Avaliação do vigor de sementes de soja na Região de Porto Nacional, TO

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O presente trabalho teve como objetivo avaliar o vigor de lotes de sementes de soja produzidas na região de Porto Nacional, TO

Autores: Carlos Henrique Rodrigues Azevedo(2); Dalila Lopes da Silva (2); José Francisco de Sousa Ferreira (2); Marcos Morais Soares (3)

Trabalho publicado nos Anais do evento e divulgado com a autorização dos autores.

RESUMO

A qualidade fisiológica das sementes é a sua capacidade de desempenhar funções vitais caracterizadas pela germinação, vigor e longevidade. O uso de testes de vigor é de grande utilidade no monitoramento da qualidade das sementes, a partir da maturidade, pois a queda do vigor precede a perda de viabilidade.

O vigor de sementes é tido como aquela propriedade das sementes que determina o potencial para uma emergência rápida e uniforme e para o desenvolvimento de plântulas normais sob uma ampla faixa de condições de campo. A semente é insumo básico que deve atender aos requisitos de qualidade fisiológica para garantir o estabelecimento de cultivos com alta produtividade.

O presente trabalho teve como objetivo avaliar o vigor de lotes de sementes de soja produzidas na região de Porto Nacional, TO. Foram utilizadas 35 lotes de cultivares de soja da safra 2015/2016. As variáveis analisadas foram: Primeira contagem da germinação; Envelhecimento acelerado; Emergência das plântulas; Índice de velocidade emergência das plântulas; Velocidade de emergência.

O experimento foi conduzido em um delineamento inteiramente casualizado com quatro repetições. As médias foram comparadas por meio do critério de agrupamento de Scott-Knott (p<0,05). As cultivares BMX 8473 RR (Lote 2), ST 815 RR (Lote 2), SYN 1088 RR (Lote 2), MSoy 8473 IPRO (Lote 1), MSoy 8473 IPRO (Lote 2), MSoy 9144 RR, NA 8015 RR, CD 251 RR, TMG 132 (Lote 2), TMG 132 (Lote 3) e W712, foram classificadas como de alto vigor, dentre as cultivares analisadas.

Termos de indexação: Qualidade, cultivares, lotes.

INTRODUÇÃO

A soja é a cultura agrícola brasileira que mais cresceu em área semeada no país e ainda a principal oleaginosa produzida em território nacional (CONAB, 2016). A semente de soja, para ser considerada de alta qualidade, deve ter excelentes características fisiológicas e sanitárias, como altos níveis de vigor, germinação e sanidade, bem como garantia de pureza física e varietal. Estes fatores respondem pelo desempenho das sementes no campo, culminando com o estabelecimento da população de plantas requerida pela cultivar, aspecto fundamental que contribui para que sejam alcançados níveis altos de produtividade (França Neto et al. 2010).

Entre as exigências, a principal é a qualidade das sementes produzidas, pois nelas se encontram todos os genes que caracterizam a espécie e a cultivar. Para se obter sementes de qualidade, a produção deve ser realizada com controle rigoroso sobre todos os fatores que possam reduzir a qualidade. Este controle se estende até a comercialização, de forma a garantir a qualidade genética, fisiológica, sanitária e a pureza física (Panoff, B., 2013).

Apesar da crescente expansão territorial e de produção agrícola, esta cultura, assim como outras, apresenta um potencial de rendimento e qualidade influenciados por fatores externos e internos durante o cultivo (Alves et al., 2017). A semente é um ser vivo e o processo de deterioração é inevitável e irreversível e a sua qualidade deve ser prolongada e nunca comprometida pelo tratamento como reportado por Barros et al. (2011).

O vigor pode ser posicionado como parâmetro de qualidade fisiológica ou mesmo do potencial que esta semente obtém, possibilitando o diagnostico de sucesso ou não de uma área de cultivo posterior a sua semeadura ou mesmo durante o seu tempo de armazenagem (Junior, 2005).

Devido a semente ser um insumo básico, deve-se atender aos requisitos de qualidade fisiológica para garantir o estabelecimento de cultivos com alta produtividade. Sendo assim o presente trabalho teve como objetivo avaliar o vigor de lotes de sementes de soja produzidas na região de Porto Nacional, TO.

