O objetivo este trabalho foi avaliar a cobertura e o depósito da calda de aplicação de glyphosate + clethodim +alquilesteretoxilado do ácido fosfórico (emulsificante) em plantas de Digitaria insularis por quatro diferentes pontas de pulverização.

Autores: JONAS L. FERRARI1, LUCIANO D. B. JUNIOR2, VITOR M. ANUNCIATO2, TIAGO GAZOLA2, LEANDRO BIACHI3, FRANCISMO S. S. JUNIOR4, CARLOS G. RAETANO5

Trabalho disponível nos Anais do Evento e publicado com o consentimento dos autores.

RESUMO

O objetivo deste trabalho foi determinar o depósito de glyphosate em associação com clethodim e o adjuvante alquilesteretoxilado do ácido fosfórico à calda de pulverização em plantas de capim-amargoso (Digitaria insularis) por quatro diferentes pontas de pulverização, através de corante Azul Brilhante. A taxa de aplicação foi ajustada para cerca de 190 L ha-1, tendo como tratamentos as pontas: AXI11002, AVI11002, XR11002 e JTT11002.

Utilizou-se o delineamento inteiramente casualizado (DIC) com oito repetições por tratamento. Antes da aplicação, foram colocados papéis idrossensíveis, entre os vasos, para análise qualitativa da aplicação. As plantas de D. insularis foram cortadas após a pulverização e lavadas com água destilada, onde a solução de lavagem foi quantificada por espectrofotômetro, para posterior mensuração do volume da calda depositada em cada planta (μL g-1 de massa seca).

A ponta que proporcionou maior depósito foi a AXI11002. Quanto a cobertura pelas gotas no papel hidrossensível, em percentagem de área, não houve diferenças entre as pontas de pulverização.

PALAVRAS–CHAVE: Tecnologia de aplicação, ponta, calda de pulverização.

COVERAGE AND DEPOSIT EVALUATION OF SPRAYING SYRUP IN Digitaria insularis FOR DIFFERENT NOZZLE

ABSTRACT

The objective of this research was to determine the deposition of glyphosate in association with clethodim and the ester ethoxylated phosphoric acid adjuvant to the spray syrup in sourgrass plants (Digitaria insularis) by four different spray nozzle through bright dye. The application rate was adjusted to about 190 L ha-1, with treatments as AXI11002, AVI11002, XR11002 and JTT11002. The experiment was arranged in completely randomized design with eight replications by treatment.

Before application, hydrosensitive papers were placed between the vessels for qualitative analysis of the application. The plants of D. insularis were cut after spraying and washed with distilled water, where the washing solution was quantified by spectrophotometer, for later measurement of the volume of the deposit deposited in each plant (μL g-1 of dry mass).

The nozzle that provided the most eposit was AXI11002. As for the coverage of the droplets on the hydrosensitive paper, in percentage  of area, there were no differences between the spray nozzles.

KEYWORDS: Application technology, nozzle, spray syringe.

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INTRODUÇÃO

As diferentes pontas de pulverização fragmentam as caldas de diversas maneiras, variando o espectro de gotas geradas. Este fato pode resultar em pequeno valor de depósito sobre o alvo desejado, podendo ser influenciadas por fatores como o arraste da pulverização pelo vento e escorrimento na superfície foliar, diminuindo a eficiência da aplicação (BERNI et al., 1999).

As perdas durante a pulverização podem ser oriundas das características de trabalho dos pulverizadores, tamanho de gota, umidade, temperatura, velocidade do ar durante a aplicação, arquitetura foliar, estádio de desenvolvimento da planta, taxa de aplicação, entre outros (BYERS et al., 1984).

Desta forma, o conhecimento das condições de trabalho e, principalmente, do comportamento operacional das pontas se faz necessário para eficiência do processo. Entre as técnicas de aplicação de agroquímicos, as que se baseiam na pulverização hidráulica são as mais difundidas, sendo as pontas do tipo plano as mais recomendadas para aplicação terrestre, segundo Matthews (1982).

