Aumento da dose de Ciproconazol associado ao Mancozebe para o controle de Ferrugem-asiática da Soja

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O objetivo do estudo foi avaliar o controle e produtividade de programas de manejo com incremento de diferentes doses de ciproconazol, associadas ou não ao mancozebe, em diferentes números de aplicações

Autores: CANTERI, M.G.1; FANTIN, L.H.1; SILVA, A.L.1; MEDEIROS, F.C.L.de 2

Introdução

A ferrugem-asiática da soja, causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi Syd. & P. Syd, é a principal doença da cultura da soja no Brasil. Relatos indicam reduções de produtividade de até 90% (HARTMAN et al., 2015). Entre as estratégias de manejo da doença estão a semeadura precoce, monitoramento (MINCHIO et al., 2016), controle químico entre outros.

Reduções de sensibilidade do fungo aos fungicidas de ação sitio-específico, como triazóis, tem preocupado toda a cadeia produtora de soja no Brasil. A associação destes fungicidas com os fungicidas de ação multissítio pode ser uma ferramenta importante no manejo de resistência (AZEVEDO, 2015).

Assim, o objetivo do estudo foi avaliar o controle e produtividade de programas de manejo com incremento de diferentes doses de ciproconazol, associadas ou não ao mancozebe, em diferentes números de aplicações.


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Material e Métodos

O experimento foi conduzido na fazenda escola da Universidade Estadual de Londrina, PR, safra 2016/17. O delineamento experimental foi em blocos casualizados, com 16 tratamentos (Tabela 1) e quatro repetições. Cada parcela foi constituída por uma área de 18 m(3,0 m de largura x 6,0 m de comprimento), composta por 6 linhas de semeadura. A semeadura foi realizada no dia 06/12/2016 utilizando a cultivar DM6563 IPRO. O programa de aplicações foi composto por até três aplicações (A, B e C), com início no florescimento (R1) (22/01/2017) e em intervalos de 15 dias entre aplicações (Tabela 1). As aplicações foram realizadas com pulverizador costal pressurizado com CO2, bicos tipo leque duplo XR 110.02 e volume de aplicação igual a 150 L. ha-1.

A severidade da doença foi avaliada semanalmente a partir do início das aplicações, totalizando sete avaliações. Ao final do ciclo as duas linhas centrais das parcelas foram colhidas manualmente. Foram calculadas a área abaixo da curva de progresso da doença normalizada(AACPD*), eficiência de controle e produtividade em kg. ha-1, a 13% de umidade.

Os dados foram analisados através da análise de variância e as medias comparadas pelo teste de Scott-Knott a 5% de significância. Utilizou-se o programa estatístico SASMAGRI® (CANTERI et al., 2001).

Resultados e Discussão

Os primeiros sintomas da doença ocorreram no dia 29/01/2017, sete dias após a primeira aplicação (aplicação A). A severidade na testemunha em R7 foi de 100% (Figura 1).

Figura 1. Severidade de ferrugem-asiática avaliada na testemunha sem aplicação. Londrina/PR, safra 2016/17.

A testemunha apresentou a maior AACPD* e menor produtividade em relação aos tratamentos com aplicações, independente se em uma, duas ou três aplicações (Tabela 1). Nos tratamentos com apenas uma aplicação, considerando que a dose registrada para ciproconazol é 30 g.i.a.ha-1, o aumento das doses para 75, 150 e 225 g.i.a.ha-1 (T2, T3 e T4, respectivamente) apresentou menor severidade da doença para as duas doses superiores (p<0,05) (Tabela 1).

Tabela 1. Área abaixo da curva de progresso da doença normalizada (AACPD*), porcentagem de controle (%C) em relação a testemunha sem aplicação e produtividade para os diferentes tratamentos.

 

Porém, a produtividade para a menor dose (75 g.i.a.ha-1) foi significativamente superior às maiores doses. Não foi observado qualquer efeito fitotóxico que justificasse tal alteração de comportamento na produtividade. Considerando a dose de 75 g.i.a.ha-1, o tratamento com três aplicações (T10) apresentou menor AACPD* e maior produtividade em relações aos equivalentes com uma (T2) e duas aplicações (T6), com eficiência de controle de 49,5%, 64,1% e 72,8%, respectivamente. A adição de mancozebe (750 ou 1125 g.i.a. ha-1) (T13 e T16) alterou a curva de progresso da doença porém apresentou a mesma produtividade em relação ao tratamento equivalente T9, apenas com ciproconazol na mesma dose. Tratamentos com três aplicações e doses de 50 e 75 g.i.a. ha-1 de ciproconazol apresentaram menor AACPD* e maior produtividade.

Conclusão

O aumento nas doses de ciproconazol apresentou menor AACPD* e maior produtividade para os tratamentos com três aplicações, iniciando antes do aparecimento de sintomas em intervalos de 15 dias. A adição de mancozebe não apresentou resposta em controle da doença e produtividade.

Referências

AZEVEDO, L. A. S. Misturas de tanque de produtos fitossanitários: teoria e prática. Rio de Janeiro: IMOS Gráfica e Editora, 2015.230p.

CANTERI, M. G.; ALTHAUS, R. A.; VIRGENS FILHO, J. S.; GIGLIOTI, E. A.; GODOY, C. V. SASM-Agri – Sistema para análise e separação de médias em experimentos agrícolas pelos métodos Scott-Knott, Tukey e Duncan. Revista Brasileira de Agrocomputação, v. 1, p. 18-24, 2001.

HARTMAN, G. L.; SIKORA, E. J.; RUPE, J. C. Rust. In: HARTMAN, G. L.; RUPE, J. C.; SIKORA, E. J.; DOMIER, L. L.; DAVIS, J. A.; STEFFEY, K. L. (Ed.). Compendium of soybean diseases and pests. 5 ed. St. Paul, Minnesota: APS Press, 2015. p. 56-58. MINCHIO, C.A.; CANTERI, M.G.; FANTIN, L.H.;

AGUIAR e SILVA, M.A. Epidemias de ferrugem asiática no Rio Grande do Sul explicadas pelo fenômeno ENOS e pela incidência da doença na entressafra. Summa Phytopathologica, v.42, n.4, p.321-326, 2016.

Informações dos autores:  

1Universidade Estadual de Londrina, Londrina-PR.

2Syngenta proteção de cultivos.

Disponível em: Anais da XXXVI Reunião de Pesquisa de Soja. LONDRINA – PR, Brasil.

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