Sendo assim, objetivou-se avaliar o efeito da aplicação de diferentes doses de nitrogênio com e sem inoculante com base de Azospirillum brasilense em milho chipá (Zea mays L. var. amylacea).

Autores: Derlis Enciso Santacruz(1), Eugenio González Cáceres(1), Alder Delosantos Duarte Monzón(1), Laura Raquel Quiñonez Vera(2), Jimmy Walter Rasche Álvarez(2), Carlos Andrés Leguizamón Rojas(2), Juan José Bonnin Acosta(2)

Trabalho publicado nos Anais do evento e divulgado com a autorização dos autores.

INTRODUÇÃO

No Paraguai, o milho tem uma alta importância econômica e social (MAG, 2010).
O nitrogênio é um dos elementos essenciais na nutrição do milho, sendo o elemento limitante mais comum na produção desta cultura (PAREDES, 2013). O mesmo autor, afirma que existem micro-organismos capazes de fixar nitrogênio atmosférico associado a gramíneas, como é o caso do Azospirillum, podendo suprir até 30% do nitrogênio que a planta precisa.

No caso do Azospirillum, está demonstrado que o efeito benéfico do mesmo é devido maiormente à capacidade que possui as bactérias de produzir fitormõnios que permitem um melhor desenvolvimento do sistema radicular e, por tanto, a possibilidade de explorar um maior volume de solo.

Portanto, uma alternativa para suprir as necessidades de N no milho e por sua vez, reduzir possíveis problemas ambientais causados pelo excesso de fertilizações nitrogenadas, é a associação de plantas com bactérias promotoras de crescimento (PGPR) (GARCÍA et al., 2011).

Sendo assim, objetivou-se avaliar o efeito da aplicação de diferentes doses de nitrogênio com e sem inoculante com base de Azospirillum brasilense em milho chipá (Zea mays L. var. amylacea).

MATERIAL E MÉTODOS

A pesquisa foi realizada em uma área de um produtor, localizada a 330 quilômetros de Assunção, no distrito de Ybyrarobana, departamento de Canindeyú.

O experimento foi realizado em um solo com topografia plana, é classificado como Arenic Rhodic Paleudult, de textura arenosa, com fertilidade média e teor de matéria orgânica baixa (LÓPEZ et al., 1995).

Para determinar os teores de nutrientes no solo da parcela prévio à instalação do experimento, a amostragens de solo foi realizada na profundidade de 0-0,20 m, sendo determinado o pH em água; fósforo disponível (P), potássio (K) e sódio (Na), que foram extraído pelo método de Mehlich 1. Já a matéria orgânica (MO) pelo método de Walkley & Black. O alumínio (Al); cálcio (Ca) e magnésio (Mg) foi extraído em Cloreto de Potássio (KCl), os resultados foram: pH= 5,08; MO= 0,9 %; Na+=0,02 cmolcdm-3; Ca+2=1,0 cmolcdm-3; Mg+2=0,9 cmolcdm-3 K+=0,11 cmolcdm-3; Al+3+H+=0,63 cmolcdm-3; P=9,0 mg kg-1.

Durante o período do experimento (27 de setembro de 2015 a 6 de fevereiro de 2016), registraram-se precipitações de 1136 mm com chuvas bem distribuídas ao longo do período da cultura de milho (Figura 1), se atingindo satisfatoriamente os exigências hídricas da cultura de 550 a 800 mm (RIVETTI, 2007).

Figura 1. Precipitação pluviométrica, temperatura média, máxima e mínima mensal de setembro de 2015 a fevereiro de 2016. Canindeyú, 2016 (Fonte:Instituto Paraguaio de Tecnologia Agrícola, 2016).

O delineamento experimental utilizado foi de blocos ao acaso, com disposição fatorial em parcelas divididas, sendo o fator 1(parcela principal) (com e sem Azospirillum), e fator 2 (Sub parcela), dose de N (0, 30, 60, 90, 120, 150 kg ha-1 de N), com quatro repetições totalizando 48 unidades experimentais. Cada unidade experimental tinha uma dimensão de 5 m de comprimento x 3,5 m de largura, com uma área total de 840 m2.

O sistema de manejo de solo adotado foi o de preparo convencional. Para corrigir a acidez do solo, um mês antes da semeadura foi aplicado 1000 kg ha-1 de calcário dolomítico com PRNT de 90%.

