Avaliação de nodulação sob diferentes dias de semeadura após inoculação

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Objetivou-se pelo presente estudo avaliar qual a interferência da data de plantio sob a bactéria fixadora de nitrogênio

Autores: Pablo de Melo Almeida (2); Abrão Rodrigues de Oliveira Neto (2); Gabriel Severino da Silva (2); Pedro Ricardo Goffi (2); Wesley Carvalho Aires (2); Luís Henrique Fróes Michelin (3)

Trabalho publicado nos Anais do evento e divulgado com a autorização dos autores.

RESUMO

A fixação biológica do nitrogênio (FBN) é um processo realizado por alguns grupos de microrganismo, no qual utiliza o nitrogênio (N) como fonte de nutrição as plantas. Objetivou-se pelo presente estudo, avaliar qual a interferência da data de plantio sob a bactéria fixadora de nitrogênio, levando em consideração a quantidade de nódulos e teor de clorofila na cultura da soja. O experimento foi conduzido na casa de vegetação da área experimental da Católica do Tocantins, Campus de Ciências Agrárias e Ambientais em Palmas – TO. Foi adotado delineamento inteiramente casualizado (DIC), com 5 tratamentos e 4 repetições, dividido em diferentes épocas de semeadura, sendo, T1- semeadura no dia da inoculação; T2- semeadura um dia após a inoculação; T3- semeadura dois dias após a inoculação; T4- semeadura três dias após inoculação e T5- com quatro dias após a inoculação. Constatou-se que a data de semeadura da soja inoculada com Bradyrhizobium interfere diretamente na quantidade de nódulos, o teor de clorofila do tratamento em que a semeadura foi realizada no dia da inoculação foi o que apresentou maior média, mas não obteve diferença estatística sobre os demais tratamentos.

Termos de indexação: Viabilidade, soja, bactérias fixadoras.

INTRODUÇÃO

A soja (Glycine max L.) é uma planta da família das leguminosas originária da Ásia e que foi domesticada há cerca de 4500-4800 anos na região com o objetivo de utilizar o grão na dieta humana (Mundstock; Thomas, 2005).

O crescimento da cultura da soja no Brasil esteve sempre associado aos avanços científicos e a disponibilização de tecnologias ao setor produtivo. A mecanização e a criação de cultivares altamente produtivas adaptadas às diversas regiões, o desenvolvimento de pacotes tecnológicos relacionados ao manejo de solos, ao manejo de adubação e calagem, manejo de pragas e doenças, além da identificação e solução para os principais fatores responsáveis por perdas no processo de colheita, são fatores promotores desse avanço (Vencato et al., 2010).

O nitrogênio (N) é o nutriente requerido em maior quantidade pela cultura da soja (Glycine max L.), pois os grãos são muito ricos em proteínas, apresentando um teor médio de 6,5% N. Desse modo, para produzir 1.000 kg de grãos de soja são necessários 65 kg de N. Adicionem-se, a isso, pelo menos mais 15 kg de N para as folhas, caule e raízes, e tem-se uma necessidade de 80 kg de N. Consequentemente, para a obtenção de rendimentos de 3.000 kg de grãos/ha, são necessários 240 kg de N, dos quais 195 kg são retirados da lavoura pelos grãos. As fontes de fornecimento dessas doses elevadas de N são: 1 – o solo, principalmente pela decomposição da matéria orgânica; 2 – a fixação não biológica, resultante de descargas elétricas, combustão e vulcanismo; 3 – os fertilizantes nitrogenados; e 4 – o processo de fixação biológica do nitrogênio atmosférico (N2), (Embrapa, 2001).

A fixação biológica do nitrogênio (FBN) é um processo realizado por alguns grupos de microrganismos, que apresentam a enzima nitrogenase funcional o qual será posteriormente utilizado como fonte de nitrogênio (N) para a nutrição das plantas. A FBN se constitui na principal via de incorporação do nitrogênio à biosfera e depois da fotossíntese é o processo biológico mais importante para as plantas e fundamental para a vida na Terra. (Embrapa, [ 201-?]).

A associação simbiótica entre as raízes da soja e as bactérias do gênero Bradyrhizobium contribui com todo o nitrogênio que a soja necessita para produtividade média de aproximadamente 3.600 kg/ha, além de proporcionar valores entre 20 e 30 kg/ha de nitrogênio para a cultura em sucessão (Hungria et al., 2013).

Objetivou-se pelo presente estudo avaliar qual a interferência da data de plantio sob a bactéria fixadora de nitrogênio, levando em consideração a quantidade de nódulos e teor de clorofila.

MATERIAL E MÉTODOS

O Presente trabalho foi realizado na casa de vegetação da Católica do Tocantins, Campus de Ciências Agrárias e Ambientais em Palmas – TO, localizando-se nas coordenadas geográficas “48º16’34” W e 10º32’45” S em altitude de 230 m com clima tropical com temperaturas variando de 25° a 35ºC no ano agrícola de 2017 entre os meses de fevereiro e maio.

A cultivar utilizada foi a M 8644 IPRO, e o inoculante turfoso ATMO, da empresa MICROQUIMA, com as recomendações de 100g para 50kg de sementes.

