O trabalho teve como objetivo avaliar a aplicação de paraquat na pré-colheita de soja visando à antecipação da colheita mecanizada da soja

Autores: Lorraynne Thaynara Silva dos Santos (1); Vandoir Holtz(2); Mateus Prolo Massola(3); Gladston Castro Santana(4); Monika Thaís Schiehl(4); Fernando Costa Nunes(4)

RESUMO

A antecipação da colheita da soja é possível com uso da prática de dessecação pré-colheita, a qual reduz o tempo de permanência dos grãos no campo, após a maturidade fisiológica. O objetivo desse trabalho foi avaliar a aplicação de paraquat na pré-colheita da soja por meio da aceleração do processo de maturação e secagem com aplicações realizadas a partir do estádio R7. O trabalho constou de duas etapas: um experimento em campo, conduzido no município de Nova Xavantina, safra 2015/2016, e uma análise da qualidade fisiológica das sementes. Foi avaliada a produtividade de grãos, tempo de colheita. A análise da qualidade das sementes foi conduzida no Laboratório de Produção e Tecnologia de Sementes da UNEMAT. O delineamento experimental utilizado foi em blocos casualizados com diferentes tipos de tratamentos e a testemunha (sem o tratamento) com quatro repetições, com sete e oito épocas de aplicações de Paraguat. As dessecações foram realizadas com uma bomba elétrica, com um volume de ha-1. A dessecação com o herbicida paraquat em todas as três cultivares antecipou a colheita em ate 20 dias, onde a dessecação com o herbicida paraquat realizada a partir do R7 não influenciou no peso de mil sementes, tão pouco na produtividade da cultura final.

Termos de indexação: Glycine Max, dessecação, antecipação de colheita.

INTRODUÇÃO

A técnica de dessecação visa promover artificialmente a rápida secagem das partes verdes das plantas e os herbicidas dessecantes mais empregados para essa finalidade são os inibidores do fotossistema I, como o paraquat e diquat, que provocam injúrias nas membranas das células das plantas permitindo a rápida perda de água (Souza, 2009). Para Bülow & Cruz-Silva (2012), a realização da dessecação ocorre quando uma grande parte dos grãos apresentam-se maduros, o que possibilita menor tempo para a secagem das plantas e maior uniformidade de maturação na área, facilitando a colheita, com níveis menores de impurezas, além da redução de perdas e custos de secagem.


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Segundo Souza (2009), a aplicação de dessecante na pré-colheita proporciona maior uniformidade na maturação das lavouras para a colheita mecanizada. Além disso, favorece ao cultivo de milho safrinha em sucessão de soja, que é uma alternativa que vem ganhando espaço no meio agrícola (Silva-Neto, 2011).

De acordo com o pesquisador Sebastião Pedro da Silva Neto, coordenador do Programa Soja-Milho da Embrapa Cerrado, a escolha de cultivares de soja de ciclo curto, como uma estratégia de antecipação do plantio da safrinha, tem sido uma das principais razões do sucesso do cultivo nos últimos anos (Embrapa, 2008). Com a antecipação da colheita de soja, possibilitando a semeadura do milho dentro da época ideal, minimizam-se alguns efeitos de estresse causado pelas estiagens típicas nas regiões do estado de Mato Grosso a partir do mês de março.

Desta forma, este trabalho teve como objetivo avaliar a aplicação de paraquat na pré-colheita de soja visando à antecipação da colheita mecanizada da soja.

MATERIAL E MÉTODOS

O experimento foi conduzido na área experimental da UNEMAT – Campus de Nova Xavantina, no município de Nova Xavantina-MT, com altitude de 300m, em Latossolo Amarelo Distrófico. Neste estudo foram avaliadas três cultivares de soja Intacta®, a NS 6906 IPRO com o ciclo de 96 a 98 dias, a NS 7000 IPRO com o ciclo de 100 a 105 dias e a NS 7300 IPRO com o ciclo de 105 a 110 dias. Todas essas cultivares possuem tolerância contra as principais lagartas que atacam a cultura da soja, Anticarsia gemmatalis,Chrysodeixes includens, Epinotia aporema, e Heliothis virescens e supressão às lagartas do tipo elasmo e do gênero Helicoverpa (Abrasem, 2017).

