Brasil tem 19 novos insetos-praga que ameaçam a soja e outras culturas

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A agricultura brasileira está vulnerável ao ataque de outras novas e perigosas pragas além da lagarta helicoverpa armigera, que devastou parte dos campos do país há dois anos, deixando um prejuízo de mais de R$ 2 bilhões aos produtores rurais. A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) lista pelo menos 19 ameaças reais somente à soja.

Devido à extensão territorial que ocupa, a cultura pode ser ponte para os invasores atacarem plantações de outros produtos, como milho, algodão e feijão. No ano passado, a soja foi cultivada em 31,9 milhões de hectares, 55% da área dedicada aos grãos.

A chegada dos novos insetos está relacionada, na maioria das vezes, à atividade humana. O comércio de mercadorias e o fluxo de pessoas entre países elevam as chances de disseminação das pragas. “Existem vários casos de entrada de uma espécie, que se estabelece em plantas espontâneas e, ao longo do tempo, ela se adapta às condições locais e evolui. O bicudo-do-algodoeiro, por exemplo, foi detectado pela primeira vez no Brasil em Campinas, em plantas nos arredores do aeroporto. Mais tarde, a praga inviabilizou a cultura do algodão em algumas regiões do país”, lembra o entomologista da Embrapa-Soja, Samuel Roggia.

Nova mosca

Uma praga que entrou recentemente em território nacional e hoje ameaça com uma nova raça é a mosca branca. O inseto, que suga a seiva e enfraquece ou até mata a planta, foi identificado pela primeira vez nos anos 1990. De lá para cá, vem se adaptando e atacando com maior intensidade diversas culturas como o feijão e a soja.

Agora, ainda há um novo biótipo da mosca, da raça Q. Segundo a entomologista da Embrapa e especialista na praga, Eliane Dias Quintela, essa espécie entrou pelo Rio Grande do Sul em 2012 e é mais forte. “O perigo é que ela pode transmitir doenças que ainda não temos aqui e contaminar outras culturas, como o tomate. A praga também é resistente aos neonicotinóides [inseticida] e aos reguladores de crescimento”, ressalta ela. Essa resistência desafia a pesquisa.

Prevenção
A melhor maneira de lidar com a mosca branca é a prevenção, fazendo o manejo adequado de culturas e pragas. “É preciso eliminar as plantas hospedeiras [são mais de 600 espécies], como todas as ervas daninhas presentes atualmente no campo. A maioria é hospedeira dos vírus. Também é preciso evitar o plantio escalonado, cumprir o vazio sanitário para cada cultura e região e incluir controle biológico, usando inseticidas seletivos”, sugere a entomologista.

As mudanças climáticas, mais especificamente no padrão dos ventos e das temperaturas, também colaboram com a infestação e evolução das pragas. O clima tropical do Brasil é um prato cheio, pois “não cabem exceções. Temos clima para todos os tipos de pragas”, ressalta Roggia. “A gente planta praticamente o ano inteiro, temos culturas que o plantio inicia em outubro, depois vem safrinha, depois os plantios irrigados e tudo plantas hospedeiras para pragas como a mosca branca”, acrescenta Eliane.

Fonte: Região Noroeste

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Texto originalmente publicado em:
Fundação Meridional
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