Após meio século, mercado de tratores tem novo líder no Brasil

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Depois de meio século, o ano de 2017 assistiu a Massey Ferguson não ser a marca que mais produziu tratores no Brasil, sendo superada pela John Deere e pela New Holland. A John Deere assumiu a primeira posição do ranking: da linha de produção em Montenegro, no Rio Grande do Sul, saíram 10.945 tratores. A New Holland, fechou o ano com 9.706 unidades, contra 9.628 da concorrente Massey.

Após perder a liderança no ranking, a AGCO – que reúne as marcas Massey Ferguson, Valtra, Challenger, Fendt e GSI – anunciou um novo presidente para a América Latina: Luís Fernando Felli. No entanto, a troca de posições no ranking da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) já era esperada. A Massey Ferguson, que chegou a produzir 23.577 tratores no país em 2010, fechou 2017 com menos de metade desse número. A escalada da John Deere se justifica pelo aumento no número de concessionárias, atualmente são 270 e pelo diferencial tecnológico.

Histórico

Veja dois gráfico baseados nos informativos divulgados pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) em relação a evolução da venda de tratores de rodas e colheitadeiras de grãos no Brasil.

 

Biometano: o combustível do futuro

Dentro de alguns anos, um  fator que irá fazer a diferença é o uso da chamada “clean energy” que consiste no uso de combustíveis alternativos e mais baratos. A CNH Industrial – fabricante brasileira responsável pela marcas Case e New Holland –  já está apostando no desenvolvimento de tratores movidos a biometano.

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A New Holland estima que o potencial de produção de biometano no Brasil, apenas com resíduos do setor canavieiro, é de 56 milhões de m3 por dia – o que supriria 50% da demanda de diesel de toda as operações realizadas para dentro da porteira das propriedades rurais. Esse modelo de trator conceitual deve chegar ao mercado, em escala comercial, num prazo de três anos.

O biometano pode ser produzido a partir de restos de colheitas e resíduos de culturas energéticas de origem agrícola, o que resulta em emissões de CO2 próximas a zero. Porém, as fazendas precisam de espaço para abrigar um biodigestor para produzir o gás. Esse biodigestor é alimentado com culturas energéticas especificamente produzidas, resíduos animais alimentares ou de culturas, pode-se utilizar o lixo coletado de fábricas de alimentos, supermercados e restaurantes, além dos materiais reunidos na fazenda.

Esse biogás produzido no biodigestor é transferido para uma estação de refinamento, onde é transformado em metano de grau combustível para acionar os veículos e as máquinas da fazenda. O metano também pode ser usado para alimentar um gerador para produzir eletricidade, que pode ser usada na fazenda, além de ser uma fonte elétrica extra para abastecer comunidades locais. Os subprodutos da biodigestão podem ser usados como fertilizantes naturais nos campos da fazenda.

Segundo a EPE (Empresa de Pesquisa Energética), o potencial energético das biomassas (matéria orgânica usada como fonte de energia) no Brasil chega a cerca de 460 milhões de TEP (Tonelada Equivalente de Petróleo) em 2050. Já a Abiogás (Associação Brasileira de Biogás e Biometano) considera que o potencial nacional é de cerca de 20 bilhões de metros cúbicos ao ano nos setores sucroalcooleiro e na produção de alimentos.

Máquinas autônomas

O Brasil é um dos maiores exportadores de produtos agropecuários em todo o mundo e por muito tempo o país dispôs de uma extensa área agriculturável, baseando-se neste fator para elevar a produtividade.

Contudo, ampliar a produtividade sem tecnologia nos dias atuais é praticamente impossível. Nesse sentido, o país ainda tem um caminho a percorrer em relação a esse incremento da produção com o auxílio da tecnologia de ponta, onde se incluem as máquinas autônomas em todas suas vertentes.

As máquinas autônomas não se resumem somente à tratores e colheitadeiras agrícolas que farão tudo sozinhas. Correia conceitua máquina agrícola como sendo todo mecanismo motor que presta serviço agropecuário. Ele opina: “Com o avançar da tecnologia, tais atividades repetitivas de produção rural serão substituídas por máquinas no futuro, que inclusive poderão ser máquinas autônomas”.

Neste contexto, Correia sugere duas inovações ligadas à autonomia que começam a serem utilizadas com bastante eficácia:
– Casas de vegetação abastecidas por máquinas computadorizadas que gerenciam as adversidades bióticas e abióticas automaticamente, com abertura e fechamento de telas e, controle de luminosidade e umidade.
– Drones com navegação programada para monitoramento de pragas e anomalias e, em alguns casos, controle das incidências na lavoura.

Este processo de automação das máquinas agrícolas cresce no mundo todo. No entanto, o arquiteto de soluções de agronegócio da Logicalis, Frederico Correia, ressalta que o setor agropecuário do Brasil ainda é um pouco tímido em relação a esse assunto, especialmente devido a alguns desafios internos que ainda precisam ser melhor resolvidos.

Em contrapartida, Correia percebe que o interesse do brasileiro é crescente: “O brasileiro vem acessando tecnologias de ponta graças ao intercâmbio científico das universidades e institutos científicos, juntamente com a presença das maiores multinacionais dentro do país”. Mas o arquiteto de soluções de agronegócio admite que ainda há muito espaço para crescer em estudos de inovação mecânica, e na adoção de tecnologias no campo dentro do país.

Redação: Bruna Eduarda Meinen Feil, Assessora de Comunicação Equipe Mais Soja.

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