Assim a pesquisa tem por objetivo determinar o efeito da aplicação foliar de N na FBN durante os estádios reprodutivos da cultura de soja.

Autores:  MÜLLER, M. A.1; STAMMLER, G.2; MAY DE MIO, L. L.1

 

Trabalho publicado nos Anais do evento e divulgado com a autorização dos autores.

A fixação biológica do nitrogênio (FBN) torna o cultivo de soja viável, tendo em vista o alto custo do fertilizante nitrogenado. Dados da literatura mostram que, em média, a FBN fornece entre 50 e 60% do nitrogênio (N) demandado pela cultura. No entanto, algumas informações científicas afirmam que a FBN pode suprir até 400 kg ha-1 de N (Hungria et al., 2001). Durante o desenvolvimento da soja, tem sido proposto que existem alguns picos de maior intensidade da FBN, provavelmente para suprir a elevada demanda de nutrientes que acontecem em algumas fases, como florescimento e enchimento de grãos.

Segundo Hardy e Havelk (1976), 90% do N são fixados durante os estádios reprodutivos da soja, no entanto nos estádios R3-4 pode ser observado o declínio da atividade da FBN. Possivelmente isto está relacionado ao declínio da fotossíntese nesta fase, além do acúmulo de N assimilado e armazenado nos tecidos da haste principal de suas ramificações oriundo da alta FBN durante os estádios R1-2 (Camara, 2014). No entanto, esses dados são baseados apenas em avaliações de massa e número de nódulos, o que nem sempre representam a eficiência da fixação de N, sendo assim considerada uma medida indireta. Desta forma, se faz necessário o desenvolvimento de pesquisas que buscam estabelecer medidas diretas de determinação da FBN.



O conhecimento desse processo poderá nortear o posicionamento de produtos como nitrogênio foliar e aminoácidos, a fim de aproveitar e impulsionar o potencial da FBN. Essa utilização se deve ao efeito do N na sinalização de genes responsáveis por várias respostas tais como estímulo do metabolismo do N, síntese e ativação de citocinina, formação de RuBisCO, entre outros. Assim a pesquisa tem por objetivo determinar o efeito da aplicação foliar de N na FBN durante os estádios reprodutivos da cultura de soja.

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O experimento foi conduzido no campo experimental da Cooperativa Agropecuária do Alto Paranaíba (COOPADAP), localizado próximo no município de Rio Paranaíba, entre outubro de 2017 e fevereiro de 2018. Foi utilizada a variedade cultivada TEC 7849 IPRO (grupo de maturação 7.0). A semeadura foi realizada mecanicamente com espaçamento de 0,60 m entre linhas mantendo a densidade populacional de 350.000 plantas ha-1. Como adubação de semeadura foi utilizado 400 kg ha-1 do formulado 02.30.10. Antes da semeadura, as sementes foram tratadas com Co-Mo® Platinum (1,5 mL kg-1 de sementes), inoculante Turfa SYS LL-Novozymes (4 g kg-1 de sementes, Nitragin 200 Power (3,3 mL kg-1 de sementes) e Standak® Top (2 mL kg-1 de sementes) via tratamento industrial.Só sexta, sábado e domingo: matriculou em 01 curso ganha 01 agenda. Matriculo-se em dois ou mais, ganha a agenda e o Mousepad com infos de adubação. Mas ATENÇÂO: é só até domingo. Clique e confira.

As aplicações foliares foram realizadas com pulverizador costal propelido a CO2 com pressão de 2 bar com o volume de calda de 200 L ha-1. Cada parcela experimental foi composta por cinco linhas com espaçadas a 0,6 m entre linhas com oito metros de comprimento totalizando uma área 24 m2. O delineamento experimental adotado foi blocos casualizados com cinco tratamentos e seis repetições (Tabela 1). As avaliações foram realizadas aos 7 dias após a aplicação de cada tratamento.

Tabela 1. Descrição dos tratamentos utilizados no ensaio denominado “Aplicação foliar de nitrogênio no estádio reprodutivo aumenta a FBN na cultura da soja”. Patos de Minas-MG, 2018.

Para a quantificação de formas de nitrogênio foram utilizadas apenas as hastes e pecíolos, na qual foram retiradas todas as folhas logo após o momento da coleta. Esse material foi colocado em estufa de circulação forçada de ar em 65°C, durante período de 72 horas. Para a determinação de nitrato (N-NO3), aminoácidos totais (NAminoácidos) e ureídeos, 200 mg de material vegetal moído, foi transferido para tubos Falcon e adicionados 10 mL de água destilada. Após esse procedimento foi incubado a 45 °C durante uma hora e posteriormente centrifugado em rotação de 10.000 rpm durante 15 minutos, ao final o sobrenadante foi separado e armazenado em local refrigerado para posterior avaliação da quantificação de nitrato (N-NO3), onde foi adotado o método proposto por Cataldo et al. (1975) a fim de estimar a abundância relativa de ureídeos (Rur) e o nitrogênio derivado da atmosfera (Ndfa), de acordo com equações propostas por Herridge e Peoples (1990) e ao final do ciclo produtividade, onde foram colhidas as três linhas centrais com 5 m de comprimento. No momento da colheita foi determinado o teor de água dos grãos e efetuado o cálculo da produtividade (produção por unidade de área) com o teor de água foi corrigido para 13%. Os dados obtidos foram submetidos a análise de variância e posteriormente comparados pelo teste de Tukey a nível de 5% de significância.

