Boletim Semanal da Soja no Mato Grosso, segundo Imea (em 18/12/2015)

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Mato Grosso obteve novos recordes em 2015, alguns bons, outros nem tanto. O Estado registrou mais um ano de safra recorde, com área de 9,02 milhões de hectares, possibilitando a produção de 28,08 milhões de toneladas. A maior demanda por insumos, somada à elevação do dólar, contribuiu para custos produtivos também inéditos na safra.

O custo de produção total, de R$ 2.468,39/ha, apresentou aumento da participação dos insumos sobre o custo total, pesando sobre o bolso do produtor. Diferentemente de 2014, a cotação interna deu um salto no segundo semestre de 2015, saindo de R$ 52,8/sc no acumulado do primeiro semestre e indo para R$ 62,9/sc no acumulado do segundo semestre, graças à elevação do dólar.

O impacto desta alta sobre o bolso do produtor não foi sentido completamente, já que 86% da safra 14/15 já estava comercializada antes do aumento dos preços em julho. O custo produtivo elevando mais que a receita afe-tou a margem do produtor, e por isso vimos o lucro operacional da safra 14/15 reduzindo-se ao menor nível das últimas safras. Em suma, 2015 foi marcado por altos e baixos, com recordes produtivos e de exportação, no entanto, com elevações no custo pesando significativamente, deixando a margem de lucro menos positiva.

Destaques do IMEA:

  • As cotações da soja na CBOT registraram fortíssima desvalorização em 2015, continuando o movimento de queda de 2014. O principal fundamento se dá na expectativa de novo recorde produtivo e de estoques finais mundiais na safra 15/16.

   • Em MT, o preço da soja encerrou 2015 6,26% mais valorizado em relação a 2014, com média anual de R$ 57,80/sc. Isso se deve, sobretudo, ao dólar bem valorizado, que conseguiu compensar as baixas cotações do mercado externo.

   • A paridade de exportação para mar/16 registrou bom avanço de 35,57% ante a cotação de mar/15. Apesar das perdas registradas no contrato para 2016 da CBOT, a alta do dólar vem trazendo suporte às cotações internas do próximo ano.

  • O ponto de equilíbrio da safra 15/16 cresceu 23,3% ante a safra 14/15, refletindo o aumento do custo de produção e recuo da produtividade. Na safra 14/15, R$ 40,66/sc cobriam os custos variáveis, na safra 15/16, a relação cresceu para R$ 50,13/sc.

PERSPECTIVAS:

Depois de seis safras recordes consecutivas, MT deve inverter essa tendência em 2016.

A área recorde, de 9,2 milhões de hectares, deve ter o menor crescimento em oito anos, de 2,1%, refletindo os altos custos produtivos e a dificuldade de acesso ao crédito rural. Somado a isso, a queda da produtividade impactará na produção, que deve recuar para 28,03 milhões de toneladas na safra 15/16. Apesar disso, a produção mundial da soja tem perspectiva de atingir recordes na safra 15/16.

Com a demanda mundial possivelmente crescendo em ritmo menor que a oferta, as baixas cotações externas de 2016 já refletem a expectativa de estoques mundiais altíssimos. O efeito sobre o mercado interno, no entanto, deverá ser amortecido pelo dólar elevado. Contrapondo o efeito positivo da alta do dólar sobre a receita, este pesou sobre o custo produtivo da safra 15/16 e deve ter efeito ainda maior na safra 16/17, com o custo total atingindo mais uma vez valor recorde, de R$ 3.347,33/ha.

Incertezas com relação ao crédito, clima, aumento no custo de produção, adversidade econômica e outros fatores tornam 2016 um ano de grandes indefinições à soja e a todo o agronegócio. Os produtores e todo o setor deverão ter vários desafios e por isso novas estratégias são cada vez mais necessárias.

Para ler o Boletim Semanal publicado pelo IMEA clique aqui.

FONTE: Intituto Mato-grossense de Economia Agropecuária, Boletim Semanal da Soja, n. 384, de 18 de dezembro de 2015. Disponível em www.imea.com.br.

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Texto originalmente publicado em:
IMEA
Autor: Elaboração: Tainá Heinzmann, Alexandre Rego

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