Para se atingir às necessidades nutricionais da cultura, foram aplicados 90 kg ha-1 de superfosfato triplo e 70 kg ha-1 de cloreto de potássio. Para o fator 2, a fertilização nitrogenada foi aplicada uréia em duas ocasiões, na semeadura e em cobertura aos 45 dias após a semeadura e para o fator 1, a inoculação de Azospirillum foi realizada nas sementes de milho, sem tratamento químico, e utilizando o 100% de Azospirillum de acordo com a recomendação do fabricante (3 mL kg-1 de semente de milho).

O milho foi semeado na segunda metade de setembro de 2015, com espaçamento de 0,70 m entre fileiras e 0,25 m entre plantas. A variedade utilizada foi a variedade de amylacea. As variáveis avaliadas foram: Diâmetro da espiga (DE), de dez plantas selecionadas aleatoriamente de cada unidade experimental, foi medido com um paquímetro e os resultados expressados em mm, e o produtividade de grão (PR), que foi determinado a partir da colheita das linhas centrais da área útil de 2,1 m2 e os resultados expressados em kg ha-1.

Os valores obtidos foram submetidos a análise de variância (ANAVA), com comparação de médias realizadas pelo teste Tukey, com 5% de probabilidade de erro, ou correlação no caso das doses de N, usando o programa estatístico INFOSTAT.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Na Figura 2, pode-se observar que não houve diferença significativa para a variável diâmetro de espiga, sem e com a aplicação do inoculante à base de Azospirillum brasilense.
Os resultados das médias correspondentes ao diâmetro de espiga, mostraram diferenças significativas entre as doses de N (Tabela 1). Entre estas, obteve-se um maior diâmetro de espiga no tratamento 3 (90 kg ha-1 de N), com uma média de 36,2 mm de diâmetro, sendo 2,2 mm maior do que a testemunha. Os tratamentos 2, 4, 5 e 6 produziram resultados estatisticamente semelhantes à testemunha e ao tratamento 3.

A combinação dos fatores estudados não apresentaram interação, o que indicou que os fatores agiram de forma independente para a variável diâmetro de espiga.

Resultados semelhantes foram observados em um experimento realizado por Melo (2014), onde o diâmetro da espiga foi avaliado quando submetido a diferentes doses de nitrogênio, com e sem a aplicação de Azospirillum brasilense, onde não houve diferenças estatisticamente significativas com a aplicação do inoculante, porém, pode-se observar diferenças estatísticas entre as doses de nitrogênio, com o resultado mais alto 52, 2 mm de diâmetro da espiga, que foi obtida com uma dose de 160 kg ha-1 de N.

Por outro lado, González (2016), em seu experimento, avaliou o DE, não encontrando diferenças significativas entre as doses de nitrogênio.

A aplicação de inoculante na variável PG apresenta diferenças significativas (Figura 2). Os tratamentos com inoculante a base de Azospirillum brasilense apresentaram em média maior rendimento (3.437 kg ha-1), em relação aos tratamentos que não receberam a aplicação do inoculante com base a Azospirillum brasilense (3,070 kg ha-1), isto representa em média, 367 kg ha-1 menos em relação aos resultados obtidos nos tratamentos com inoculante.

Este resultado é consistente com um experimento de longo prazo realizado no Brasil, onde o efeito de Azospirillum brasilense e Azospirillum lipoferum foi observado durante 20 anos da cultura de milho, onde foi constatado que com a aplicação destes inoculantes o aumento da produção de grãos entre 5% e 30% (ARAUJO citado por FANCELLI 2010).

Resultados semelhantes foram relatados por Hungria (2004), onde a produção de milho com a inoculação de Azospirillum brasilense, com adubação de 24 kg ha-1 de N no momento da plantação com a inoculação de Azospirillum brasilense obteve um rendimento de 662 para 823 kg ha-1, verificando-se assim, um aumento de entre 24% e 30%.

Os resultados, expostos anteriormente, concordam com os resultados obtidos neste experimento, onde é demonstrado que com o uso de inoculante com base em Azospirillum brasilense, obtendo-se maiores resultados com relação ao PG.

No PG submetido a diferentes doses de nitrogênio, com e sem a aplicação de um inoculante à base de Azospirillum brasilense, de acordo com a análise estatística, observou-se que, entre as doses de nitrogênio, houve diferença significativa (Tabela 1), onde a dose alta (150 kg ha-1 de N), apresentou maior produtividade médio (3.980 kg ha-1) de grãos de milho, superando o controle em 1.117 kg ha-1 de grãos de milho.