Cerca de 90% do N total presente na seiva do xilema da soja é transportado na forma de ureideos em direção à parte aérea da planta, onde passa a participar do metabolismo nitrogenado da soja (HUNGRIA, 2001), demostrando a necessidade de quantificá-los. Na avaliação realizada em R3 (Tabela 2) não houve diferença estatística entre a aplicação foliar de N em relação ao controle. No entanto, na avaliação em R4 a aplicação de N em R3 sobressai em relação aos demais, possivelmente por ser a fase na qual ocorre um declínio da fotossíntese. Assim a soja diminui a taxa de fixação de CO2, o que diminui o aporte de carboidratos até as raízes e nódulo, reduzindo a eficiência da FBN (Camara, 2014). O reflexo positivo das aplicações foliares podem ser constatadas na avaliação em R6 onde os tratamentos R5.5, R4, R3, R2 incrementam ureideos 13,17%, 12,43%,12,7%, 9,51% respectivamente quando comparados ao controle.

Tabela 2. Abundância relativa de ureideos (Rur, %) em soja submetida a aplicação foliar de N no estádio reprodutivo. Patos de Minas-MG, 2018.

O mesmo comportamento da avaliação de ureideos pode ser constado na avaliação de FBN aumentando a sua atividade ao logo do desenvolvimento da cultura. Na primeira avaliação (Tabela 3) também não foi notado efeito da aplicação, entretanto, o efeito é verificado na avaliação em R4 onde a aplicação foliar de N em R3 proporcionou um incremento de 20,18%, em relação ao R4, todavia não difere do controle e R2. A atividade da FBN em R5.5 foi incrementada pela aplicação em R5.5, R4, R3, R2 os efeitos mais expressivos R5.5, R4, R3 de 10,68%, 10,12% e 9,78% quando equiparado ao controle.


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Tabela 3. N derivado da fixação biológica do N atmosférico (Ndfa, %) em soja submetida a aplicação foliar de N no estádio reprodutivo. Patos de Minas-MG, 2018.

Tem sido relatado na literatura que a aplicação de dose entre 5 e 10 kg ha-1 de N, não proporcionaram incremento na produtividade de soja (Camara, 2014). No entanto, as doses utilizadas no presente trabalho foram inferiores e causaram incremento médio de 300 kg ha-1 na produtividade (Tabela 4), apesar da média geral dos tratamentos serem altas devido aos fatores ambientais favoráveis e da plasticidade da cultivar. Esse efeito provavelmente se deve ao fato da aplicação foliar de N não funcionar como suplementação nutricional, mais sim como sinalização, que pode induzir ao aumento de processos fisiológicos como a fixação biológica. Contudo, os resultados obtidos no experimento podem ser inerentes às características genéticas da cultivar utilizado, sendo necessários estudos para outras cultivares.

Tabela 4. Produtividade (kg ha-1) em soja submetida à aplicação foliar de N no estádio reprodutivo. Patos de Minas-MG, 2018.

Referências

CÂMARA, G.M.S. Fixação biológica de nitrogênio em soja. Informações Agronômicas, Piracicaba, v. 147, p. 1-9, 2014.

CATALDO, D.A.; HAROON, M.; SCHRADER, L.E.; YOUNGS, V.L. Rapid colorimetric determination of nitrate in plant tissue by nitration of salicylic acid. Communications in Soil Science and Plant Analysis, v.6, p.71-80, 1975.

HARDY, R.W.F.; HAVELKA, U.D. Photosynthate as a major fator limiting nitrogen fixation by field-grown legumes with emphasis on soybeans. In: NUTMAN, P.S. (Ed.). Symbiotic nitrogen fixation in plants. Cambridge: Cambridge University, 1976. P. 21-349.

HERRIDGE, D.F.; PEOPLES, M.B. The ureide assay for measuring nitrogen fixation by nodulated soybean calibrated by 15N methods. Plant Physiology, v.93, p.495-503, 1990.

HUNGRIA, M.; CAMPO, R.J.; MENDES, I.C. Fixação biológica do nitrogênio na cultura da soja. Londrina:Embrapa Soja, 2001.48p. (Embrapa Soja Circulartécnica13)

YEMM, E. W.; COCKING, E. C. 1955. The determination of amino acids with ninhydrin. The Analyst, v.80, p.209-213, 1955.

YOUNG, E. G.; CONWAY, C. F. On the estimation of allantoin by the Rimini-Schryver reaction. Journal of Biological Chemistry, Bethesda, v. 142, n. 4, p. 839-853, 1942.

Informações dos autores:  

1Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (Esalq/USP), Piracicaba, SP.

2Centro Universitário de Patos de Minas – UNIPAM, Patos de Minas, MG.

Disponível em: Anais do VIII Congresso Brasileiro de Soja. Goiânia – GO, Brasil.

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