Avaliação da eficácia e praticabilidade agronômica do inseticida Flupyradifurone + Spiromesifen 24 WG ( Flupyradifurone + Espiromesifeno 120 + 120 g i.a.kg-1) no controle da Mosca-branca (Bemisia tabaci) na cultura da soja

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Fonte: Embrapa; Foto: Alice Nagata
Fonte: Embrapa; Foto: Alice Nagata

Os ensaios realizados visaram avaliar a eficácia e a praticabilidade agronômica do inseticida Flupyradifurone + Spiromesifen 24 WG no controle desta praga, comparando sua performance com o inseticida Piriproxifen

Autores: BATISTA, M.S.1; SULZBACH, F.2; MARTINS, M.2; BARBARO JUNIOR, G.3; SMANIOTTO, E.4

Trabalho publicado nos Anais do evento e divulgado com a autorização dos autores.

Introdução

A entomofauna associada à cultura da soja (Glycine max L. Merril) é muito diversa e inclui mais de 100 espécies na América Latina (KOGAN; TURNIPSEED 1987). Entre esses, nos últimos anos destaca-se a mosca branca (Hemiptera: Aleyrodidade) que são insetos que sugam a seiva do floema das plantas hospedeiras, tanto na fase imatura como na adulta, podendo causar danos diretos, como seu enfraquecimento, com reflexos na produtividade (BYRNE; BELLOWS JUNIOR, 1991). Além disso, podem causar danos indiretos, como o desenvolvimento de fungos, o que afeta a fotossíntese e, também pode transmitir viroses.

No início dos anos 90 foi introduzido no Brasil o biótipo B de B. tabaci (= B. argentifolli) (LOURENÇÃO; NAGAI, 1994). Em sequência, rapidamente atingiu as principais fronteiras agrícolas do país, sendo poucos os estados onde a praga não ocorre (HAJI et al., 1997).

O biótipo B é mais nocivo à agricultura porque além de atuar como vetor de vírus, também causa danos diretos nas plantas devido à alimentação (sucção da seiva e injeção de substâncias  tóxicas), reduzindo o vigor da planta, induzindo anomalias fisiológicas e depositando grande quantidade de secreção açucarada, que prejudica os processos fisiológicos da planta e favorece a ocorrência de fumagina (LOURENÇÃO et al., 1999).

Períodos secos e quentes favorecem o desenvolvimento e a dispersão da praga, sendo, por isso, observados maiores picos populacionais na estação seca. Caracteriza-se por ser uma espécie polífaga com grande capacidade de adaptar-se a novos hospedeiros e a novas condições climáticas (BUENO et al., 2009).

Visto a importância de B. tabaci na cultura da soja, os ensaios realizados visaram avaliar a eficácia e a praticabilidade agronômica do inseticida Flupyradifurone + Spiromesifen 24 WG no controle desta praga, comparando sua performance com o inseticida Piriproxifen (100 g i.a.L-1) e relatando possíveis sintomas de fitotoxidez desses produtos na cultura.

Material e Métodos

O experimento foi conduzido na Fazenda Bogorni (Sinop, MT). Os tratamentos constituíram-se em Flupyradifurone + Spiromesifen 24 WG nas doses de 0,8; 1,0; 1,2 e 1,4 kg/ha e Piriproxifen (100 g i.a.L-1) na dose de 0,25 L/ha, além da testemunha que não recebeu nenhum tratamento.

Foram realizadas duas aplicações foliares dos tratamentos com 7 dias de intervalo, sendo a primeira realizada no início da infestação da praga. As aplicações foram iniciadas no dia 10/01/2017, no início de infestação do alvo na cultura da soja, ao longo da área experimental.

A infestação de mosca-branca (Bemisia tabaci) na cultura da soja onde foi instalado o experimento foi natural e espontânea. As avaliações foram realizadas visando estudar a eficácia agronômica dos produtos bem como opções de controle da mosca-branca (Bemisia tabaci) na cultura da soja.

Os efeitos dos tratamentos aplicados sobre a mosca-branca foram avaliados contabilizando-se ovos, ninfas, pupas e adultos em 10 folíolos coletados ao acaso no terço média de 10 plantas de cada parcela útil, previamente, aos 1, 3 e 7 dias após a primeira aplicação (DAA), e aos 1, 3, 7, 10, 14, 21 e 28 dias após a segunda aplicação (DAB). A quantificação de ninfas e pupas de B. tabaci foi realizada utili zando estereomicroscópio binocular com lente de aumento de 20x.

