Avaliação dos componentes de rendimento da cultura do milho sobre diferentes tipo de cobertura de solo

3041

Este trabalho teve por objetivo avaliar a interferência da cobertura de Poaceae e Fabaceae no desenvolvimento e na produção da cultura do milho

Autores: Mateus Luiz Secretti(2); Jackeline Matos do Nascimento(3); Milto Dias da Silva(4); João Moraes Vedovato(4); Wellyton da Silva Dutra(4); Yan Augusto Amaral Gomes(4)

Trabalho publicado nos Anais do evento e divulgado com a autorização dos autores.

RESUMO

O desenvolvimento da agricultura e a necessidade de buscar maiores produtividades têm incentivado diversos produtores rurais a fazerem uso de técnicas que proporcionam a manutenção ou a melhoria do potencial produtivo dos sistemas agrícolas. Com objetivo de avaliar a interferência da palhada de Poaceae e Fabaceae no desenvolvimento e na produção da cultura do milho, foi realizado entre dezembro de 2015 e julho de 2016, um experimento em campo no Centro Universitário da Grande Dourados (UNIGRAN). O delineamento utilizado foi em blocos casualizados com quatro tratamentos e quatro repetições. O milho foi semeado em 15 de março de 2016 no espaçamento de 0,90 m sem adubação, perfazendo aproximadamente 55.000 plantas por hectare.

Os tratamentos foram quatro espécies de plantas de cobertura:

T1 milheto (Pennisetum americanum L);

T2 soja (Glycine max);

T3 crotalária (Crotalaria spectabilis);

T4 braquiária (Brachiaria ruziziensis), implantadas em dezembro de 2015 .

As parcelas tinham 5,00 m de largura por 16,00 m de comprimento. As variáveis analisadas foram altura de planta, altura de inserção de espiga, comprimento de espiga, diâmetro de espiga, número de fileiras por espiga, número de grãos por fileira, massa de 1000 grãos e produtividade.

Os dados foram avaliados pelo programa computacional ASSISTAT, versão 7.7 beta, e as médias comparadas estatisticamente pelo teste de Tukey ao nível de 5% de probabilidade. A produtividade do milho não é afetada quando cultivada em sucessão há diferentes coberturas. O cultivo de milho sobre cobertura de solo com soja promove maior altura da inserção de espiga.

Termos de indexação: Produtividade, Poaceae, Fabaceae.

INTRODUÇÃO

O milho (Zea mays L.) é uma planta de clima tropical, estudos indicam que sua origem tenha sido no México provavelmente América Central (Duarte, 2006; apud Silva, 2014).

O nitrogênio (N) por ser um nutriente absorvido em maior quantidade pelo milho e o que mais influencia na sua produtividade, por esta razão, resíduos com maior relação C/N, como os de culturas comerciais, ou de plantas de cobertura, deverá ser mais utilizado em plantio direto, pois quanto maior essa relação, mais lenta a decomposição dos resíduos (Calegari et al., 1993).

De acordo com Monegat, (1991), É recomendável e benéfico utilizar espécies de decomposição rápida em associação com as de decomposição mais lenta, pois esta técnica permite trabalhar com plantas da família das Fabaceae e Poaceae que através de suas folhas verdes e sistema radicular capita nitrogênio e cicla nutrientes com a finalidade de assegurar ou aumentar a capacidade produtiva do solo de forma gradativamente.

As plantas de cobertura são responsáveis pela qualidade e incrementos do teor de matéria orgânica, pela atividade biológica do solo, pela melhora na estrutura do solo, seu manejo promove boa disponibilidade de nutrientes aos plantios subsequentes (Carvalho et al, 2006).

Dentre elas temos as Poaceae Milheto (Pennisetum glaucum L.) e braquiária (Brachiaria ruziziensis cv), com seu sistema radicular fasciculado e profundo, melhora a estrutura do solo, cicla nutrientes e disponibiliza grande quantidade de palhada. As Fabaceae soja (Glicyne Max L.), Crotalária spectabilis (Crotalaria spectabilis Roth), é muito bem aproveitada no sistema de rotação pelo efeito residual que fica no solo e proporciona ganhos expressivos de produtividade e por ter um papel fundamental como fixadora biológica de nitrogênio (FBN) em associação com bactéria (Carvalho et al, 2006).

Este trabalho teve por objetivo avaliar a interferência da cobertura de Poaceae e Fabaceae no desenvolvimento e na produção da cultura do milho.

MATERIAL E MÉTODOS

O trabalho foi conduzido na área experimental da UNIGRAN (Centro Universitário da Grande Dourados) localizada no município de Dourados-MS, no período de dezembro de 2015 a julho de 2016. A classificação do solo da área é um Latossolo vermelho Distroférrico de textura argilosa.

