, sendo que na testemunha foi aplicado somente água.

Tabela 1. Tratamentos e doses de inseticidas aplicados em soja para controle de C. includens. Arthur Nogueira, SP, janeiro de 2017.

Avaliou-se o número de lagartas vivas por pano-de-batida (média de 2 panos por parcela) aos 1, 3 e 8 dias após a aplicação (DAA).

Os dados gerados nas avaliações foram submetidos à análise de variância e a comparação das médias foi realizada pelo teste Scott-Knott (p<0,05).

A eficácia dos tratamentos foi calculada pela fórmula de HENDERSON & TILTON (1955) sobre os dados originais sem nenhuma transformação, levando em consideração os dados da pré-avaliação e os das três respectivas avaliações efetivas realizadas após a aplicação dos produtos.

Resultados e Discussão

De acordo com os dados descritos na Tabela 2, na avaliação prévia o número médio de lagartas por pano-de-batida não diferiu estatisticamente entre os tratamentos, caracterizando assim uma área com população homogênea de lagartas. Por se tratar de uma lagarta de difícil controle, tolerante a inseticidas, os resultados de eficácia ficaram abaixo de 70 % (Tabela 3).

Tabela 2. Número médio de lagartas vivas de C.includens por pano de batida em soja submetida a aplicação de inseticidas, prévia, 1, 3 e 8 DAA. Arthur Nogueira, SP, janeiro de 2017.

Tabela 3. Eficácia de controle (% E) de inseticidas aplicados em soja aos 1, 3 e 8 DAA. Arthur Nogueira, SP, janeiro de 2017.

Na primeira avaliação após a aplicação dos inseticidas (1 DAA), o número médio de lagar tas não diferiu estatisticamente da testemunha, e a eficácia dos inseticidas, ainda estava abaixo de 50 %.

Aos 3 DAA, todos os inseticidas diferiram da testemunha apresentando número médio de lagartas por pano-de-batida inferior à mesma. Os tratamentos com Predom nas doses de 400 e 500 g/ha apresentaram eficácia de 55 e 56 % respectivamente, sendo os melhores tratamentos nessa avaliação.

Todos os inseticidas diferiram da testemunha quanto o número médio de lagartas por pano-de-batida aos 8 DAA, sendo que Predom na dose de 500 g/ha atingiu eficácia próxima de 70%, melhor resultado entre todos os tratamentos.

Conclusão

A dose de 500 g/ha de Predom 800 WG (tiodicarbe) foi a mais eficaz no controle de C. includens em soja não Bt quando aplicado na fase R 5.1 da cultura, 8 dias após o tratamento.

Referências

GAZZONI, D.; OLIVEIRA, E. B. de; CORSO, C.; FERREIRA, B. S. C.; VILLAS BOAS, G. L.; MOSCARDI, F.; PANIZZI, A. R. Manejo de pragas da soja. Londrina: EMBRAPA-CNPSo, 44 p. (EMBRAPA-CNPSo. Circular Técnica, 5).

HENDERSON, C. F.; TILTON, E. W. Test with acaricides against the brown wheat mite. Journal of Economic Entomology, v. 43, n. 2, p. 157-161, 1952.

ZUCCHI, R. A.; SILVEIRA NETO, S.; NAKANO, Guia de identificação de pragas agrícolas. Piracicaba: FEALQ, 1993. 139 p.

Informações dos autores:

1Rotam do Brasil, Rua Siqueira Campos, 125, Distrito de Souzas, CEP 13106-006, Campinas-SP.

Disponível em: Anais da XXXVI Reunião de Pesquisa de Soja. LONDRINA – SC, Brasil.

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