A semeadura foi feita em vasos de 8 litros, onde o delineamento experimental foi inteiramente casualizado, sendo composto por 5 tratamentos com diferentes datas de semeadura, sendo T1- semeadura no dia da inoculação; T2- semeadura um dia após a inoculação; T3- semeadura dois dias após a inoculação; T4- semeadura três dias após inoculação e T5- com quatro dias após a inoculação. Cada tratamento contendo 4 repetições, totalizando 20 amostras.

O trabalho teve inicio no dia 16 de fevereiro, com o semeio do T1, os demais tratamentos foram semeados nos dias posteriores aos demais. A adubação foi realizada no ato da semeadura, e a de cobertura foi feita 30 dias após a emergência de cada tratamento.

Após 67 dias foram sacadas as plantas do T1 no estádio fenológico R3, onde foram avaliados os teores de clorofila e a quantidade de nódulos de cada repetição. Foram feitos os mesmo procedimentos para os demais tratamentos em seus determinados dias.

Os dados foram submetidos à análise de variância e as médias comparadas pelo teste Tukey (5%).

RESULTADOS E DISCUSSÃO

No experimento realizaram-se avaliações no estádio R3 da cultura, os resultados foram analisados pelo programa assistat, para se observar se houve ou não diferenças entre os tratamentos, posteriormente realizou-se uma comparação entre os mesmos para se obter com precisão a interferência da data de semeadura na fixação biológica de nitrogênio (FBN).

Na tabela 1 demonstra a analise de variância da quantidade de nódulos por tratamento, obtendo resultados significativos ao nível de 5% (**), observando que entre os tratamentos houve diferenciação estatística.

Tabela 1: Resumo do quadro de análise da quantidade de nódulos. Palmas – TO 2017.

Na tabela 2 mostra a média da quantidade de nódulos por tratamentos, no qual o T1 (Semeadura logo após a inoculação) obteve uma melhor média dentre os demais, os tratamentos T2, T3, T4 e T5 não diferiram estatisticamente entre si, o que demonstra que há interferência na data de semeadura para a viabilidade das bactérias fixadoras de nitrogênio.

Tabela 2: Médias de quantidade de nódulos por tratamento. Palmas – TO 2017.

Na tabela 3 demonstra a analise do teor de clorofila por tratamento, obtendo resultados significativos ao nível de 1% (*), observando que entre os tratamentos houve diferenciação estatística.

Tabela 3: Resumo do quadro de análise do teor de clorofila por tratamento. Palmas – TO 2017.

Na tabela 4 mostra a média do teor de clorofila por tratamentos, no qual o T1 (Semeadura logo após a inoculação) obteve uma melhor média dentre os demais, más, não se diferencia estatisticamente entre os demais, o que demonstra que a data de semeadura não interfere em relação ao teor de clorofila na folha.

Tabela 4: Médias do teor de clorofila por tratamento. Palmas – TO 2017.

CONCLUSÃO

A data de semeadura da soja inoculada com Bradyrhizobium interfere diretamente na quantidade de nódulos, o teor de clorofila do tratamento em que a semeadura foi realizada no dia da inoculação foi o que apresentou maior média, mas não obteve diferencia estatística sobre os demais tratamentos.

REFERÊNCIAS

BONETTI, L. P. Distribuição da soja no mundo : origem, história e distribuição. In : MIYASAKA, S.; MEDINA, J.C. (Ed.). A soja no Brasil. Campinas : ITAL, p. 1-6, 1981.

FIXAÇÃO BIOLÓGICA DE NITROGÊNIO NA CULTURA DA SOJA. Disponivel em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/bitstream/doc/459673/1/circTec35.pdf>. Acesso em 16 Fev. 2017.

FIXAÇÃO BIOLÓGICA DE NITROGÊNIO. Disponível em: < https://www.embrapa.br/tema-fixacao-biologica-de-nitrogenio/nota-tecnica>. Acesso em 16 de Fev. 2017.

HUNGRIA, M.; CAMPO, R.J.; MENDES, I.C. A importância do processo de fixação biológica do nitrogênio para a cultura da soja: componentes essenciais para a competitividade do produto brasileiro. Londrina: Embrapa Soja, 2007. 80p. (Embrapa Soja. Documentos, 283).

LOUREIRO, M.F.; SANTOS, E.N.; HUNGRIA, M.; CAMPO, RJ Efeito da reinoculação e da adubação nitrogenada no rendimento da soja em Mato Grosso. Londrina: Embrapa Soja, 2001. 4p. (Embrapa Soja. Comunicado Técnico, 74).

MUNDSTOCK, C. M.; THOMAS, A. L. Soja: fatores que afetam o crescimento e o rendimento de grãos. Porto Alegre: Departamento de plantas de lavouras da Universidade Federal do Rio Grande do Sul: Evangraf, 2005.

VENCATO, A. Z., et al. Anuário Brasileiro da Soja 2010. Santa Cruz do Sul: Ed. Gazeta Santa Cruz, p. 144, 2010.

Informações dos autores:      

(2) Discentes do Curso de Agronomia da Católica do Tocantins;

(3) Docente do Curso de Agronomia da Católica do Tocantins.

Disponível em: Anais do XXX CONGRESSO BRASILEIRO DE AGRONOMIA, Fortaleza – CE, Brasil,2017.

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