Soja registra semana positiva em Chicago, com clima chuvoso atrapalhando processo de colheita nos Estados Unidos. Dólar em queda colabora para baixas nos preços internos no Brasil. Plantio no Brasil avança em ritmo mais acelerado que na safra passada, e já supera 10% da área total projetada para esta safra.

Os preços da soja no mercado internacional registraram uma semana positiva na Bolsa de Chicago. As chuvas constantes em grande parte das regiões produtoras nos Estados Unidos têm atrapalhado o avanço da colheita no país, com previsões apontando continuidade no clima mais úmido até meados de outubro, o que pode comprometer a qualidade da safra no país e incentivar altas ainda mais consistentes nos preços.

No Brasil, o dólar perdeu força frente ao Real e colaborou para quedas nos portos e em algumas praças do interior do país. Na Bolsa de Chicago (CBOT) os contratos com vencimento em novembro/2018 registraram alta de 2,78% em relação ao fechamento da semana anterior, cotados na sexta-feira (05) a US$8,69 por bushel.

Já nos contratos para maio/2019, referência principal para a safra brasileira que se inicia, as altas na semana chegaram a 2,46%, com cotações fechando a sexta-feira a US$9,07 por bushel.

No início da semana, as cotações futuras em Chicago apresentaram movimento técnico, recuperando parte das baixas observadas no final da semana anterior, as quais foram causadas pela divulgação de estoques trimestrais superiores às expectativas do mercado.

Na terça-feira, em meio a previsões de continuidade do clima bastante úmido nos Estados Unidos, em especial mais ao Norte do país, o mercado voltou a subir. No meio da semana o mercado registrou leves recuos, retomando as altas na sexta-feira, encerrando a semana superando as máximas para as últimas cinco semanas em Chicago.

Mesmo com os elevados volumes de chuvas nos últimos dias nos Estados Unidos a colheita ainda segue registrando bom avanço, com produtividades robustas sendo registradas nas lavouras do país. Até a última semana 23% das lavouras já haviam sido colhidas, número que será atualizado nesta segunda-feira (08) pelo USDA.

Apesar de afetar o ritmo de colheita, os efeitos a qualidade e volume de grãos a serem colhidos ainda é limitado. Porém a continuidade deste cenário de alta umidade já gera preocupação em alguns agentes de mercado e pode refletir em novas altas na Bolsa de Chicago nos próximos dias.

No lado da demanda por soja americana as notícias também foram positivas aos preços. Na semana encerrada em 27 de setembro, os americanos comercializaram com o exterior um volume de 1,52 milhões de toneladas de soja, montante acima das expectativas do mercado e que coloca o volume total da safra em 20,18 milhões de toneladas.

No Brasil, o que contribuiu para as quedas nos portos e praças do interior foi a desvalorização do dólar frente ao Real. Além do cenário externo, pesaram sobre as cotações da moeda americana o avanço do candidato Jair Bolsonaro nas últimas pesquisas para o primeiro turno, crescimento que se confirmou no domingo com o resultado final da eleição.

Tendo em vista o risco de a esquerda petista voltar ao poder executivo federal, o candidato do PSL passa a ser muito mais apreciado pelos agentes do mercado financeiro. A moeda norte-americana registrou queda de 4,46% frente ao Real ao longo da semana, encerrando a sexta-feira (05) cotada a R$3,85.  

O plantio da safra de verão no Brasil atingiu o patamar de 13% concluído ao final da última semana, segundo dados de consultorias que atuam no país. O estado mais avançado até o momento é o Paraná, onde segundo o último levantamento do DERAL, cerca de 29% das lavouras já foram cultivadas. Já no cerrado o plantio caminha mais lentamente, tendo em vista ainda a irregularidade das chuvas ocorridas nos últimos dias.

O Mato Grosso é o estado mais avançado no Centro Oeste, com cerca de 14% do plantio já concluído até o momento. Em Goiás os preços da soja registraram quedas, tanto no mercado físico como nos contratos para 2019. Na soja disponível a queda registrada foi de 0,53% em relação ao fechamento da semana anterior, com cotação média de R$82,06 por saca na sexta-feira (05).

Já no mercado de soja balcão, o preço médio no estado ficou em R$74,30 por saca, queda de 0,79% no acumulado da semana. Nos contratos com entrega em 2019 as quedas alcançaram 1,26% em relação ao fechamento da semana anterior, com preço médio no estado girando em torno de R$71,32 por saca.

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Fonte: IFAG – Boletins de Mercado

Texto originalmente publicado em:
IFAG
Autor: Cristiano Palavro – Analista Técnico - IFAEG

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