O trabalho tem como objetivo avaliar as propriedades físicas do solo sujeito a diferentes usos

Autores: Alder Delosantos Duarte Monzón(1)*; Kris Vanessa Almando Duré(1); Guido Rolando Samudio Cardozo(1); Daline Adilen Gómez Oviedo(1); Luis Felipe Samudio Cardozo(1); Danny Rubén Ríos Velázquez(1)

Trabalho publicado nos Anais do evento e divulgado com a autorização dos autores.

INTRODUÇÃO

As propriedades físicas dos solos determinam, em grande medida, a capacidade de muitos dos usos aos quais podem ser submetidos e as melhores práticas de manejo para sua conservação. As práticas de gestão inadequadas na produção agrícola, pecuária e florestal influenciam preponderantemente as propriedades físicas, químicas e biológicas do solo, modificando suas características e promovendo sua degradação.

De acordo com MAG (2008), a distribuição do uso da terra no Paraguai é ocupada primeiramente por fazendas com pastagem natural ou cultivada com aproximadamente 17.685.620 ha, agricultura com um total de 3.365.332 ha, florestas naturais e cultivadas com 9.107.867 ha, superfícies em repouso ou em pousio 472.137 ha e outros usos com 1.934.506 ha.

As características físicas do solo são parte necessária na avaliação da qualidade deste recurso, devido a que não podem ser facilmente melhorados. A qualidade do solo é mais limitada por suas características físicas (textura, estrutura, profundidade) do que por suas características químicas que são mais fáceis de modificar (PORTA et al., 2008).

A fase líquida do solo é constituída por água e solução do solo. O teor de água afeta a coesão do solo, a resistência do solo, a compactação e principalmente a disponibilidade de água para as plantas (CARTER, 2002).

A organização das partículas individuais do solo em unidades maiores torna o solo um meio poroso, o que permite estabelecer dois tipos de densidades, a densidade das partículas (mineral e orgânica) ou a densidade real e a do solo em seu conjunto ou densidade de volume ou aparente (PORTA et al., 2008).

A resistência à penetração é um indicador do nível de compactação de um solo. A compactação limita o crescimento radicular e a quantidade de ar e água disponível para as raízes (HERRICK; JONES, 2002; LAMPURLANÉS; CANTERO-MARTÍNEZ, 2003).

Considerando a influência de diferentes tipos de usos e manejo nas propriedades do solo, o presente trabalho tem como objetivo avaliar as propriedades físicas do solo sujeito a diferentes usos.

MATERIAL E MÉTODOS

O experimento foi realizado no campo da Faculdade de Ciências Agrárias da Universidade Nacional de Assunção, localizado na cidade de San Lorenzo, Departamento Central. O solo da área experimental corresponde à ordem Ultisol pertencente ao subgrupo Rhodic Paleudult de acordo com o sistema de classificação da Taxonomia do solo (LOPEZ et al., 2013). Os usos a os quais foram submetidos os solos foram considerados tratamentos, as amostras foram colhidas a uma profundidade de 0 a 10 cm com três repetições. Cada sistema produtivo foi dividido em três subparcelas (repetições) independentemente da área em que está localizada. O design implementado foi completamente aleatório (DCA).

Os tratamentos foram 5 usos diferentes da terra, tais como: Sistema de Semeadura Direta (SSD), Sistema de Semeadura Convencional (SSC), solos Florestais de Produção (SFPd), Solos de Gado (SP) e Solos Florestais de Proteção (SFPt). As variáveis avaliadas foram a umidade do solo, densidade aparente, porosidade do solo e resistência à penetração.

Os dados foram submetidos à análise de variância (ANOVA) e a comparação dos meios foram realizadas com o teste de Tukey (P<0,05), utilizando o programa estatístico InfoStat.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Umidade do solo 

A Figura 1 mostra os valores médios da umidade do solo da camada superficial (0 a 0,1 m) submetidos a diferentes usos em um Ultisol. Nela, observa-se que existe uma diferença significativa entre os diferentes usos do solo.


Figura 1. Valores médios de umidade do solo da lixa de superfície (0,1 m) em diferentes usos do solo em um Ultisol do Departamento Central.
Letras diferentes indicam diferença significativa pelo teste de Tukey com uma probabilidade de erro de 5%.

Ao realizar a comparação de meios, pode-se ver que no SFPt existe uma maior umidade, estatisticamente diferente das outras utilizações, onde atingiu um valor de 15,45%. Por outro lado, o SFPd e SP apresentaram resultados estatisticamente similares entre si, com valores de 10,37 e 10,49%, respectivamente, e superiores ao SSC e SSD que foram estatisticamente semelhantes entre si, apresentando os valores mais baixos com 5,65 e 7,56% de umidade.

MORA et al. (2011), avaliando os sistemas de preparo do solo e seus efeitos em algumas propriedades físicas, relataram que o teor de umidade na camada superficial do solo era maior no sistema de semeadura direta em comparação com o sistema de semeadura convencional, que era 2 5% maior.

Esses resultados podem ser atribuídos à permanência de resíduos na superfície do solo no sistema de semeadura direta que favorece a conservação da umidade do solo, devido ao aumento da infiltração, distribuição de tamanho de poro e enriquecimento com material orgânico no horizonte de superfície.

Densidade aparente do solo

Os valores médios da densidade aparente do solo da camada superficial (0,1 m) submetidos a diferentes usos em um Ultisol do Departamento Central podem ser vistos na Figura 2, na qual se verifica que há significância estatística entre os diferentes usos do solo.

Figura 2. Valores médios da densidade do solo da camada superficial (0,1 m) em diferentes usos do solo em um Ultisol do Departamento Central.
Letras diferentes indicam diferença significativa pelo teste de Tukey com uma probabilidade de erro de 5%.

