Em semana completamente guiada pelas expectativas em relação ao encontro entre Trump e Jinping durante reunião do G-20, contratos de soja registram movimento positivo em meio ao posicionamento dos fundos e do otimismo com uma trégua na guerra comercial. No Brasil, preços registram leves ganhos e safra continua em bom nível de desenvolvimento.

A última semana foi marcada pelas expectativas do mercado frente ao encontro agendado entre o presidente americano Donald Trump e o primeiro ministro chinês, Xi Jinping. Os líderes das duas principais potências mundiais se encontraram pessoalmente pela primeira vez desde o início da guerra comercial entre os dois países.

Em meio as incertezas do que viria após o encontro, o mercado em Chicago buscou se posicionar no sentido de diminuir riscos, e o otimismo frente a uma trégua na disputa comercial ajudou nas altas registradas na semana.

Na Bolsa de Chicago (CBOT) os contratos com vencimento em Janeiro/2019 registraram alta de 1,56% no acumulado da semana, encerrando a sexta-feira (30) cotados a US$8,94 por bushel. Já nos contratos com vencimento em Maio/2019, principal referência para a soja no Brasil, a alta na semana foi de 1,38%, cotados a US$9,20 por bushel na sexta.

Após meses de disputa entre Estados Unidos e China, iniciada em Maio desde ano, setores da economia de ambos os países vêm sofrendo com os impactos da guerra comercial. A soja americana, a qual foi tarifada pelos chineses em retaliação a aplicação de tarifas sobre US$200 bilhões em produtos chineses destinados aos americanos, vem registrando demanda extremamente baixa, o que somado a sucessão de boas safras, coloca os estoques americanos em grande elevação, pressionando os preços no mercado físico americano e na CBOT para baixo.



Neste ano comercial, os americanos venderam ao exterior um volume de 23,25 milhões de toneladas de soja, o que representa uma queda de 32% em relação ao mesmo período de 2017, quando já haviam sido comercializadas mais de 34 milhões de toneladas.

As expectativas dos agentes do mercado eram positivas em relação ao encontro ocorrido neste sábado (01) em Buenos Aires, o que motivou altas ao longo da semana, marcada também pelo movimento de proteção dos fundos investidores se antecipando a possíveis grandes altas ou baixas nas primeiras sessões da próxima semana, a depender dos resultados do encontro entre os líderes mundiais.

Fato é que, as primeiras divulgações após a reunião entre Trump e Xi Jinping realmente foram positivas ao mercado, com afirmações chinesas de ampliação robusta nas importações do país de produtos americanos, incluindo produtos agropecuários, e de avanço nas negociações em relação a implementação de políticas de propriedade intelectual e industrial na China, demanda prioritária dos norte-americanos.

Com isso os americanos deram uma “trégua” na ampliação de novas tarifas sobre os produtos chineses, porém os montantes já anunciados seguem vigentes. Os anúncios dão fôlego para altas na Bolsa de Chicago no curto prazo, movimento que já pode ser observado na sessão inicial desta segunda-feira (03).

Porém é importante ressaltar que apenas uma retomada significativa de compras chinesas sobre a soja americana poderão dar suporte de maior prazo aos futuros da soja em Chicago, tendo em vista também que as tarifas chinesas sobre a soja americana ainda permanecem vigentes.

Para os preços no Brasil, o desenrolar ou não da guerra comercial tem efeitos diversos. Em caso de retomada das compras chinesas nos próximos dias, as altas na Bolsa de Chicago podem oferecer boas oportunidades de preços no curto prazo aos produtores rurais. Porém, uma desacordo seria mais interessante no longo prazo para os produtores brasileiros, tendo em vista todo o direcionamento da demanda chinesa para a América do Sul, o que geraria prêmios elevados nos portos e ampliaria a disputa entre exportadores e as indústrias processadoras locais.

A safra brasileira segue registrando boas condições até o momento, apesar das preocupações em algumas localidades do Centro-Oeste em relação ao excesso de umidade e a falta de luminosidade. No Sul do Brasil as condições mais úmidas também têm gerado preocupações em relação ao aparecimento de doenças, em especial a ferrugem asiática, porém os efeitos ainda são limitados.

O plantio bastante precoce neste ano (até o momento já são mais de 95% da área cultivada), vai gerar uma oferta de soja já ao final de 2018, minimizando o efeito dos estoques bastante baixos, tendo em vista o ritmo recorde de exportações.

Na Argentina as condições da safra também são positivas até o momento, porém é esperado um período mais seco nos próximos dias, o que poderá ser favorável as lavouras e ao avanço do plantio, desde que as chuvas retomem boas intensidades até meados de dezembro. Segundo a Bolsa de Cereais de Buenos Aires (BCBA) o plantio no país alcançou 40,7% concluído na última semana, registrando um avanço de 11% em relação a semana anterior.

O dólar registrou fortes avanços frente ao Real ao longo da semana, chegando a bater R$3,91 na segunda-feira (26), maior patamar desde o início de outubro deste ano, com forte pressão do cenário externo, em especial sobre o andamento da taxa de juros nos Estados Unidos.

Porém ao final da semana a moeda recuou, encerrando a sexta-feira cotada a R$3,85, com alta acumulada de 0,88% na semana. Com as altas em Chicago e no dólar os preços da soja em Goiás registraram pequenas elevações nos contratos para 2019, enquanto no mercado físico permaneceram sem grandes alterações.

A soja futura encerrou a semana cotada em média a R$67,96 por saca, alta de 1,45% em relação a média da semana anterior. Já a soja balcão ficou em R$70,30 (-0,26%) e a soja disponível em R$73,00 por saca (-0,68%).

Para conferir o boletim completo clique aqui.

Fonte: Instituto para Fortalecimento da Agropecuária de Goiás – IFAG Econômico

Texto originalmente publicado em:
IFAG
Autor: Instituto para Fortalecimento da Agropecuária de Goiás – IFAG Econômico

SEM COMENTÁRIO

DEIXE UMA RESPOSTA

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.