O objetivo do trabalho deste trabalho foi avaliar a influência de diferentes modos de aplicação de cobalto e molibdênio no desenvolvimento da cultura da soja.

Autores: GONÇALVES, R.C. 1; SANTOS, J.G. 1; PEREIRA, L.A.O.A. 1; ADORIAN, G.C. 1; NASCIMENTO, C.A.C. 1

Trabalho publicado nos Anais do evento e divulgado com a autorização dos autores.

A produção mundial de soja atingiu o número de 351,311 milhões de toneladas na safra 2016/17 em uma área plantada de 120,958 milhões de hectares sendo considerada a commodity de maior importância atualmente. O Brasil ocupa hoje o segundo lugar no ranking dos países mais produtores de soja com uma produção de 95,63 milhões de toneladas registradas na safra 2016/17, perdendo somente para os Estados Unidos com 110,45 milhões de toneladas (CONAB, 2017).

As pesquisas estão sempre voltadas para a busca de maiores produtividades com menores custos de produção. Para Sfredo (2007), a adubação da soja é um dos fatores que mais pesa no bolso do produtor, devido à alta dos fertilizantes. A soja é uma cultura muito exigente em nutrientes, portanto estes devem estar presentes no solo em quantidade equilibrada.

O molibdênio é um micronutriente que, desempenha papel fundamental na nutrição das plantas, pois sua função está relacionada com o metabolismo do nitrogênio e fazendo parte de duas metaloenzimas: a nitrogenase, que participa na fixação simbiótica do nitrogênio e a redutase do nitrato, que atua na redução do nitrato à amônia na planta (Araújo et al., 2008).

O cobalto, por sua vez, é um micronutriente necessário para a síntese da cobalamina (Vitamina B12), a qual participa das reações metabólicas para a formação da leghemoglobina, onde essa tem grande afinidade com o oxigênio, e regula sua concentração nos nódulos impedindo a inativação da enzima nitrogenase (Ceretta et al., 2005).

O Co e o Mo são indispensáveis para a eficiência da FBN, para a maioria dos solos onde a soja vem sendo cultivada. As indicações técnicas atuais desses nutrientes são para aplicação de 2 a 3g de Co e 12 a 25g de Mo ha-1(Sfredo; Oliveira, 2010).

Dessa forma, o objetivo do trabalho deste trabalho foi avaliar a influência de diferentes modos de aplicação de cobalto e molibdênio no desenvolvimento da cultura da soja.

O experimento foi realizado na Faculdade Católica do Tocantins, Campus de Ciências Agrárias e Ambientais em Palmas – TO, localizado na Rodovia TO 050, Loteamento Coqueirinho, Lote sete. Com coordenadas geográficas 48º16’34” W e 10º32’45” S em altitude de 230 m em condições de casa de vegetação .

Foi utilizada a cultivar da empresa Syngenta no qual ainda não foi lançada no mercado ciclo precoce de (105 dias) resistente a nematoides, material com alto poder produtivo. O delineamento experimental utilizado foi o DIC (delineamento inteiramente casualizado) com quatro tratamentos e oito repetições cada, sendo conduzidos em vasos de 10 litros, sendo considerado cada vaso como uma repetição, totalizando 32 unidades amostrais.


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Foram semeadas cinco sementes por vaso a uma profundidade de 3,0 cm. Após 10 dias no plantio se realizou o desbaste, mantendo duas plântulas por vaso.

Os tratamentos foram: T1: testemunha, T2: tratamento de sementes (TS) com aplicação Co e Mo. T3: Aplicação de Co e Mo via foliar no estádio V5 e T4: Aplicação Co e Mo no tratamento de semente (TS) e aplicação via foliar em V5. Como fonte de cobalto e molibdênio se utilizou o produto comercial CoMo®, na dosagem de 100 ml para cada 50 kg de sementes. As sementes independente dos tratamentos, foram tratadas com inoculante da marca comercial BioMax ® (6 x109 unidades formadoras de colônia/ml), na dose de 240 ml para cada 50 kg de sementes.

Com base na Tabela 1, nota-se que a aplicação de cobalto e molibdênio interferiu no parâmetro altura de plantas (AP), número de nódulos (NN), matéria seca da parte aérea (MSPA), matéria seca de raiz (MSR). Entretanto, houve diferença estatística apenas no número de nódulos (NN), aplicando Co e Mo no tratamento de sementes e no estágio V5.

Tabela 1. Resumo da análise de variância com as médias das variáveis e coeficiente de variação para as variáveis avaliadas altura de plantas (AP), diâmetro do caule (DC), matéria seca de raiz (MSR), matéria seca da parte aérea (MSPA), número de folhas (NF) e número de nódulos (NN) em função de diferentes modos de aplicação de Cobalto e Molibdênio na cultura da soja, avaliados no estádio R1.

Bárbaro et al. (2009) verificou também que a aplicação de Cobalto e Molibdênio via foliar em V5 e no tratamento de sementes influenciaram no aumento da produção de nódulos, ou seja, isso explica o fato de que houve um aumento significativo de numero de nódulos neste trabalho.

Segundo Marscher (1995), a aplicação de Mo na planta possibilita alguns benefícios e um deles é o desenvolvimento vegetativo. Isso ocorre, pois o micronutriente atua no processo metabólico de algumas enzimas, tais como, nitrogenase e redutase, estas que são de extrema importância na fixação biológica de nitrogênio.

No parâmetro diâmetro do caule (DC), número de folhas por planta (NF) não houve diferença estatística entre os tratamentos.

Assim, os parâmetros agronômicos matéria seca da parte aérea e número de nódulos foram afetados positivamente principalmente quando aplicado tanto via semente como foliar (TS + V5), e não diferenciando da testemunha para o incremento de matéria seca de raiz. Para o parâmetro altura de plantas não houve diferença entre os modos de aplicação.

Referências

ARAÚJO, G. A. A.; SILVA, A. A.; THOMAS, A.; ROCHA, P. R. R. Misturas de herbicidas com adubo molíbdico na cultura do Feijão. Planta Daninha, Viçosa, v.26, n.1, p.237-247, 2008.

BÁRBARO, I.M. et al. Análise de cultivares de soja em resposta à inoculação e aplicação de cobalto e molibdênio. Revista Ceres, v. 56, n. 3, 2009.

CERETTA, C. A.; PAVINATO, A.; PAVINATO, P. S.; MOREIRA, I. C. L.; GIROTTO, E.; TRENTIN, E. E. Micronutrientes na soja: produtividade e análise econômica. Ciência Rural, Santa Maria, v.35, n.3, p.576-581, mai-jun, 2005.

CONAB. Acompanhamento da safra de grãos Tocantins: Sexto levantamento da safra de grãos 2017. Disponível em: <http://www.conab.gov.br/OlalaCMS/uploads/arquivos/17_03_13_15_23_35_boletim_6o_levant amento_da_safra_de_graos_2016-2017_-_tocantins.pdf> Acesso em: 01 de novembro de 2017.

MARSCHNER, H. Mineral nutrition of higher plant. 2. ed. New York: Academic Press, 1995.

SFREDO, G. J. Hora de planejar. Revista Cultivar Grandes Culturas, n.101, 2007.

SFREDO, G.J.; OLIVEIRA, M.C.N. de. Soja: Molibdênio e Cobalto. Londrina: Embrapa Soja, 2010. 36p. (Embrapa Soja. Documentos, 322).

Informações dos autores:  

1Faculdade Católica do Tocantins.

Disponível em: Anais do VIII Congresso Brasileiro de Soja. Goiânia – GO, Brasil.

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