Por: Mauricio Pasini e Eduardo Engel

A cultura da soja é alvo de um amplo espectro de pragas, dentre as principais ordens de insetos que tem a soja (Glycine max L. Merril) como hospedeira preferencial, está a ordem Coleoptera, esta ordem abriga os besouros, sendo a mais diversa em termos de espécies (BORROR; DELONG, 1988). Dentro da ordem coleóptera, a família Chrysomelidae tem destaque pela sua importância econômica tanto na fase de larva como adulto, a espécie de crisomelídeo mais conhecida no Brasil é a Diabrotica speciosa (Coleoptera: Chrysomelidae), contudo a ocorrência de diferentes espécies de besouros desta família para culturas como a soja, vem sendo relatada ao longo do tempo (HOFFMANN-CAMPO et al., 2000).



Estes insetos têm ocorrido em várias regiões do Brasil, tendo comportamento gregário (reboleira) e de difícil precisão na estimativa populacional quando é utilizado o pano-de-batida (CORRÊA-FERREIRA; CONTE, 2015), desta forma, falhas no seu controle através do uso de inseticidas tem ocorrido com frequência. O objetivo do trabalho foi identificar a ocorrência de Aulacophora lewisii (Baly,1886) na cultura da soja no município de Cruz Alta, RS.

O trabalho foi conduzido na Área Experimental da Universidade de Cruz Alta (UNICRUZ), clima de acordo com Koppen do tipo Cfa (KUINCHTNER; BURIOL, 2016).  Durante a safra de soja 2017/2018 foram feitos levantamentos populacionais de insetos-praga ocorrentes durante o desenvolvimento fenológico da cultura da soja através de amostragem visual até V4 e do uso de pano-de-batida até o final do ciclo da cultura. A lavoura foi conduzida de acordo com as recomendações técnicas da cultura da soja, exceto as aplicações de inseticidas, a variedade utilizada foi a Nidera 5909.

Verificou-se presença de crisomelídeos da espécie A. lewisii durante o início do desenvolvimento da cultura da soja, em alta densidade populacional, comprometendo grande parte da área foliar das plantas atacadas. A presença destes insetos se deu na forma de reboleira e muito próximas à bordadura da área de cultivo (Figura 1).

Figura 1. A direita Aulacophora lewisii na cultura da soja (variedade Nidera 5909). A esquerda, danos ocasionados na cultura pela sua presença.

A importância do conhecimento sobre a variabilidade espacial de insetos-praga relaciona-se a técnicas adotadas para controlar suas populações, a fim de mantê-las abaixo do nível de dano econômico (DINARDO-MIRANDA et al., 2007). Observou-se presença deste crisomelídeo somente até o estádio V4 da cultura, contudo maior população foi encontrada durante o estádio V2 da cultura (Figura 2).

Poucos trabalhos dão conta de elucidar o comportamento destes organismos, estudos realizados relatam presença deste inseto alimentando-se em cucurbitáceas (ABE; MATSUDA, 2005), contudo verificamos danos acentuados onde houve presença destes insetos nas plantas de soja, comprometendo boa parte da área foliar das plantas.

Este é o primeiro registro de Aulacophora lewisii na cultura da soja, especula-se que este inseto possa vir a tornar-se uma praga em potencial para esta cultura na Região Sul do Brasil, devendo ser realizado mais estudos para compreensão da real dimensão de são danos.

Sobre os Autores: 

Autor: Eduardo Engel – Laboratório de Entomologia da Universidade de Cruz Alta/ Grupo de Pesquisa em Fitotecnia – UNICRUZ.
Autor: Eng. Agr. Dr. Mauricio P. B. Pasini – Coordenador do Laboratório de Entomologia e da Área Experimental da Universidade de Cruz Alta/ Grupo de Pesquisa em Fitotecnia – UNICRUZ. Consultor e pesquisador na INTAGRO Pesquisa e Desenvolvimento.

O Grupo de Pesquisa em Fitotecnia liderado pelos Professores Dr. Mauricio P. B. Pasini e Msc. José Luiz Tragnago trabalha com temas como: bioclimatologia e ecofisiologia dos cultivos agrícolas, fitossanidade, irrigação e drenagem e manejo de cultivos agrícolas. Você pode conferir os trabalhos realizados clicando aqui.

Referências

ABE, M.; MATSUDA, K. Chemical factors influencing the feeding preference of three Aulacophora leaf beetle species (Coleoptera: Chrysomelidae). Appl. Entomol. Zool. 40 (1): 161–168, 2005.

BORROR, D.J.; DELONG, D.M. Introdução ao estudo dos insetos. São Paulo: Edgar Blucher Ltda, 653p. 1988.

CORRÊA-FERREIRA, B. S.; CONTE, O. Informativo da pesquisa – vaquinhas desfolhadoras da soja. Emater, 2015. Disponível em: http://www.emater.pr.gov.br/arquivos/File/Producao_Vegetal/PlanteSeuFuturo/2015_InformativoVaquinhas.pdf. Acesso em: 19/07/2018.

DINARDO-MIRANDA, L.L.; VASCONCELOS, A.C.M.; VIEIRA, S.R.; FRACASSO, J.V.; GREGO, C.R. uso da geoestatística na avaliação da distribuição espacial de Mahanarva fimbriolata em cana-de-açúcar. Bragantia, Campinas, v.66, n.3, p.449-455, 2007.

HOFFMANN-CAMPO et al. Pragas da soja no Brasil e seu manejo integrado. Circular técnica. Embrapa Soja, 2000, 70p.

KUINCHTNER, A.; BURIOL, G.A. Clima do Estado do Rio Grande do Sul segundo a classificação climática de Köppen e Thornthwaite. Disciplinarum Scientia|Naturais e Tecnológicas, v. 2, n. 1, p. 171-182, 2016.

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