MATERIAL E MÉTODOS

A pesquisa foi conduzida no Complexo de Ciências Agrárias – CCA/UNITINS, localizada no Centro Agrotecnológico de Palmas, na rodovia TO-080, km 10, Palmas – TO, os materiais utilizados foram cultivares colhidas na safra 2015/2016 do Município de Porto Nacional – TO.

Primeiramente, realizou-se um levantamento das empresas produtoras de sementes de soja da região do Matopiba, que fornecem sementes para a região de Porto Nacional – TO. Em seguida, coletou-se lotes de inúmeros cultivares de soja de cada empresa. Além disso, também foram coletadas amostras de lotes de sementes de alguns produtores rurais que produzem a sua própria semente de soja no município de Porto Nacional.

Todas as amostras foram identificadas e submetidas aos seguintes testes para avaliação do vigor:

Primeira contagem da germinação (PCG)– corresponde à porcentagem de plântulas normais no quinto dia após a instalação do teste de germinação (Marcos Filho, 1990; Brasil, 2009);

Envelhecimento acelerado (EA) – as sementes foram colocadas em camada única, de modo a preencher totalmente a tela acoplada ao interior da caixa Gerbox, a qual contem, ao fundo, 40 mL de água destilada. As caixas Gerbox com as sementes foram tampadas e mantidas a 41°C por 48horas (Mar cos Filho, 1994). Decorrido o período de envelhecimento, quatro repetições de 50 sementes foram submetidas ao teste de germinação (Brasil, 2009). As amostras não apresentaram variação no teor de água superior a 2,0%. No quinto dia foi realizada a avaliação do teste e registrada a porcentagem de plântulas normais;

Emergência das plântulas (E) – quatro subamostras de 50 sementes por tratamento foram semeadas em bandejas plásticas contendo o mesmo solo como substrato, na profundidade de três centímetros. A contagem das plântulas emergidas foi realizada aos doze dias após a semeadura, segundo Nakagawa (1994). O resultado foi expresso em porcentagem de plântulas normais;

Índice de velocidade de emergência das plântulas (IVE) – foi realizado junto com o teste de emergência. Diariamente, as plântulas emergidas foram contadas até o estabelecimento do estande, no décimo segundo dia após a instalação do teste. O índice de velocidade de emergência das plântulas foi calculado segundo Maguire (1962); Velocidade de emergência (V.E.) – com as determinações utilizadas para o cálculo do I.V.E., determinaram também a velocidade de emergência, utilizando-se a fórmula proposta por Edmond &Drapala (1958).

RESULTADOS E DISCUSSÃO

A partir dos resultados encontrados nas avaliações percebe-se que todos os parâmetros analisados foram significativos a nível de 1% de probabilidade pelo teste de Scott-Knott (Tabela 1).

Tabela 1. Resumo da análise de variância de diversas características da qualidade fisiológica de sementes de 35 cultivares de soja, produzidas na região do Matopiba, na safra 2015/2016.

No teste de Primeira Contagem da Germinação (PCG), 51,43% das cultivares analisadas apresentam uma percentagem de plântulas normais acima de 80% (Tabela 3). A cultivares BMX 8473 RR (Lote 02), CD 251 RR, MSoy 8473 IPRO (Lote 01), MSoy 8473 IPRO (Lote 02), MSoy 9144 RR, NA 8015 RR, ST 815 RR (Lote 02), SYN 1080 RR (Lote 2), TMG 132 (Lote 02), TMG 132 (Lote 03) apresentaram uma PCG maior que 90% (Tabela 2).

Ainda na (Tabela 2), das 35 cultivares analisadas, 48,57% apresentaram uma percentagem de plântulas emergidas (E) superior a 90%. Destaque para as cultivares MSoy 8473 IPRO (Lote 01), MSoy 8473 IPRO (Lote 02) e TMG 132 (Lote 02), que apresentaram 99, 98 e 97% de E, respectivamente. Para o Índice de Velocidade de Emergência (IVE) as cultivares CD 251 RR, M 9144 RR e SYN 1080 RR tiveram os melhores resultados. Quanto maior o valor do IVE, maior será o vigor para essa característica avaliada, pois significa na prática que um maior número de plântulas emergiram por dia. Em relação a velocidade de emergência (VE), a cultivares com melhor resultados foram a MSoy 8473 IPRO (Lote 01), SYN 1080RR, MSoy 9144RR, MSoy 8473 IPRO (Lote 02), TMG 2185 e TMG 2181 IPRO (Lote 3), onde cada cultivar demorou 3,20, 3,38, 3,44, 3,55, 3,92 e 4,29 dias para estabelecer a sua emergência final, respectivamente. Quanto menor o valor de VE, melhor será o vigor do lote, pois menos dias o lote precisará para emergir e estabelecer o estande no campo.

