Cálculo do dano e da perda causados pelo amassamento dos pneus do equipamento de pulverização nas culturas da soja e do trigo

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Mateus Zanatta1 e Erlei Melo Reis2

Introdução

Considerando que os agricultores cultivam a terra para ganhar dinheiro (Main, 1977) é fundamental que saibam o custo da produção de cada espécie vegetal por eles exploradas (ex. feijão, milho, soja, trigo e etc.). Nesse sentido deve ser calculado, safra-após-safra, em função dos custos (ex. defensivos, combustível, mão-de-obra, preço da soja e do trigo), calcular o custo da aplicação de produtos em pulverização (herbicidas, fungicidas e inseticidas). Nesse cálculo não deve ser esquecido o dano resultante do amassamento da cultura pelo rodado do equipamento de pulverização.

O objetivo desse artigo é apresentar uma metodologia para o cálculo do dano e da perda causados pelo amassamento do rodado do equipamento. Embora os exemplos com sejam dados com as culturas da soja e do trigo, pode ser usada para qualquer cultivo anual.

Exemplo com uma lavoura de soja

Comprimento da barra de pulverização. Ex. 18 m. Há no mercado equipamentos com barras de 12 m a 27m (Tabela 1).

Tabela 1. Alguns exemplos de marcas de pulverizadores e comprmento da barra

Marca

Tipo

Comprimento (m)

Porter select

Acoplado 12

Jato

Montado

14

KO

Acoplado

16

Jato

Rebocado

18

Stara

Rebocado

18

Jato

Autopropulsado

24

John Deere

Autopropulsado

24

Stara

Autopropulsado

24

Montana

Autopropulsado

27

John Deere

Autopropulsado

30,5

John Deere Autopropulsado

36

Largura dos pneus. Ex. 0,32m (São 2 x 0,32m = 0,64m2).

Quantas passagens do trator, com barra de 18 m para cobrir 1,0 ha (100m de largura da área do ha).

        –  100m/18m = 5,5 ou 6 passagens em 100 m de comprimento.

                   Área amassada por ha:

– uma passagem: 0,64m2 x 100m = 64m2;

– seis passagens: 64m2 x 6 = 384m2.

Rendimento potencial da lavoura =  Ex. 3.000 kg.

              – em 10.000m2 …… 3.000 kg

  – em   384m2 …… x;  onde x =  115, 2 kg/ha.

Danos (kg/ha)?

   Ex. dano de 115,2 kg/ha.

Perda (R$/ha)?

Preço da soja (Pp = R$ 65,00 por saco de 60 kg)

–   60kg ……..     R$ 65,00

–  115,2 ……..     x; onde x =  R$ 124,80/ha.

Portanto, nesse exemplo com a cultura da soja, o dano casado pelo equipamento de pulverização é de 115,2 kg/ha com perda correspondente de R$ 124,80/ha.

Exemplo com uma lavoura de trigo 

Comprimento da barra de pulverização. Ex. 18 m.

Largura dos pneus. Ex. 0,32m (São 2 x 0,32m = 0,64m2). Há no mercado equipamentos com pneus de 35 e 50 cm de largura.

Quantas passagens do trator, com barra de 18 m para cobrir 1,0 ha (100m de largura da área do ha).

        –  100m/18m = 5,5 ou 6 passagens.

            Área amassada por ha:

– uma passagem: 0,64m2 x 100m = 64m2;

– seis passagens: 64m2 x 6 = 384m2.

Rendimento potencial da lavoura =  Ex. 3.000 kg.

              – em 10.000m2 …… 3.000 kg

  – em   384m2 …… x;  onde x =  115, 2 kg/ha.

Dano (kg/ha)?

   – Ex. 115,2 kg/ha.

Perda (R$/ha)?

Preço do trigo (Pp = R$ 32,00 por saco de 60 kg)

–   60kg ……..     R$ 32,00

–  115,2 ……..     x; onde x =  R$ 61,44/ha.

