Avaliação da eficiência do separador em espiral sobre a qualidade fisiológica da semente de Soja (Glycine max)

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O trabalho teve por objetivo, avaliar pelo teste de tetrazólio a influência do separador em espiral na separação de sementes de soja com danos fisiológicos após do beneficiamento

Autores: Fernando Costa Nunes(1), Mariney de Menezes(2), Rogério Severino Andrade(3), Andressa Fernandes Neves(4), Gladston Castro Santana (5)

Trabalho publicado nos Anais do evento e divulgado com a autorização dos autores.

RESUMO

A soja detém grande importância agrícola, e para produção de sementes de qualidade o beneficiamento é crucial. O trabalho teve por objetivo, avaliar pelo teste de tetrazólio a influência do separador em espiral na separação de sementes de soja com danos fisiológicos após do beneficiamento.

As amostras foram obtidas a partir das cargas de 6 caminhões provenientes da mesma colheita, sendo que parte foi retirada como testemunha e parte passada no separador para obter as sementes puras e descarte. Estas foram analisadas em laboratório pelo teste de tetrazólio obtendo as porcentagens de vigor (TZ 1-3) e viabilidade (TZ 1-8), ainda contabilizando a porcentagem de danos mecânicos, danos por percevejo e danos por umidade por amostra.

Considerando vigor e viabilidade, a testemunha e a semente pura não se diferenciaram significativamente, porém se diferenciaram do descarte, as mesmas considerações foram obtidas para dano por umidade (TZ 4-5)(TZ 6-8) e danos para percevejo (TZ 4-5)(TZ 6-8)(TZ 6-8), houve analises que não diferiram estatisticamente entre os três tratamentos como o dano mecânico (TZ 1-8)(TZ 6-8) e dano por umidade (TZ 1-8), sendo que a semente pura se diferenciou dos demais tratamentos em dano mecânico (TZ 4-5), coincidindo com os resultados de alguns autores que constataram que não há diferença significativa para separar sementes através da qualidade fisiológica. Concluiu-se que o separador em espiral é importante na retirada de sementes mal formadas ou infestadas que são de baixo vigor.

Termos de indexação: Pós colheita, Tetrazólio, Vigor.

INTRODUÇÃO

Nos últimos 20 anos, o crescimento anual da produção de soja no Brasil foi de 3,5 milhões de toneladas, o que representa um incremento de 13,4% por ano. A produção brasileira cresceu de 26 milhões de toneladas na safra 1996/1997 para mais de 95 milhões de toneladas na safra 2015/2016 (Embrapa, 2017). Devido a sua importância a soja detém, atualmente, intensa atividade de pesquisa dirigida para a obtenção de informações que possibilitem aumentos de produtividade e observando esse contexto é imprescindível a utilização de sementes de alta qualidade que acabam por constituir uma ferramenta de extrema importância para o agricultor (Scheeren et al., 2010).

Um item fundamental na melhoria das qualidades física e fisiológica de lotes de sementes é o beneficiamento, o qual fisicamente promove a eliminação do material inerte, sementes fora do padrão desejado e sementes de plantas daninhas, incrementando também a qualidade fisiológica (Moreano et al., 2013). Silva et al. (2008) ressalva que pelo separador em espiral é possível separar sementes esféricas das de formato irregular e/ou achatada. Por meio desta máquina as sementes de formato esférico rolam com mais facilidade sobre um plano inclinado com maior velocidade, assim, sementes esféricas tomam seu lugar no espiral inferior enquanto os de diferentes formas passam a ser um descarte nos espirais externos.

Segundo França Neto et. al. (1998), a produção e a utilização de sementes de alta qualidade são fatores de caráter básicos, porém de grande importância para o sucesso da cultura da soja. O mesmo autor ainda salienta que a avaliação de sementes nem sempre é fácil devido a vários fatores externo que podem influenciar a qualidade. Nesse contexto, o teste de tetrazólio tornou-se destaque por proporcionar um exame detalhado das estruturas essenciais da semente, além disso, tem contribuído para identificar fatores, apontando pontos importantes e até mesmo responsáveis para redução de qualidade.

O presente trabalho teve como objetivo, avaliar pelo teste de tetrazólio a influência do separador em espiral na separação de sementes de soja com danos fisiológicos após do beneficiamento.