O experimento foi em Delineamento em Blocos Casualizados (DBC), com quatro tratamentos e quatro repetições. A dimensão das parcelas tinham 5 m de largura x 16 m de comprimento, com área total de 1280 m2.

Os tratamentos foram: T1: Milheto (Pennisetum americanum L.) ADR 40, a densidade foi de 240.000 plantas ha-1; T2: Soja (Glycine max) Intacta 6410 a densidade foi de 320.000 plantas ha-1, 14 plantas m-1 com 45 cm de espaçamento; T3: Crotalária spectabilis (Crotalaria spectabilis), 30 sementes por metro linear com 40 cm espaçamento entre linhas; T4: Braquiária (Brachiaria ruziziensis), foi de 8 kg ha-1, 15 plantas m2.

A semeadura das espécies de cobertura do solo foi realizada em dezembro de 2015 após gradagem da área ,quando as espécies apresentaram 50% de floração, as plantas foram roçadas, acumulando massa seca até a semeadura do milho. Foram retiradas duas amostras aleatoriamente com uma moldura de arame de 50 cm de lado de cada tratamento totalizando 0,50 m2, acondicionou em sacos de papel craft, para determinação da massa verde e posteriormente massa seca.

O híbrido utilizado para o plantio foi Syngenta Feroz Viptera, realizado em 15 de março com 5 sementes por metro linear, sem adubação, com espaçamento de 90 cm entre linhas, totalizando 55.000 plantas ha-1.

Produtividade: Kg ha-1= nº de fileiras x nº grãos x massa de mil grãos (Kg) x população/ 1000.

As avaliações foram realizadas em duas linhas centrais de 5,0 m perfazendo a área útil de cada parcela, as avaliações foram:

 Altura de planta: foi determinada com uma trena, tomando-se a medida da superfície do solo até a inserção da folha bandeira.

 Altura de inserção de espiga: foi determinada com uma trena, tomando-se a medida do solo até a base da espiga.

 Comprimento de espiga: foi determinado com régua graduada em centímetros, mensurada da base até o ápice da espiga.

 Diâmetro de espiga: medido com um paquímetro em milímetros, tomando-se a medida na parte central da espiga.

 Número de fileiras por espiga: obtido por meio da contagem do número fileiras em cada espiga ao qual foi obtido à média.

 Número de grãos por fileira: obtido por meio da contagem média do número de grãos em todas as fileiras.

 Massa de 1000 grãos: foi obtida por meio da pesagem de 12 espigas repetidas em cada tratamento obtido da área útil.

 Produtividade de grãos: foram obtidos após a colheita das espigas dentro da área útil, que corresponderam às duas linhas centrais com cinco metros de comprimento dentro de cada parcela, valores extrapolados para Kg ha-1.

Os dados foram submetidos à análise de variância, com a utilização do programa Assistat 7.7 beta (Silva, 2014), para comparação das médias foi utilizado o teste de Tukey a 5% de probabilidade.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Para os tratamentos milheto, soja, crotalária e braquiaria não houve diferença significativa quanto ao teor de massa seca (tabela 1).

Tabela 1. Matéria verde e seca (Kg ha-1) das forrageiras antecessoras a culturas do milho por ocasião de 50% de seu florescimento.

Silva et al. (2009), ao avaliarem o aproveitamento de N pelo milho, em razão da adubação verde com Fabaceae e Poaceae, concluíram que o aproveitamento do N da palha de Fabaceae pelo milho foi maior que o da palha de Poaceae, promovendo uma maior altura da planta, diâmetro e comprimento da espiga, número de fileiras, grãos da espiga, massa de grãos e produtividade, diferindo dos resultados encontrado no experimento.

As plantas da familia Poaceae por terem uma relação C/N maior (milheto 38; braquiária 30) que as da familia Fabaceae (soja 15; crotalária 18), retarda a decomposição da palhada. (Fabian et al., 2008). A maior deposição de restos vegetais na superfície do solo provavelmente permitiu maior retenção de umidade e imobilização de N pelos microrganismos, visto que, nos tratamentos verificou-se visualmente maior permanência do material (tabela 1), e tendente maior manutenção da umidade do solo, com tratamento de milheto obtendo maio quantidade de massa verde e seca com pouca diferença para soja, crotalária e braquiária, que tiveram menor quantidade de massa seca depositadas no solo.

O comprimento e diâmetro médio das espigas não apresentaram variação em função dos tratamentos (tabela 2), resultados diferentes constatado por Santos et al. (2010), que dizem que a adubação verde influência de forma significativa no diâmetro e no comprimento de espigas. Ohland et al. (2005), ao estudarem a influência de culturas de cobertura do solo, verificaram que o milho semeado após Fabaceae proporcionou incrementos no diâmetro da espiga, diferindo dos resultados obtidos com os tratamentos de Fabaceae estudados. De acordo com Ohland et al. (2005), o comprimento e diâmetro da espiga são características que determinam o potencial de produtividade da cultura do milho.