Para a variável densidade aparente do solo, pode-se observar que os valores mais altos são encontrados no SSC e SSD, que são estatisticamente iguais unos a outros, com valores de 1,81 e 1,82 g cm-3, respectivamente. No entanto, o tratamento com SFPd produziu resultados estatisticamente semelhantes aos tratamentos acima mencionados e a SP com médias de 1,68 e 1,58 g cm-3, respectivamente. No entanto, o SFPt apresentou a menor densidade aparente com 1,25 g cm-3.

Esses resultados concordam com o que foi observado por CARBONE et al. (2009), que verificaram que o manejo e uso do solo promoveu um aumento da densidade do solo em relação a uma área sem alteração antrópica, confirmando um aumento de até 7% em relação aos solos antropicamente perturbados.

Porosidade do solo

A Figura 3 mostra os valores médios da porosidade do solo da camada superficial (0,1 m) submetidos a diferentes usos em um Ultisol do Departamento Central. Na variável mencionada, encontrou-se uma diferença estatística significativa entre os diferentes usos do solo.

Figura 3. Valores médios da porosidade do solo da camada superficial (0,1 m) em diferentes usos da terra em um Ultisol do Departamento Central.
Letras diferentes indicam diferença significativa pelo teste de Tukey com uma probabilidade de erro de 5%.

Na porosidade do solo, a variável SFPt tem a média mais alta (52,66%), que difere estatisticamente dos outros tratamentos. No entanto, o tratamento SP (40,33%) é estatisticamente superior aos tratamentos SSC e SSD (31,53 e 31,36%, respectivamente). Por outro lado, SFPd (36,70%) produziu resultados estatisticamente iguais para SP, SSC e SSD.

A redução da porosidade do solo em todos os usos da terra, em relação ao SFPt (Solos Florestais Proteção), também concorda com as observações de TORMENA et. al (1998), que verificou uma redução de até 24% no volume total de poros, em comparação com áreas que não sofreram ação antrópica.

Resistência do solo à penetração

A Tabela 1 mostra os valores médios da resistência do solo à penetração da superfície e camada subterrânea em diferentes usos do solo em um Ultisol do Departamento Central. Pode-se observar que há diferenças significativas entre os diferentes usos do solo e nas diferentes profundidades.

Com o uso de SFPd, obteve-se 2,78 MPa, sendo o tratamento com a média mais alta e superior aos tratamentos SFPt e SSC (2,11 e 2,01 MPa, respectivamente). Enquanto os tratamentos SSD e SP (2,41 e 2,40 MPa, respectivamente) foram estatisticamente iguais aos tratamentos mencionados acima.

Tabela 1. Valores médios de resistência à penetração do solo em camadas 0-0,05; 0-0.10; 0-0,15 e 0-0,20 m em diferentes usos do solo em um Ultisol do Departamento Central. 

MARQUEZ & BARRETO (2011), avaliando diferentes sistemas de gestão, observaram que a resistência à penetração do solo foi maior no sistema de semente direta (SSD) com 1,56 MPa em relação aos outros sistemas de manejo do solo (SSC e cultura mínimo) que coincide com os resultados obtidos na presente investigação.

Por outro lado, no fator de profundidade, pode-se mencionar que a areia 0,20 m tem maior resistência à penetração com uma média de 2,85 MPa e superior ao nível estatístico de ninhadas 0,10 e 0,05 m (2,23 e 1,79 MPa, respectivamente), mas semelhante à média da lâmina de 0,15 m (2,52 MPa), que não tem significância estatística para a ninhada 0,10 m. Por sua vez, as ninhadas 0,10 e 0,05 m produziram resultados estatisticamente iguales entre si.

Estes resultados concordam com o que foi obtido por KODA SUZUKI et al. (2017), onde observaram que na lâmina de 0 a 0,05 m há menor resistência à penetração com 310,7 kPa, em relação a ninhadas em maiores profundidades (0,10 a 0,15 m e 0,15 a 0,20 m), ha uma tendência ascendente, registrando 2,710,05 e 2,757,01 kPa, respectivamente.

CONCLUSÕES

Os tratamentos SFPt (Solos Florestais Protegidos), SSPd (Solos de Produção Florestais) e SP (Solos Pecuários) apresentaram maior valor na umidade e porosidade do solo, enquanto os tratamentos SSD (Sistema de Semeadura Direta) e SSC (Sistema de Semeadura Convencional) mostrou uma diminuição neles. No entanto, na densidade aparente do solo, o tratamento SFPt apresentou o menor valor em relação aos outros tratamentos.

Por outro lado, na resistência à penetração, o tratamento SSPd (Solos de Produção Florestal) apresentou o maior valor e a maior resistência foi obtida em uma profundidade de 0,20 m.


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REFERÊNCIAS

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Koda Suzuki VE, Benitez Reyes OR, Ramirez Haedo E. Monitoreo de compactación del suelo a diferentes profundidades en sistemas de siembra directa. In: II Congreso Paraguayo de Ciencia del Suelo y V Simposio Paraguayo de Manejo y Conservación de Suelos; agosto, 2017; Encarnación. Universidad Nacional de Itapúa, 2017. p.68-70

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Tormena CA, Roloff G, Sá JCM. Propriedades físicas do solo sob plantio direto influenciadas por calagem, preparo inicial e tráfego. R. Bras. Ci. Solo. 1998;22:301-309.

Informações dos autores:  

 1Estudantes de Mestrado em Ciências do Solo e Ordenamento Territorial. Facultad de Ciencias Agrarias, Universidad Nacional de Asunción.

Disponível em: Anais da XII Reunião Sul-Brasileira de Ciência do Solo. Xanxerê – SC, Brasil.

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