A cobertura atingida pela aplicação pode ser avaliada por diversas metodologias, como uso de papel hidrossensível, alvos artificiais, corantes fluorescentes e condutividade elétrica (SOUZA et al., 2007).

As avaliações dos depósitos são utilizadas nas pesquisas de tecnologia de aplicação como instrumento para desenvolver e melhorar as técnicas de aplicação de defensivos, favorecendo maior absorção do agroquímico e, consequente maior eficiência de controle (PALLADINI, 2000).

Portanto, o objetivo este trabalho foi avaliar a cobertura e o depósito da calda de aplicação de glyphosate + clethodim +alquilesteretoxilado do ácido fosfórico (emulsificante) em plantas de Digitaria insularis por quatro diferentes pontas de pulverização.

MATERIAL E MÉTODOS

O experimento foi conduzido no Laboratório de Tecnologia de Aplicação de Defensivos Agrícolas no Departamento de Proteção Vegetal da FCA/UNESP, Campus de Botucatu/SP. O delineamento experimental utilizado foi o inteiramente casualizado (DIC), tendo, como tratamentos quatro pontas de pulverização: AXI11002, AVI11002, XR11002 e JTT11002. O estudo contou com oito repetições constituídas de um vaso contendo uma planta de Digitaria insularis com cerca de 20 a 30 cm de altura.

A calda de aplicação utilizada foi de glyphosate (Roundup original) e clethodim (Select), nas doses de 3 L ha-1 e 0,4 L ha-1, respectivamente, associados ao adjuvante Lanzar (alquilesteretoxilado do ácido fosfórico) na concentração de 0,5% (v v-1), acrescidos do corante alimentício Azul Brilhante, na concentração de 3 g L-1. Antes da aplicação, foram colocados papéis hidrossensíveis, entre os vasos, na altura do colo da planta, para análise qualitativa da aplicação.

A pulverização dos tratamentos ocorreu por meio de um simulador de aplicação de barra móvel, ajustado a velocidade de 5 km h-1 e pressão de 310 kPa, resultando na taxa de aplicação aproximada de 190 L ha-1.

Após esse procedimento, as plantas de D. insularis foram cortadas e colocadas em saco plástico, e lavadas com 50 mL de água destilada para estabelecimento da análise quantitativa da aplicação. A absorbância da solução de lavagem por espectrofotômetro foi ajustada ao comprimento de onda de 630 nm, após quantificação prévia de amostras formuladas como padrões para a curva de calibração.

Esse processo foi utilizado para a determinação das concentrações de Azul Brilhante, para mensuração do volume da calda depositada em cada planta. Logo após, condicionou-se cada planta em saco de papel para posterior secagem em estufa (65 °C), por 72 horas, fazendo a quantificação de massa seca. Sendo assim, determinaram-se os valores de μL de depósito da calda de aplicação em cada grama de massa seca de D. insularis.

Para avaliação qualitativa da aplicação e determinação da área da cobertura pelas gotas, em percentagem, os papéis hidrossensíveis foram digitalizados via scanner, com resolução de 600 dpi e analisadas utilizando o software “Abertura de Dossel (Sachs, L. G. & Felinto, A. S.)” através de ajustes de limiares de cores. Os dados foram submetidos à análise estatística, através do software ASSISTAT, aplicando-se o teste de Tukey a 5% de probabilidade.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Os resultados obtidos evidenciam que a ponta que proporcionou maior depósito da calda de pulverização em D. insularis foi AXI11002, resultando no valor de 302,17 μL g-1, diferindo estatisticamente das demais (AVI, JTT e XR), as quais foram semelhantes entre si (Tabela 1). Scudeler et al. (2004), avaliando a deposição promovida por gotas finas e por gotas muito grossas, pulverizadas por diferentes pontas, também não encontraram diferença de deposição na parte superior do dossel, porém, na parte inferior das plantas a ponta de jato plano promoveu maior cobertura das folhas.

Antuniassi et al. (2004), avaliaram a cobertura de folhas de soja com diferentes pontas de pulverização, concluíram que as gotas finas (100-175 μm) propiciam melhores coberturas nas posições média e baixa das plantas. Desta forma, explica-se o fato da ponta AXI ter apresentado o maior valor de deposição sobre o alvo.