MATERIAL E MÉTODOS

As sementes avaliadas foram de soja da variedade M8372 IPRO proveniente da Fazenda Três Irmãos pertencente ao Grupo Monte Alegre, localizado no município de General Carneiro – MT e as análises foram executadas no Laboratório de Qualidade de Sementes do Grupo Monte Alegre sediado na fazenda.

Os dados foram coletados em março de 2017. A colheita foi mecanizada, com umidade variando entre 15,1% até 16,4%. Cada caminhão era carregado por apenas uma colheitadeira e o mesmo era amostrado portanto cinco pontos com sonda coletora, para formar a uma amostra composta, fato que ocorreu em seis caminhões diferentes, após homogeneizar a amostra composta foi retirada uma amostra de trabalho de 1kg essa que foi subdividida em duas partes sendo que 500g não foi levada ao separador em espiral (testemunha) e as outras 500g foram levadas ao separador. As sementes esféricas que atravessaram a parte inferior do espiral foram consideradas como sementes puras e as sementes que passaram para a parte externa do espiral foram consideradas como sementes de descarte.

Cada subdivisão da amostra de trabalho foi submetida ao teste de tetrazólio. Iniciando com pré-condicionamento, entre folhas de papel germitest umedecidas com 2,5 vezes o peso do papel convertidos para ml, durante, 16 horas a 25°C e envolvida por saco plástico para que não ocorresse a perda da umidade. Logo após as 100 sementes (subdividida em duas amostras cada qual em um copo plástico de 50 ml com 50 sementes) foram imersas em solução 0,075% de 2,3,5-trifenil-cloreto-de-tetrazólio, a 36ºC, durante três horas para ocorrer a coloração. Em seguida, foram lavadas em água corrente e avaliadas individualmente e computando-se as porcentagens de vigor (TZ 1-3), viabilidade (TZ 1-5) e sementes mortas (TZ 6-8) e ainda contabilizando a porcentagem de danos mecânicos, danos por percevejo e danos por umidade por amostra, de acordo com os critérios propostos por França Neto et aI. (1998).

Os dados foram submetidos a análise de variância pelo teste F de médias comparadas pelo teste de Scott-Knott, ao nível de 5% de probabilidade utilizando o programa estatístico SISVAR, conforme descrito por Ferreira (2011).

Através da análise estatística, observou-se que as médias de vigor (TZ 1–3) fornecidas pelo teste de tetrazólio, não apresentaram diferença significativa entre a testemunha e a semente pura no que se refere a vigor (TZ 1–3). Entretanto, avaliando a media do descarte conforme a Tabela 1 percebeu – se que o separador em espiral apresenta efetividade na retirada de material sem qualidade fisiológica. A média de vigor do descarte do espiral apresenta uma diferença de 21,66 pontos a menos que a porção de sementes puras (87,83). Moreano et al, (2013) avaliando o efeito de cada máquina de beneficiamento isoladamente sobre as qualidades física e fisiológica de sementes de soja, percebeu que o separador em espiral não melhora a qualidade fisiológica das sementes.

Tabela 1- Médias seguidas pela mesma letra maiúsula na coluna não diferem entre si pelo teste Scott-Knott (P>0,05).

Segundo Peske (2007) o uso da espiral, além de melhorar a qualidade física, pode também melhorar a qualidade fisiológica dos lotes de sementes de soja através da separação das sementes defeituosas, atacadas por insetos e danificadas mecanicamente. Entretanto, avaliando o efeito do separador em espiral sob o dano mecânico nas sementes, percebeu-se que não houve diferença significativa entre as médias apresentadas pela testemunha e semente pura, conforme a Tabela 2. Logo o descarte continua com médias inferiores as demais, o que comprovou que o espiral apesar de estatisticamente não diferir as médias com significância, ainda sim, elimina material sem qualidade.

Tabela 2 – Médias seguidas pela mesma letra maiúsula na coluna não diferem entre si pelo teste Scott-Knott (P>0,05)

Observando os dados apresentados de dano por umidade na Tabela 3, percebeu-se que não houve diferença significativa entre as medias da testemunha, semente pura e descarte, principalmente quando avaliou – se os danos gerais de umidade (DU 1 – 8). Entretanto, quando comparou as medias dos danos na classe de sementes mortas (DU 6-8), verificou diferença entre as medias da testemunha e semente pura com a do descarte. O espiral conseguiu descartar semente que perderam qualidade por umidade.

