O objetivo do estudo foi avaliar o controle e produtividade de programas de manejo com incremento de diferentes doses de solatenol, associadas ou não ao mancozebe

Autores: CANTERI, M.G.1; FANTIN, L.H.1; SILVA, A.L.1; MEDEIROS, F.C.L.de 2

Introdução

O controle químico é a principal ferramenta utilizada no controle de ferrugem-asiática da soja, causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi Syd. & P. Syd. Os fungicidas registrados no ministério da agricultura, basicamente, pertencem aos grupos químicos dos triazóis, estrobilurinas e carboxamidas.

Reduções de sensibilidade do fungo aos fungicidas de ação sitio-específico, como triazóis e estrobilurinas, tem preocupado toda a cadeia produtora de soja no Brasil. Para o manejo de resistência a associação de fungicidas sitio-específicos com os fungicidas de ação multissítios pode ser uma ferramenta importante (AZEVEDO, 2015).

Assim, o objetivo do estudo foi avaliar o controle e produtividade de programas de manejo com incremento de diferentes doses de solatenol, associadas ou não ao mancozebe.

 Material e Métodos

O experimento foi conduzido na fazenda escola da Universidade Estadual de Londrina, PR, safra 2016/17. Utilizou-se o delineamento em blocos casualizados, com sete tratamentos (Tabela 1) e quatro repetições. Cada parcela foi constituída por uma área de 18 m2 (3,0 m de largura x 6,0 m de comprimento), composta por 6 linhas de semeadura. A semeadura foi realizada no dia 06/12/2016 utilizando a cultivar DM6563 IPRO. O programa de aplicações foi composto por até duas aplicações (A e B), com início em R3 (04/01/2017) e em intervalo de 15 dias (Tabela 1). As aplicações foram realizadas com pulverizador costal pressurizado com CO2, bicos tipo leque duplo XR 110.02 e volume de aplicação igual a 150 L. ha-1.

A severidade da doença foi avaliada semanalmente a partir do início das aplicações, totalizando sete avaliações. Ao final do ciclo as duas linhas centrais das parcelas foram colhidas manualmente. Foram calculadas a área abaixo da curva de progresso da doença normalizada (AACPD*), eficiência de controle e produtividade em kg ha-1, a 13% de umidade.

Os dados foram analisados através da análise de variância e as medias comparadas pelo teste de Scott-Knott a 5% de significância. Utilizou-se o programa estatístico SASMAGRI® (CANTERI et al., 2001).

Resultados e Discussão

As primeiras pústulas foram identificadas no dia 01/02/2017, três dias antes da primeira aplicação (aplicação A). A severidade na testemunha em R7 foi de 100% (Figura 1). A testemunha sem aplicação apresentou a maior AACPD*.

Figura 1. Severidade de ferrugem-asiática avaliada na testemunha sem aplicação. Londrina/PR, safra 2016/17.  1 Adicionado Nimbus 0,6 L.ha-1; A = aplicação em R3; B = aplicação 15 dias após A. Médias seguidas da mesma letra na coluna não diferem entre si pelo teste de Scott-Knott (p<0,05).

Nos tratamentos com apenas uma aplicação, considerando que a dose registrada para solatenol é 30 g.i.a.ha-1, o aumento da dose de 30 para 60 g.i.a.ha-1 (T2 e T3, respectivamente) apresentou menor severidade da doença e maior produtividade para a dose superior(p<0,05) (Tabela 1). Da mesma forma, houve resposta em produtividade e progresso da doença com o aumento da dose de 30 para 60 g.i.a.ha-1 em duas aplicações, T4 e T5 respectivamente.

 

Tabela 1. Área abaixo da curva de progresso da doença normalizada (AACPD*), porcentagem de controle (%C) em relação a testemunha sem aplicação e produtividade para os diferentes tratamentos.

A associação de mancozebe (750 e 1126 g.i.a. ha-1) a dose 30 g.i.a. ha-1 em programas de duas aplicações, reduziu a curva de progresso da doença e alterou a produtividade em relação ao tratamento correspondente(T4), não diferindo do tratamento com dose de 60 g.i.a.ha-1 de Solatenol (T5).

Conclusão

O aumento nas doses de solatenol apresentou menor AACPD* e maior produtividade para os tratamentos com uma e duas aplicação. A associação de mancozebe a dose de 30 g.i.a. ha-1 de solatenol alterou a curva de progresso da doença e produtividade.

Referências

AZEVEDO, L. A. S. Misturas de tanque de produtos fitossanitários: teoria e prática. Rio de Janeiro: IMOS Gráfica e Editora, 2015.230p.

CANTERI, M. G.; ALTHAUS, R. A.; VIRGENS FILHO, J. S.; GIGLIOTI, E. A.; GODOY, C. V. SASM-Agri – Sistema para análise e separação de médias em experimentos agrícolas pelos métodos Scott-Knott, Tukey e Duncan. Revista Brasileira de Agrocomputação, v. 1, p. 18-24, 2001.

Informações dos autores:  

1Universidade Estadual de Londrina, Londrina-PR.

2Syngenta proteção de cultivos.

Disponível em: Anais da XXXVI Reunião de Pesquisa de Soja. LONDRINA – PR, Brasil.

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