Durante a vigência do experimento também se monitorou a cultura com a finalidade de documentar a ocorrência de qualquer sintoma de fitotoxidez causado pelos inseticidas às plantas de soja.

Resultados e Discussão

Aos 7 e 14 Dias Após a Segunda Aplicação (DAB), os tratamentos com Flupyradifurone + Spiromesifen, independente da dose testada, apresentaram eficácia maior quando comparados a testemunha e semelhante ao produto padrão (Tabelas 1 e 2, Figura 1).

Tabela 1. Média de ninfas (N%) de mosca-branca em 10 trifólios por parcela e eficácia no controle (E%), aos 7 e 14 dias após a segunda aplicação (7 e 14 DAB), na cultura da soja. Lucas do Rio Verde-MT. Safra 2016/2017.

Tabela 2. Média de pupas (P%) de mosca-branca em 10 trifólios por parcela e eficácia no controle (E%), aos 7 e 14 dias após a segunda aplicação (7 e 14 DAB), na cultura da soja. Lucas do Rio Verde-MT. Safra 2016/2017.

Figura 1. Média de ninfas e pupas de mosca-branca e eficácia no controle (% Abbott), aos 14 dias após a segunda aplicação (14 DAB), na cultura da soja. Lucas do Rio Verde-MT. Safra 2016/2017.

Não se verificou em nenhuma das avaliações realizadas neste experimento, nenhum reflexo de fitotoxidade nas plantas de soja que possa ter sido provocado pela utilização dos inseticidas, apresentando as plantas um desenvolvimento normal, através das avaliações conduzidas.

Conclusão

Os produtos utilizados nesse trabalho não causaram quaisquer sintomas de fitotoxidade na cultura da soja, independentemente da dose em que foi aplicado.

O produto Flupyradifurone + Spiromesifen nas doses utilizadas nesse experimento apresentou eficácia e opção de controle para mosca-branca (Bemisia tabaci) na cultura da soja, em até 2 aplicações com intervalos de 7 dias.

Todos os tratamentos com inseticida apresentaram resultados de controle de mosca- -branca nas plantas de soja, superiores à testemunha, o que comprova a eficácia do uso de inseticidas para o controle desse inseto.

Referências

BUENO, A.F.; HOFFMANN-CAMPO, C.B.; SOSA-GOMES, D. R.; BUENO, R. C. O. F. Mosca-branca infesta lavouras de soja. Londrina: Embrapa Soja, 2009. Disponível em: <http://www.cnpso.embrapa.br/alerta/ver_ alerta.php?cod_pagina_sa=208&cultura=1> Acesso em: 19 abr. 2017.

BYRNE, D.N.; BELLOWS JUNIOR, T.S. Whitefly biology. Annual Review of Entomology, v. 36, 431-457, 1991.

HAJI, F.N.P.; LIMA, M.F.; ALENCAR, J.A. Histórico sobre mosca-branca no Brasil. In: TALLER LATINO AMERICANO Y DEL CARIBE SOBRE MOSCAS BRANCAS Y GEMINIVIRUS, 6., Santo Domingo, Republica Dominica, 1997.

KOGAN, M.; TURNIPSEED, S.G. Ecology and management of soybeans arthropods. Annual Review of Entomology, v. 32, p. 507-538, 1987.

LOURENÇÃO, A.L.; NAGAI, H. Surtos populacionais de Bemisia tabaci no Estado de São Paulo. Bragantia, v. 53, n. 1, p. 53-59, 1994.

LOURENÇÃO, A.L.; YUKI, V.A., ALVES, S.B. Epizootia de Aschersonia cf. Goldiana em Bemisia tabaci (Homoptera: Aleyrodidae) biótipo B no Estado de São Paulo. Anais da Sociedade Entomológica do Brasil, v. 28, n. 2, p. 343-345, 1999.

PANIZZI, A.R.; CORREA-FERREIRA, B.S. Dynamics in the insect fauna adaptation to soybean in the tropics. Trends in Entomology, v. 1, p. 71-88, 1997.

Informações dos autores:

1Bayer S.A., Caixa Postal 218, Lucas do Rio Verde – MT;

2Bayer S.A., Rua Domingos Jorge, 1100,1 andar, 504, São Paulo – SP;

3Bayer S.A., Rodovia BR 060 km 11,Chapadão do Sul – MS;

4Bayer S.A, Rodovia Br163, Km 816, Sinop – MT.

Disponível em: Anais da XXXVI Reunião de Pesquisa de Soja. LONDRINA – SC, Brasil.

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