Tabela 2. Comparação de médias de diversas características da qualidade fisiológica de sementes de 35 cultivares de soja, produzidas na região de Porto Nacional – Tocantins, na safra 2015/2016. 

Estudos demonstram que sementes de alto vigor apresentam maior velocidade de emergência (VE), enquanto os de médio, valores intermediários e os de baixo vigor valores estatisticamente menores.

De acordo com Vieira (2003), essa menor velocidade de emergência devesse ao fato de que uma semente de menor vigor, antes de dar início ao crescimento do eixo embrionário, durante o processo de germinação, promove a restauração das organelas e tecidos danificados, de maneira que o tempo consumido nesse processo acaba por ampliar o período de tempo total para que a emergência ocorra.

O estabelecimento da lavoura com estande de plantas desejado, de maneira uniforme e com predominância de plântulas vigorosas só é possível com a utilização de sementes com alto potencial fisiológico. Essas características são essenciais para assegurar o desempenho adequado das plantas, podendo afetar a uniformidade do desenvolvimento, o rendimento final da cultura e a qualidade do produto (Marcos Filho, 2015).

A utilização de lotes de semente de baixo vigor, normalmente provoca queda na produtividade, causando desuniformidade no estabelecimento de plantas e estande abaixo do recomendado para determinada cultivar. Assim, o baixo vigor das sementes tem sido associado a reduções na velocidade e desuniformidade de emergência, reduções no tamanho inicial das plântulas, na produção de matéria seca, na área foliar e nas taxas de crescimento da cultura (Machado, 2002).

As cultivares BMX 8473 RR (Lote 2), ST 815 RR (Lote 1), ST 815 RR (Lote 2), SYN 1088 RR (Lote 1), MSoy 8473 IPRO (Lote 1), MSoy 8473 IPRO (Lote 2), TMG 1288 (Lote 1), TMG 132 (Lote 1), TMG 132 (Lote 2), W 711 e W712, apresentaram um melhor desempenho no teste de envelhecimento, com valores superiores a 80% (Tabela 2).

O vigor de um lote não pode ser expresso somente por um teste, e sim pelo somatório do resultado positivo ou negativo de vários testes (Marcos Filho, 2015), com isso, podemos classificar as cultivares BMX 8473 RR (Lote 2), ST 815 RR (Lote 2), SYN 1088 RR (Lote 2), MSoy 8473 IPRO (Lote 1), MSoy 8473 IPRO (Lote 2), MSoy 9144 RR, NA 8015 RR, CD 251 RR, TMG 132 (Lote 2), TMG 132 (Lote 3) e W712, como de alto vigor, ou seja, 31,43% das cultivares analisadas.

CONCLUSÕES

As cultivares BMX 8473 RR (Lote 2), ST 815 RR (Lote 2), SYN 1088 RR (Lote 2), MSoy 8473 IPRO (Lote 1), MSoy 8473 IPRO (Lote 2), MSoy 9144 RR, NA 8015 RR, CD 251 RR, TMG 132 (Lote 2), TMG 132 (Lote 3) e W712, foram classificadas como de alto vigor dentre as cultivares estudadas.

REFERÊNCIAS

ALVES E.;. AGUIAR, E; PEREIRA, C.; MOREIRA, I.; FILHO, L. C. L.; SANTINI, J. M. K. Efeito do tratamento químico com inseticida/fungicida e polímero na qualidade fisiológica da semente de soja. 2017. Rev. Científica, N.5 V.1 (2017).

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Informações dos autores:      

(1)Trabalho executado com recursos do CNPq;

(2)Estudante de Engenharia Agronômica na Universidade Estadual do Tocantins – UNITINS, Palmas Tocantins;

(3)Professor da Universidade Estadual do Tocantins – UNITINS, Palmas Tocantins

Disponível em: Anais do XXX CONGRESSO BRASILEIRO DE AGRONOMIA, Fortaleza – CE, Brasil,2017.

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