Para este estudo foram montados três experimentos, uma para cada cultivar, montados no delineamento de blocos casualizados, com quatro blocos. Cada bloco foi composto por 10 parcelas constituídas por linhas de cultivo de 5 m de comprimento e 2,5 m de largura.

Para acelerar o processo de maturação da soja foi aplicado o herbicida paraquat, na dose de 2,0 L ha-1, utilizando um pulverizador costal elétrico e barra de aplicação munida de cinco bicos espaçados em 0,5 m, com a ponta de pulverização do tipo leque, modelo JFS 110015, marca Jacto e volume de aplicação de 80 L por ha-1. As aplicações foram realizadas a partir de 21 de fevereiro de 2016, fixando-se o intervalo de três dias para as seguintes, conforme Tabela 1.

Tabela 1 – Descrição de tratamentos experimentais, dias após a emergência para as cultivares NS IPRO 6906, NS IPRO 7000 e NS 7300

Para avaliar a antecipação da colheita, foi feita a contagem dos dias, da emergência até o dia de colheita, para cada tratamento e testemunha. Para avaliar a produtividade, foram retiradas três linhas centrais e deixada uma bordadura de 0,5m em cada parcela, todas foram pesadas para se obter a produtividade de cada cultivar. O Peso de Mil Sementes (PMS) foi obtido com a média do peso de oito repetições de 100 sementes puras.

Os dados foram submetidos à análise de variância aplicando-se o teste F, a 5% de probabilidade. Quando significativas, as médias foram comparadas pelo Teste Scott Knott. Para as análises estatísticas foi utilizado o programa computacional SISVAR 5.6.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

As três cultivares utilizadas neste experimento apresentam características diferenciadas quanto ao desenvolvimento e maturação. Foi possível constatar que as três cultivares responderam as aplicações de paraquat realizadas a partir de R7 com a antecipação da colheita proporcional ao ciclo da cultivar. Contudo, aplicação de paraquat não influenciou no peso de mil sementes, tampouco na produtividade. Este resultado concorda com Lacerda et al. (2001), que observaram que os herbicidas dessecantes aplicados nos estádios R6, antes da maturação fisiológica, também não reduziram a produtividade.

Sendo assim, é de extrema importância a realização deste tipo de estudo, uma vez que as diferentes cultivares podem responder de forma diferente as aplicações de dessecantes, ou mesmo, pode ocorrer sinergismo entre o produto e as condições ambientais. Isto não ocorreu entre as cultivares avaliadas neste trabalho, onde todas as cultivares completaram seu ciclo de acordo com suas características genéticas, influenciadas pelas aplicações (Tabela 2).

Tabela 2 – Médias para os dias até a colheita, nas cultivares NS IPRO 6906, NS IPRO 7000 e NS IPRO 7300 em função da aplicação de herbicida dessecante na pré-colheita da soja

Durigan e Carvalho (1980), por meio do uso de dessecantes, obtiveram antecipação de 21 dias, sem afetar as características de produção nem a vigor das sementes de soja. Neste trabalho a cultivar NS IPRO 7300, por meio do dessecante paraquat, apresentou uma antecipação 16 dias. Este resultado é extremamente importante para os produtores que utilizam as áreas de produção de soja para fazer a segunda safra, pois além do interesse em uniformizar a maturação, a dessecação da soja também é utilizada para deixar a área livre para as culturas de safrinha (Silva-Neto, 2011).