Nesse contexto, Cunha et al. (2010) estudando diferentes pontas de pulverização em diferentes posições na lavoura de milho, encontraram influência na deposição de gotas na parte superior do dossel entre duas pontas distintas (TTI11002 e TTJ11002).

Fietsam et al. (2004), em aplicações de glyphosate a campo ou em túnel de vento, também constataram que as pontas com indução de ar resultaram em menor deriva em relação aos modelos convencionais, como o XR, pois formam gotas grossas a muito grossas. Desta forma, a aplicação eficiente requer deposição adequada da superfície-alvo com gotas de tamanho apropriado.

No caso de serem produzidas gotas muito grandes, superiores a 800 μm, não ocorre boa cobertura da superfície, nem boa uniformidade de distribuição (GALLI et al., 1983). As gotas muito grandes, pelo seu peso, normalmente não se aderem à superfície da folha e terminam no solo. Em contrapartida, gotas muito pequenas, geralmente causa boa cobertura superficial e uniformidade de distribuição da calda, mas essas gotas podem evaporar em condições de baixa umidade relativa ou serem levadas pela corrente de ar (TEIXEIRA, 1997).

Em tese, gotas maiores tenderiam a ser mais efetivas em plantas dicotiledôneas (folhas mais largas e horizontais), enquanto as gotas menores seriam mais adequadas para as monocotiledôneas, devido a maior facilidade de depósito em superfície vertical (ANTUNIASSI, 2004). Souza et al. (2007), citam que irregularidade dos depósitos podem levar à necessidade de aumentar a dose aplicada de defensivos agrícolas.

TABELA 1. Deposição da calda de pulverização por diferentes pontas, em Digitaria insularis (μL g-1 matéria seca).

Com relação à cobertura dos papeis hidrossensíveis pode-se inferir que não houve diferença estatística entre as pontas de pulverização, conforme apresentado na tabela 2. De acordo com Souza et al. (2007), a interação pontas hidráulicas e terços de plantas de soja e milho demonstra que as pontas de jato plano sem indução de ar (API11002 e AD11002-D), proporcionaram maior cobertura do terço superior, em relação a ponta com indução de ar (ADIA11002-D).

Segundo Silva (2014), as pontas de jato plano sem indução de ar apresentaram significativamente maior cobertura no terço inferior;tomados em conjunto, esses resultados evidenciam que as pontas de pulverização, responsáveis pela fragmentação do líquido em gotas, devem ser criteriosamente selecionadas para cada operação, dependendo da cultura trabalhada e do local onde o alvo biológico se encontra.

Ainda segundo esse autor, as pontas de pulverização que proporcionam gotas de 100-250 μm apresentam melhor deposição de calda nos diferentes terços das plantas de soja e milho, consequentemente, maior cobertura do alvo.

TABELA 2. Cobertura, em percentagem, de área no papel hidrossensível por gotas da calda pulverizada pelas quatro pontas de pulverização.

De acordo com Braun et al. (2014), gotas caracterizadas como grandes são menos arrastadas pela deriva e apresentam menores problemas com a evaporação no trajeto da ponta ao alvo. Por outro lado, essas proporcionam menor cobertura e depósito na superfície a ser tratada, possui baixa capacidade de penetração na cultura e elevam a possibilidade de escorrimento do produto nas folhas. Neste caso, para diminuir o tamanho das gotas, deve-se utilizar de pontas que apliquem gotas menores em uma mesma vazão.

CONCLUSÕES

A ponta de pulverização AXI11002 proporciona maior depósito da calda de glyphosate + clethodim + adjuvante em plantas de Digitaria insularis, quando comparada com as demais pontas em estudo. Quanto à cobertura, em percentual de área, não houve diferenças entre as pontas de pulverização.

AGRADECIMENTO:

Os autores agradecem à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) pela concessão da bolsa de estudos.