Estes resultados superaram os rendimentos médios registrados para esta variedade, onde a média do país é de 1.062 kg ha-1 e 1.140 kg ha-1 (MAG, 2010).

Figura 2. a) Diâmetro de espiga e b) Produção de grãos em função da aplicação ou não de inoculante a base de Azospirillum brasilense. Ybyrarobana, Canindeyú, 2016.

Tabela 1. Diâmetro da espiga (DE) e Produção de grãos (PG), por efeito da aplicação de doses de nitrogênio. Ybyrarobana, Canindeyú, 2016.

CONCLUSÕES

A inoculação de sementes com Azospirillum brasilense pode aumentar a produtividade de grãos e diâmetro da espiga de milho.

A combinação de inoculante e nitrogênio não apresentou interação, isto é, agiram de forma independente para as variáveis produtividade de grãos e diâmetro de espiga de milho.

AGRADECIMENTOS:

Ao CONACYT pelo financiamento deste trabalho no âmbito do Projeto 14-INV-130 “Gestão sustentável da fertilidade do solo para a produção de alimentos”.

À Faculdade de Ciências Agrárias da Universidade Nacional de Assunção.

REFERÊNCIAS

Fancelli AL. Boas prácticas para uso eficiente de Fertilizantes. Internacional Plant Nutrition Institute (IPNI). 2010 Piracicaba, BR.v.3.p.467-468García J, Herrera A, Pérez N. Efeito de Azospirillum brasilense em ele rendimento de milho em ele norte de Tamaulipas, México. Universidade y Ciência.

2011;28(1): 79-84. [Acessado em: 21 jul. 2016]. Disponível em: http://www.scielo.org.mx/scielo.php?pid=S0186-29792012000100008&script=sci_arttext&tlng=en.

González, E. Doses de nitrogênio com emendas orgânica e inorgânica em milho chipá (Zea mays var. amylácea L.). Teses. Ing. Agr.Dpto. de Solos y Ordenamento Territorial, CIA, FCA, UNA, San Lorenzo, PY 2016. p. 25

Hungria, M. Inoculação com Azospirillum brasilense: inovação em rendimento a baixo custo. Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.2011.1ra ed. Londrina. [Acessado em: 23 mar. 2017]. Disponível em:https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/29560/1/DOC325.201 1.pdf.

López OL, Erico, EG; Llamas, PA; Molinas, AS; Franco, ES; Rios, EO. 1995. Estudo de reconhecimento de solos, capacidade de uso de lá terra y proposta ordenamento territorial preliminar de lá region. oriental dele Paraguai. [Acessado em: 01 mar. 2015] Disponível em www.geologiadelparaguay.com

Melo FH. Adubação nitrogenada e inoculação de sementes com Azospirillum brasilense na cultura do milho. 2014. Teses. Ing. Agr. Curitibanos. Universidade Federal de Santa Catarina. Campus Curitibanos.BR.2014. p. 23. Ministério de Agricultura y Ganadeira (MAG) Análises dele comportamento de rubros agrícolas: Censo Agropecuário 2008. 2010. [Acessado em: 26 fev. 2017]. Disponível em: www.mag.gov.py/dgp/Analisis%20comportamiento%20de%20Rubros%20Agricolas.pdf.

Paredes, M. Fixação biológica de nitrogênio em leguminosas y gramíneas. Trabalho Final de Engenheira em Produção Agropecuária. Faculdade de Ciências Agrarias. Universidade Católica Argentina. Buenos Aires, AR. 2013.p.61-85. [Acessado em: 21 nov. 2015]. Disponível em: http://bibliotecadigital.uca.edu.ar/repositorio/tesis/fijacion-biologica-nitrogeno-leguminosas.pdf.

Rivetti, A.R. Produção de milho bajo diferentes regímenes de Riego complementário em Rio Cuarto, Córdoba, Argentina. Revista Científica, Rio Cuarto. v. 39, p. 29-39, 2007.

Informações dos autores:  

(1)Estudantes de Mestrado em Ciências do Solo e Planejamento Territorial; Faculdade de Ciências Agrarias/UNA; Ruta Mcal. Estigarribia, Km 10,5, San Lorenzo, Paraguai;

(2)Professores, Faculdade de Ciências Agrarias/UNA.

Disponível em: Anais da XII Reunião Sul-Brasileira de Ciência do Solo. Xanxerê – SC, Brasil.

SEM COMENTÁRIO

DEIXE UMA RESPOSTA

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.