De acordo com Borges & Siede (2000), com a utilização da dessecação, a cultura subsequente poderá ser semeada no limpo, aproveitando melhor a umidade do solo, uma vez que seu desenvolvimento possivelmente acontecerá no período chuvoso, diminuindo o risco de estresse hídrico, tendo um melhor resultado na produtividade da safrinha. Segundo a Embrapa Soja (2011), se for necessário adotar a dessecação em pré- colheita é importante observar à época apropriada para realizá-la, uma vez que aplicações que ocorrerem antes de atingir o estágio reprodutivo R7 provocam perda no rendimento.

Além disso, a dessecação da soja com a finalidade de antecipar a colheita é uma alternativa empregada para minimizar a deterioração da qualidade de sementes (Inoue et al., 2003). Por ser realizada com a maioria das sementes maduras, promove a secagem rápida das plantas e o aumento da uniformidade de maturação, o que facilita a colheita com menor teor de impurezas e sementes de melhor qualidade. Sendo assim, é crucial a tomada de decisão de quando realizar a aplicação para uniformizar a maturação, pois uma aplicação precoce, em período em que nem todos os grãos completaram seu enchimento, pode acarretar perdas significativas na produtividade, bem como uma aplicação tardia pode ser antieconômica, uma vez que o produto não produzirá efeito na planta a partir do momento que sua área foliar não esteja realizando fotossíntese.

Na Tabela 3, verifica-se que o peso de mil sementes não foi influenciado em pela aplicação do dessecante paraquat na pré-colheita da soja, não diferenciando entre si. Peluzio et al. (2008), também verificaram que não existiu diferenças no peso de 1000 sementes (PMS) entre as épocas de dessecação da cultura da soja.

Tabela 3 – Média para o peso de 1000 grãos (PMS) para as cultivares NS 6906, NS 7000 e NS 7300 em função da aplicação de herbicida dessecante

Carvalho e Nakagawa (2000) confirmam que a maioria das pesquisas tem comprovado que as sementes grandes, por possuírem maior quantidade de substâncias de reserva, apresentam germinação superior à das pequenas, apresentam emergência elevada em maiores profundidades e as plantas delas provenientes são mais pesadas e mais vigorosas. De acordo com Costa et al. (1983), a maior quantidade de reserva aumenta a probabilidade de sucesso no estabelecimento da plântula, pois permite a sobrevivência por maior tempo em condições ambientais desfavoráveis.

Os resultados encontrados neste trabalho mostram que além de antecipar a colheita, a aplicação de paraquat a partir do R7, não interfere na produtividade final da cultura. Rodrigues et al. (2012), avaliando a produtividade de soja, também não encontraram diferenças significativas entre as épocas de aplicação e o herbicida aplicado, quando comparadas com a testemunha.

Esses resultados são semelhantes com os encontrados por Daltro et al. (2010), que constataram não haver diferenças entre o produto dessecante paraquat e épocas de aplicação na produtividade final da soja. Lacerda et al. (2001) também observaram que herbicidas dessecantes aplicados nos estádios em que já ocorreu a maturidade fisiológica das sementes não interferiram na produtividade da cultura da soja. Ainda de acordo com Lacerda et al. (2003), é possível antecipar a colheita sem alterar a produtividade, dependendo das condições climáticas da região.

CONCLUSÕES

A dessecação da soja no estádio R7, não altera o peso de mil sementes e a produtividade de grãos.
A aplicação de paraquat proporciona a antecipação da colheita mecanizada da soja para as três cultivares testadas, com destaque para a cultivar NS 7300 IPRO em que a aplicação possibilita a colheita antecipada em 20 dias quando comparada a testemunha.

REFERÊNCIAS

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Informações dos autores:  

(1) Graduando em Agronomia; Universidade do Estado de Mato Grosso; Nova Xavantina, Mato Grosso;

(2) Prof. Me. Engenheiro Agrícola, Universidade do Estado de Mato Grosso;

(3) Mestrando em Engenharia Agrícola, Universidade Estadual de Goiás;

(4) Graduando em Agronomia; Universidade do Estado de Mato Grosso.

Disponível em: Anais do XXX CONGRESSO BRASILEIRO DE AGRONOMIA, Fortaleza – CE, Brasil, 2017

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