Em semana marcada pelo desenrolar da guerra comercial entre China e Estados Unidos, mercado do milho acumulou altas na CBOT. No Brasil, safra de verão segue em condições bastante positivas, o que somado aos elevados estoques pressiona negativamente os preços no mercado interno para 2019. 

As notícias e especulações acerca do avanço ou não da guerra comercial entre China e Estados Unidos marcaram os movimentos do mercado internacional nesta semana. Mesmo no milho, produto pouco relevante na relação entre os dois países, os efeitos também foram sentidos, em função da magnitude dos impactos da disputa comercial para o mercado financeiro e de commodities em geral.

No Brasil, a semana foi de quedas nas cotações dos contratos futuros do cereal na Bolsa B3, porém em Goiás os preços físicos encontraram espaço para pequenas altas.

Na Bolsa de Chicago (CBOT) os contratos com vencimento em dezembro/2018 registraram alta de 2,09% em relação ao fechamento da semana anterior, cotados a US$3,66 por bushel na sexta-feira. Já nos contratos com vencimento em maio/2019 a alta acumulado na semana foi de 1,78%, cotados na sexta a US$3,85 por bushel.

Durante a semana, os futuros do milho acompanharam a movimentação registrada em outros commodities, como a soja por exemplo. Em meio a diversas declarações de representantes dos governos chinês e americano, o mercado construiu certo otimismo em relação ao avanço da guerra comercial e a construção de um cenário de pacificação na disputa entre os dois países.

Ocorrido o encontro entre Trump e Xi Jinping no sábado, este foi mesmo o cenário apresentado pelos dois líderes, definindo a suspensão do aumento de tarifas sobre produtos de ambos os países nos próximos noventa dias, com promessas de ampliação robusta das compras chinesas aos produtos americanos e de discussão sobre a implementação de políticas de propriedade intelectual na China.



Mesmo o milho não sendo um produto de grande volume nas relações entre as duas potências econômicas mundiais, a trégua pode sim colaborar para o avanço das altas na próxima semana.

Outro cenário que colabora para o movimento positivo em Chicago é o bom andamento das exportações de milho americano até o momento. Neste ano comercial os Estados Unidos já embarcaram mais de 13 milhões de toneladas do cereal ao exterior, contra cerca de 7,2 milhões no mesmo período de 2017. As vendas totais ao exterior também superam o ritmo de 2017, com total de 25,57 milhões de toneladas já negociadas, volume cerca de 13% superior a 2017.

O mercado segue também bastante focado no avanço da safra na América do Sul, principalmente em relação as questões climáticas e o desenvolvimento das lavouras no Brasil e na Argentina. Na Argentina, cerca de 38,2% das áreas de milho já foram cultivadas, segundo dados da Bolsa de Cereais de Buenos Aires (BCBA).

As províncias mais avançadas são Santa Fé e Entre Rios. Após período de bons volumes de chuvas acumulados em território argentino, a semana foi um pouco mais seca, favorecendo o avanço mais intenso do plantio.

No Brasil o plantio de verão no Centro-Sul do país está praticamente concluído, e as condições gerais das lavouras é bastante favorável até o momento. De forma geral, os preços no mercado interno se mostram bastante pressionados negativamente para 2019, tendo em vista as boas projeções de produção na safra de verão, os elevados estoques de passagem neste ano e as perspectivas de plantio precoce da safrinha, que podem impulsionar a área plantada e a obtenção de boas produtividades.

Este cenário coloca em cheque as margens para a próxima safrinha, tendo em vista o crescimento nos custos de produção, afetados também pelo tabelamento de fretes que persiste até o momento.

Do lado da demanda por milho brasileiro, as notícias são mais animadoras aos preços, com expectativa de crescimento tanto no consumo interno – que devem superar 60 milhões de toneladas em 2019 – quanto nas exportações, que devem retomar patamar próximo a 30 milhões de toneladas.

As exportações brasileiras em 2018 seguem em ritmo mais fraco, apesar de um certo reaquecimento do ritmo de embarques ao longo do mês de novembro. As vendas externas seguem pressionadas pela redução da oferta da safrinha passada e pela competitividade do milho norte-americano.

Em novembro o Brasil exportou 3,99 milhões de toneladas de milho, volume que superou em quase 14% o mês de novembro de 2017. Porém o acumulado de 2018, que alcançou 19,79 milhões de toneladas, segue bastante inferior ao do ano passado, quando já tinham sido embarcadas 25,24 milhões de toneladas ao exterior.

Na Bolsa B3, os contratos futuros do milho registraram quedas ao longo da semana. Os contratos com vencimento em Janeiro/2019 registraram baixa de 2,71%, cotados na sexta-feira a R$36,99 por saca. Já nos contratos com vencimento em março/2019 a queda foi de 1,86%, cotados a R$37,00 por saca.

Em Goiás os preços do milho no mercado físico disponível ainda encontram suporte para pequenas altas. O preço médio no estado fechou a semana a de +1,28% em relação ao fechamento da semana anterior, cotados a R$26,81 por saca.

Para conferir o boletim completo clique aqui.

Fonte: Instituto para Fortalecimento da Agropecuária de Goiás – IFAG Econômico

 

 

Texto originalmente publicado em:
IFAG
Autor: Instituto para Fortalecimento da Agropecuária de Goiás – IFAG Econômico

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