Os ciclos naturais de aquecimento e resfriamento da Terra sempre ocorreram. Porém, o cenário atual vem se agravando, pois a variação natural do clima terrestre está sendo afetada por atividades antrópicas e emissão de gases de efeito-estufa.

Essa mudança atinge diretamente e indiretamente as produções agrícolas, pois para crescerem as plantas necessitam de solo, água, luz solar, temperatura e umidade apropriados. Nesse sentido, o evento pode resultar na interferência na duração do período de cultivo, na produtividade, na interação e distribuição geográfica do agente infeccioso e da planta hospedeira e também influenciar na proliferação e propagação de espécies-praga, colocando em risco a segurança alimentar mundial.

Para estimar “como” e “onde” e avaliar os impactos do aquecimento global na agricultura levando em consideração as perdas da safra por insetos-praga, um estudo publicado na revista Science considerou três grandes culturas agrícolas – arroz, milho e trigo – e estabeleceu relações entre a temperatura, o crescimento populacional e as taxas metabólicas dos insetos.

Foi previsto que em locais onde a temperatura aumenta, haveria aumento na atividade metabólica e alimentícia dos insetos-praga e, consequentemente, aumento do número populacional de insetos-praga. As perdas das culturas seriam de 10 a 25% por grau de aquecimento global médio da superfície. Isso ocorre principalmente em regiões de clima temperado, onde a maioria dos grãos são cultivados. Vislumbra-se que à medida que as temperaturas aumentem, novos ecossistemas se tornam mais favoráveis aos insetos. Esse fato levaria a aumento no custo de produção e aumento na probabilidade de seleção de populações resistentes de pragas.

As situações têm se intensificado ao longo dos anos, o que mostra a importância da identificação da vulnerabilidade atual aos impactos de eventos climáticos. Existem maneiras de se adaptar e/ou minimizar os danos negativos devido às condições climáticas desfavoráveis para a agricultura. Isso pode ser feito através da otimização do uso do solo, aprimoramento do manejo das culturas, ampliação do sistema de plantio direto e implementação da gestão de riscos. Além disso, é estratégico que o setor possa contar com tecnologias para manejo de pragas, de maneira a responder rapidamente ao aumento de suas populações.

Para saber mais: Deutsch et al. (2018)

Foto: Natalie Hummel (xxxx)

Texto originalmente publicado em:
Portal Defesa Vegetal.Net
Autor: Deutsch et al. (2018

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