REFERÊNCIAS

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ANTUNIASSI, U. R.; T. V. CAMARGO, M. A. P. O. BONELLI & E. W. C. ROMAGNOLE. 2004. Avaliação da cobertura de folhas de soja em aplicações terrestres com diferentes tipos de pontas. p. 48-51. In Simpósio internacional de tecnologia de aplicação de agrotóxicos. Anais… 3. FEPAF, Botucatu, 2004. 267 p.

BERNI, R. F.; MACHADO, V. O. F.; COSTA, G. R.; BARATA, G.; PAULA, R. S. Avaliação da cobertura de gotas provocada por diferentes bicos de pulverização na cultura do milho e do feijão. Pesquisa Agropecuária Tropical, p. 49-52, 1999.

BRAUN, M. et al. Comparação de pulverização de baixa (60 L ha-1) com alta vazão (170 L ha-1) em pulverização de barras. Acta Iguazu, Cascavel, v. 3, n.3, p. 11-22, 2014.

BYERS, R. E.; LYONS JUNIOR, C. G.; YODER, K. S.; HORSBURGH, R. L. Effects of apple tree size and canopy density on spray chemical deposit. Hort Science. v. 19, n. 1, p. 93-94, 1984.

CUNHA, J. P. A. R; SILVA, L. L. S. Aplicação aérea e terrestre de fungicida para o controle de doenças do milho. Ciência Agronômica, Fortaleza, v. 41, n. 3, p. 366-372, 2010.

FIETSAM, J. F. W.; YOUNG, B. G.; STEFFEN, R. W. Herbicide drift reduction to drift controlagents with glyphosate.Transactions of the ASAE, v. 47, n. 5, p. 1405-1411, 2004.

GALLI, J. C.; MATUO, T.; SIQUEIRA, E. C. Padrão de distribuição de alguns bicos hidráulicos.Planta Daninha, p. 144-50, 1983.

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PALLADINI, L. A. Metodologia para avaliação da deposição em pulverizações. Botucatu, 2000. 111 Tese (Doutorado em Agronomia/Energia na Agricultura) – Faculdade de Ciências Agronômicas, Universidade Estadual Paulista.

SCUDELER, F.; BAUER, F. C.; RAETANO, C. G. Ângulo da barra e ponta de pulverização na deposição da pulverização em soja. In: SIMPÓSIO INTERNACIONAL DE TECNOLOGIA DE APLICAÇÃO DE AGROTÓXICOS, 3., 2004, Botucatu, SP. AnaisBotucatu: FEPAF, 2004, p. 13- 16.

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SOUZA, R. T.; VELINI, E. D.; PALLADINI, L. A. Aspectos metodológicos para análise de depósitos de pulverizações pela determinação dos depósitos pontuais. Planta Daninha, Viçosa, v. 25, n. 1, p. 195-202, 2007.

TEIXEIRA, M. M. Influencia del volumen de caldo y de la uniformidad de distribución transversal sobre la eficacia de la pulverización hidráulica. 1997. 310 p. Tese (Doutorado) – Universidad Politécnica de Madrid, Madrid.

Informações do autores:     

1Engenheiro Agrônomo, mestrando no Programa de Pós-Graduação em Agronomia: Proteção de Plantas, Depto. de Proteção Vegetal, Faculdade de Ciências Agronômicas/UNESP, Botucatu/SP;

2Engenheiro Agrônomo, mestrando no Programa de Pós-Graduação em Agronomia: Proteção de Plantas, Depto. de Proteção Vegetal,FCA/UNESP, Botucatu/SP

3Engenheiro Agrônomo, mestrando no Programa de Pós-Graduação em Agronomia: Agricultura, Depto. de Produção Vegetal, FCA/UNESP, Botucatu/SP;

4 Graduando de agronomia, Faculdade de Ciências Agronômicas/UNESP, Botucatu/SP;

5Engenheiro Agrônomo, Prof. Adjunto, Depto. de Proteção Vegetal, FCA/UNESP, Botucatu/SP; 

Disponível em: Anais do VIII Simpósio Internacional de Tecnologia de Aplicação – SINTAG, Campinas – SP, Brasil.

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