Tabela 2. Valores médios de altura da planta (AP), altura de inserção da espiga (AIE), diâmetro da espiga (DE), comprimento da espiga (CE), número de fileiras por espigas (Nº FE), número de grãos por fileiras (Nº GF), massa de mil grãos (M mil G) e produtividade (PRD).

De acordo com Silva et al. (2006) para a cultura do milho em sucessão as forrageiras do tipo Poaceae em ótima condições climáticas, promoveu maior altura da planta e é considerado um parâmetro que expressa o desenvolvimento da cultura, e ainda tem correlação positiva com a produtividade. O mesmo não foi verificado no experimento, pois não se observou diferença na altura de plantas e nem na produtividade.

Para os componentes de produção, observa-se na tabela 2 que a produção total em Kg ha-1 não diferiu entre os tratamentos, as plantas de milho cultivadas sobre a palhada de plantas de cobertura apresentaram características iguais para número de espigas, produtividade de espigas e peso médio de grãos. Esse comportamento pode ser atribuído à elevada razão C/N dos resíduos das Poaceae (milheto 38; soja 15; crotalária 18; braquiária 30; como afirmaram Fabian et al. (2008), pois imobiliza boa parte do N do solo, pela ação dos microrganismos que atuam na decomposição de resíduos, reduzindo a disponibilidade desse nutriente no solo e, consequentemente, para o milho (Silva et al., 2006).

CONCLUSÕES

Não há diferença na produtividade de milho cultivado sob diferentes plantas de cobertura.

REFERÊNCIAS

CALEGARI, A.; ALCÂNTARA, P. B.; MIYASAKA, S.; et al. Caracterização das principais espécies de adubos verde. In: COSTA, M. B. B. da. (Coord.). Adubação verde no sul do Brasil. Rio de Janeiro: AS-PTA, 1993. p. 206-319.

CARVALHO, A. M.de. ; AMABILE, R. F. Cerrado Adubação verde. Planaltina, DF: Embrapa Cerrados, p. 23-36, 2006.

FABIAN, A.J.; CORÁ, A.J.; TORRES, J.L.R.; et al. Produção e Decomposição de Fitomassa de Plantas de Cobertura em Plantio Direto no Cerrado. In: XVII REUNIÃO BRASILEIRA DE MANEJO E CONSERVAÇÃO DO SOLO E ÁGUA, Rio de Janeiro-RJ, 2008. Anais… Rio de Janeiro-RJ, SBCS/EMBRAPA Solos-RJ, 2008.

MONEGAT, C. Plantas de cobertura do solo: características e manejo em pequenas propriedades. Chapecó: Ed.do Autor, 1991. 337p.

OHLAND, R. A. A.; SOUZA, L. C. F.; HERNANI, L. C.; et al. Culturas de cobertura do solo e adubação nitrogenada no milho em plantio direto. Ciência e Agrotecnologia, Lavras, v. 29, n. 3, p. 538-544, 2005.

SANTOS, P. A.; SILVA, A. F.; CARVALHO, M. A. C.; et al.(2010). Adubos verdes e adubação nitrogenada em cobertura no cultivo do milho. Revista Brasileira de Milho e Sorgo, 9, 123-134.

SILVA, D. A.; VITORINO, A. C. T.; SOUSA, L. C. F.; et al. (2006). Culturas antecessoras e adubação nitrogenada na cultura do milho, em sistema de plantio direto. Revista Brasileira de Milho e Sorgo, 5, 75-88.

SILVA, E. D.; MURAOKA, T.; VILLANUEVA, F. C. A.; et al. (2009). Aproveitamento de nitrogênio pelo milho, em razão da adubação verde, nitrogenada e fosfatada. Pesquisa Agropecuária Brasileira, 44, 118-127. Disponível em: <http://dx.doi.org/10.1590/S0100-204X2009000200002>. Acessado em 07 jul. 2016.

Informações dos autores:      

(1) Trabalho executado com recursos próprios.

(2) Docente do Curso de Agronomia; Centro Universitário da Grande Dourados – UNIGRAN; Dourados, Mato Grosso do Sul;

(3) Docente do Curso de Agronomia do Centro Universitário da Grande Dourados UNIGRAN;

(4) Acadêmico do Curso de Agronomia da Faculdade de Ciências Exatas e Agrárias do Centro Universitário da Grande Dourados;

Disponível em: Anais do XXX CONGRESSO BRASILEIRO DE AGRONOMIA, Fortaleza – CE, Brasil,2017.

1 COMENTÁRIO

DEIXE UMA RESPOSTA

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.