O  objetivo desse trabalho foi avaliar a eficácia do fungicida Trifloxistrobina 12,5% + Bixafen 17,5% + Protioconazol 15%, adicionado éster metílico de óleo de soja em pulverização foliar, visando o controle da Ferrugem asiática da Soja (Phakopsora pachyrhizi), na cultura da soja.

Autores: BORTOLAN, R.1;ASSELTA, F.O.2; DELLA VALLE, J.N.2; KROL, A.C.A.2, DOCEMA, T.2,MARTINS, M.M.2, NISHIKAWA., M.A.N2.

Trabalho publicado nos Anais do evento e divulgado com a autorização dos autores.

A Ferrugem asiática da soja é causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi, que interfere na fotossíntese das plantas, provoca desfolha prematura, o que acaba por afetar significativamente o rendimento dos grãos e o teor de proteína dos mesmos (KIMATI, 2005). A intensidade do dano é influenciada por condições climáticas, aspectos genéticos das cultivares, manejo cultural e fitotécnico da cultura e pelo conjunto de fatores relacionados ao controle químico (GASSEM,2005).

O controle da ferrugem da soja exige a combinação de várias estratégias, principalmente a rotação de culturas, a fim de evitar perdas e gastos com o controle da doença. Quando a doença já está ocorrendo, o controle químico com fungicidas é, até o momento, o principal método de controle (YORINORI & WILFRIDO,2002).

O objetivo desse trabalho foi avaliar a eficácia do fungicida Trifloxistrobina 12,5% + Bixafen 17,5% + Protioconazol 15%, adicionado éster metílico de óleo de soja em pulverização foliar, visando o controle da Ferrugem asiática da Soja (Phakopsora pachyrhizi), na cultura da soja.

O ensaio foi conduzido em condições de campo, na Estação Experimental Bayer S/A, localizada no município de Paulínia, estado de São Paulo, na safra agrícola 2016/2017, entre os meses de Dezembro de 2016 e Março de 2017. A semeadura ocorreu no dia 10/10/16, na densidade e plantio de 25 sementes/m² e com espaçamento entre ruas de 50 cm, utilizando a variedade BMX Potencia.

O delineamento experimental foi em blocos ao acaso, com seis tratamentos e quatro repetições, sendo cada parcela constituída de 12 m². Os tratamentos constaram de: Trifloxistrobina 12,5% + Bixafen 17,5% + Protioconazol 15% nas doses de 0,30; 0,40; 0,50 e 0,60 L.ha-1, juntamente com éster metílico de óleo de soja a 0,25% V/V; o fungicida FLUZ + PIR (Fluxapiroxade 16,7% + Piraclostrobina 33,3%) na dose de 0,30 L.ha-1, juntamente com óleo mineral 0,50 L.ha-1 e uma testemunha sem aplicação de fungicidas. Foram realizadas quatro aplicações com intervalo de 15 dias, sendo a primeira realizada no dia 21/12/2016, quando as plantas encontravam-se no estádio 28, segundo escala BBCH. As aplicações foram realizadas com pulverizador costal de pressão constante (CO2) e o volume de calda aplicado foi de 150 L/ha. Nas pulverizações a barra foi posicionada a uma distância de 40 cm das plantas, de forma a proporcionar cobertura completa e uniforme. Foram realizadas avaliações de fitotoxicidade (%), severidade nas plantas (%), porcentagem de desfolha da cultura e rendimento de grãos em 6 m² (que posteriormente foi transformada em ton.ha-1). Os dados foram submetidos à análise de variância e as médias dos tratamentos comparados pelo teste de Tukey ao nível de 5% de probabilidade.

Os tratamentos com Trifloxistrobina 12,5% + Bixafen 17,5% + Protioconazol 15% nas doses de 0,4 a 0,6 L.ha-1, juntamente com Ester metílico de óleo de soja, apresentaram fitotoxicidade à cultura da soja após os 15 dias após a terceira aplicação, porém isto não afetou negativamente a produtividade e o desenvolvimento da cultura.

A severidade da doença aos 6 dias após a quarta aplicação (DAD) era de 44%. O fungicida Trifloxistrobina 12,5% + Bixafen 17,5% + Protioconazol 15% apresentou eficácia de 98,0; 97,4; 98,0 e 96,9% nas doses de 0,30; 0,40; 0,50 e 0,60 L.ha-1 respectivamente. Aos 13 DAD, a severidade era de 70% e as doses de 0,40; 0,50 e 0,60 L.ha-1 apresentaram eficácia de 94,3; 95,0 e 95,7% respectivamente, sendo superiores ao padrão. Sendo que em ambas as avaliações, houve diferença estatística significativa entre a testemunha e os tratamentos utilizando fungicida.

Figura 1. Eficácia (E%) e Desfolha (%) dos tratamentos na cultura da soja. Paulínia – SP, 2017.

Figura 2. Área Abaixo da Curva de Progresso da Doença (AUDPC ou AACPD), do ensaio, Paulínia – SP, 2017.

Em relação à desfolha, os fungicidas apresentaram significativa diminuição quando comparados à testemunha. Enquanto a desfolha na testemunha era de 98%, as doses de 0,30; 0,40; 0,50 e 0,60 L.ha-1 apresentaram desfolha de 35; 31; 33 e 25%, respectivamente.


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A colheita foi realizada aos 92 dias após a primeira aplicação. Houve diferença estatística entre os tratamentos e a testemunha, sendo que os tratamentos que utilizaram Trifloxistrobina 12,5% + Bixafen 17,5% + Protioconazol 15%, juntamente com éster metílico de óleo de soja, geraram incremento de produtividade 21,6 a 26%, o que representa de 1,06 a 1,27 ton.ha-1.

Figura 3. Produtividade (ton.ha-1) da soja. Paulínia – SP, 2017.

Conclui-se que Trifloxistrobina 12,5% + Bixafen 17,5% + Protioconazol 15% é eficaz no controle de Ferrugem asiática da soja (Phakopsora pachyrhizi) e geraram incremento de produtividade em relação à testemunha.

Referências

GASSEN, F.R. Doenças foliares em Soja. Passo Fundo: Aldeia Norte Editora Ltda, 2005.

KIMATI, H. FILHO BERGAMIN, A. CAMARGO, L. E. A. et al. Manual de Fitopatologia, Doenças das plantas Cultivadas. 4 ed. São Paulo: Agronômica Ceres, 2005.

YORINORI, J.T., WILFRIDO, M.P. Ferrugem da soja: Phakopsora pachyrhizi Sydow. Londrina: Embrapa, 2002.

Informações dos autores:  

1Bayer S.A. Rua Domingos Jorge, 1100 – São Paulo – SP;

2Bayer S. A.

Disponível em: Anais do VIII Congresso Brasileiro de Soja. Goiânia – GO, Brasil.

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