Tabela 3 – Médias seguidas pela mesma letra maiúsula na coluna não diferem entre si pelo teste Scott-Knott (P>0,05)

Observou – se que a mesma analise de medias feitas para os danos por umidade, se repetiu para os danos por percevejo (Tabela 4). Não houve diferença significativa entre as medias da testemunha e da semente pura em todas as classes. Entretendo, percebeu-se diferença entre o descarte e os demais tratamentos. Essa diferença se deve provavelmente a pior qualidade da semente do descarte.

Tabelas 4 – Médias seguidas pela mesma letra maiúsula na coluna não diferem entre si pelo teste Scott-Knott (P>0,05)

Moreano (2013), citado anteriormente, observou que a passagem da semente através do separador espiral proporcionou um aumento no valor de peso de mil sementes, germinação, viabilidade (TZ 1-5) e vigor (TZ 1-3) das cultivares avaliadas, entretanto, essa melhora ocorreu provavelmente por terem sido eliminadas sementes vazias e mal formadas. Já na qualidade fisiológica de sementes o separador espiral não se mostrou eficaz na separação de sementes danificadas por insetos, mecânicos e umidade em todas os cultivares avaliadas.

CONCLUSÃO

Concluiu-se que o separador em espiral é importante na retirada de sementes mal formadas ou infestadas que são de baixo vigor.

REFERENCIAS

FRANÇA NETO, J.B.; KRZYZANOWSKI, F.C.; COSTA, N.P. da. O teste de tetrazólio em sementes de soja. Londrina : EMBRAPA-CNPSo, 1998. 72p.

MOREANO, T.B.; BRACCINI A.L.; SCAPIM C.A.; FRANÇA-NETO J.B.; KRZYANOWSKI F.C., MARQUES O.J. Evolução da qualidade física de sementes de soja durante o beneficiamento. Informativo ABRATES, 23:25-31, 2013.

MOREANO, T.B.; BRACCINI A.L.; SCAPIM C.A.; FRANÇA-NETO J.B.; KRZYANOWSKI F.C., MARQUES O.J. Effect of processing machines in the soybean seeds quality. Journal of seed Science, v.35, n.4, 2013

PESKE, S.T.; Beneficiamento de Sementes. Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior. Brasilia – DF, 2007. 55p.

Produção de soja no Brasil cresce 13% ao ano. Disponível em < https://www.embrapa.br/busca-de-noticias/-/noticia/25242861/producao-de-soja-no-brasil-cresce-mais-de-13-ao-ano> Acesso em 15 jul. 2017.

SCHEEREN B. R.; PESKE S.T.; SCHUCH L.O.B; BARROS A.C.A, Qualidade fisiológica e produtividade de sementes de soja. Revista Brasileira de Sementes, 32:35-41, 2010.

SILVA, J.S. Secagem e armazenagem de produtos agrícolas. 2ed. Viçosa – MG, 2008. 560p.

Informações dos autores:      

(1) Graduando do curso de bacharelado em Agronomia; Universidade do Estado de Mato Grosso – Campus de Nova Xavantina; Nova Xavantina, Mato Grosso;

(2) Drª em produção e tecnologia de sementes/Docente nas disciplinas de Produção e tecnologia de sementes, floricultura e paisagismo e Estágio curricular supervisionado; Universidade do Estado de Mato Grosso – Campus de Nova Xavantina;

(3) Engenheiro agrônomo especialista em sistema de qualidade; Universidade Federal de Mato Grosso; Cuiabá, Mato Grosso;

4) Graduando do curso de bacharelado em Agronomia; Universidade do Estado de Mato Grosso – Campus de Nova Xavantina; Nova Xavantina, Mato Grosso;

 (5) Graduando do curso de bacharelado em Agronomia; Universidade do Estado de Mato Grosso – Campus de Nova Xavantina; Nova Xavantina, Mato Grosso.

Disponível em: Anais do XXX CONGRESSO BRASILEIRO DE AGRONOMIA, Fortaleza – CE, Brasil,2017.

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