Milho registra semana positiva para as cotações na Bolsa de Chicago, com foco no clima nos Estados Unidos. Chuvas intensas prejudicam o avanço da colheita no Corn Belt, o que junto com forte demanda, deu sustentação aos preços internacionais. No Brasil, pouco interesse dos compradores e queda no dólar influenciaram baixas ao longo da semana.

O mercado internacional do milho registrou uma semana de boas altas para as cotações do milho na Bolsa de Chicago (CBOT). As preocupações quanto ao clima bastante úmido nas principais regiões produtoras dos Estados Unidos, em conjunto com a boa demanda pelo milho americano nesta safra, deram sustentação aos avanços dos preços ao longo da semana. No Brasil, o dólar mais fraco frente ao Real colaborou para queda nos preços médios na Bolsa B3 e nas principais praças do país.

Os contratos futuros na Bolsa de Chicago com vencimento em dezembro/2018 registraram alta de 3,37% em relação ao fechamento da semana anterior, sendo cotados na última sextafeira (05) a US$3,68 por bushel. Já nos contratos com vencimento em março/2019 as cotações fecharam a semana a US$3,80 por bushel, elevação de 3,26% ao longo da semana. 

A ocorrência de elevados volumes de chuvas ao longo dos últimos dias no Corn Belt americano tem atrapalhado o avanço da colheita do cereal, o que pesou positivamente sobre as cotações na semana.

Apesar de ainda não impactar os níveis de qualidade do grão e a produtividade das lavouras, conforme informações de consultorias que atuam no país, a continuidade do clima chuvoso na próxima semana já preocupa os agentes do mercado. Segundo último levantamento do USDA (Crop Progress), 26% dos cultivos de milho do país já foram colhidos.

No lado da demanda por milho americano as notícias também têm sido favoráveis e colaboram na sustentação das cotações. Nesta semana os americanos concluíram negociações com o México e o Canadá, o que deve favorecer o livre comércio de commodities agrícolas entre os países da América do Norte.

Nas exportações semanais referentes ao período encerrado em 27 de setembro foram registradas vendas de 1,43 milhão de toneladas, com acumulado da safra já chegando a 19,69 milhões de toneladas, volume cerca de 64% superior ao mesmo período de 2017.

Outro fator que deve impulsionar a demanda pelo cereal foi o anúncio de elevação na mistura do etanol à gasolina, passando dos atuais 10 para 15%, medida que deve ser anunciado oficialmente pelo governo Trump nos próximos dias.

Na Argentina, a colheita do milho mais precoce segue avançando nas principais províncias do país, com total de 19,5% dos cultivos já concluídos, segundo informações da Bolsa de Buenos Aires (BCBA). O país deve cultivar neste ano um total de 5,8 milhões de hectares.

No Brasil o plantio da safra de verão vem ocorrendo de forma intensa nos estados do Sul. Segundo levantamento da Safras & Mercados, consultoria que atua no país, cerca de 28% da área projetada para este ano já foi cultivada.

O Rio Grande do Sul, segundomaior produtor de milho primeira safra do país, já cultivou cerca de 57% da área projetada para este ano. Já em Santa Catarina e no Paraná a colheita está em 39 e 36%, respectivamente. Nos estados do Centro-Oeste, o milho verão costuma ser cultivado mais tarde, tendo como preferência inicial os cultivos de soja.

A queda nas cotações do dólar frente ao Real na última semana colaborou para baixas nos preços do milho no mercado interno, com perdas observadas tanto no mercado físico como nas cotações futuras na B3.

Na Bolsa B3, os contratos de milho com vencimento em Novembro/2018 registraram queda de 3,01% em relação ao fechamento da semana anterior, sendo cotados na sexta-feira (05) a R$38,66 por saca. Já nos contratos com vencimento em Março/2019 a cotação fechou a última semana a R$39,25 por saca, uma queda acumulada de 1,39% ao longo da semana.

No mercado interno goiano a procura por milho foi um pouco mais intensa ao longo da semana, porém a intensificação das atividades de campo com o plantio da soja e os preços menos atrativos neste momento incentivaram maiores restrições de venda por parte dos produtores rurais, que ainda tem bons volumes de milho armazenados.

Na média, o preço do milho disponível em Goiás registrou queda de 1,93% em relação ao fechamento da semana anterior, cotado na sexta-feira a R$29,94 por saca.

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Fonte: IFAG – Boletins de Mercado

 

Texto originalmente publicado em:
IFAG
Autor: Cristiano Palavro – Analista Técnico - IFAG

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