Portanto, nesse exemplo com a cultura do trigo, com esse equipamento de pulverização o dano é de 115,2 kg/ha correspondendo a uma perda de R$ 61,44/ha.

Considerações finais.

Nos exemplos considerou-se equipamento de pulverização equipado com GPS (Ground Positioning System). Caso o equipamento não se desloque no mesmo trilho, os danos pelo amassamento serão maiores.

É lógico que o valor do dano do amassamento é considerado apenas na primeira aplicação de defensivo.

Referência

MAIN, C.E. Crop destruction – the raison d’être of plant pathology. In: HORSFALL, J.G. & COWLING, E.B. (Ed.) Plant disease an advance treatise. How disease is managed. New York. Academic Press. pp 55-78. 1977.

Informações sobre os autores:

(1) Agroservice – Pesquisa e consultoria Agrícola, Passo Fundo, RS

(2) Professor do Programa de pós-graduação em Manejo de doenças da Universidade de Buenos Aires – AR;

16 COMENTÁRIOS

    • Olá Renan!!!
      Não encontrei nenhum erro no artigo. Favor comentar os que você encontrou…..
      Aguardo seu retorno.
      Obrigada,
      Andréa Bresolin

  1. Tem que avaliar por metro linear.
    Tem diferenças de aplicações no sentido de plantio e perpendicular ao plantio. Na segunda opção amassa menos soja resultando em menores perdas.
    Revisar os cálculos. Para aplicações no sentido do plantio avaliar sobre o metro linear plantado.

    • Prezado Marcelo.
      Muito pertinente sua observação, temos todos os cálculos com as duas maneiras de aplicação, a) aplicação linear; b) aplicação cruzada. Apresentaremos tais diferenças em uma próxima oportunidade.
      Grato por sua contribuição.

  2. Gostei do artigo, contas simples e diretas. Seria interessante um trabalho onde em uma area com mesmas condições fosse feita pulverização via barras e aérea, para verificar a diferença na produtividade.

  3. Faltou no cálculo o percentual de recuperação da soja pois as plantas amassadas pelos pneus liberam espaço para as plantas ao lado produzirem um pouco mais… Esse potencial de recuperação tem que aparecer na conta se não ela não faz sentido.
    Se não ninguém faria pulverização terrestre, os aviões iriam dominar

  4. Não sou produtor agrícola, porém minhas origens remontam ao meio agrícola e, por isso, não consigo me desligar mentalmente dessa atividade de tão substancial importância no que pese a sobrevivência e, porque não, o bem estar da humanidade.
    Pergunto-me, quando será que a tecnologia de drones conseguirá oferecer equipamentos de pulverização teleguiados em substituição do atual maquinário pesado a se locomover com rodados? Imaginemos a economia!
    Evidentemente, toda inovação tem custo muito alto. Porém, como em todos os campos do desenvolvimento, à medida que se populariza, também isto se tornará mais acessível.

  5. Cálculos à parte, posso dizer que, realmente, perde-se soja devido ao amassamento e injúrias na planta durante as passagens com os equipamentos terrestres. Com a utilização do avião, na aplicação aérea, ganha-se em torno de 3 a 4 sacas de soja por alqueire, líquido. Ou seja, paga-se o avião e ainda sobra. Utilizando o avião, o produtor pode praticar uma boa logística de utilização e disponibilização de seus equipamentos terrestres.
    O Guido comentou sobre a utilização de drones no futuro, para aplicação aérea. Também acho que, não muito distante, isso deverá ocorrer, mas não dá para dimensionar qual será o custo disso.
    Até lá, o avião, bem utilizado, gera economia ao produtor, tanto no soja como no milho.

  6. Tem mais detalhes em relação a usar ou não avião, não podemos esquecer que em ladeiras estraga mais, com o tempo chuvoso pode-se perder o momento correto de aplicação possibilitando a entrada de doenças, etc. Também devemos levar em conta o combustível, manutenção e mão de obra que com o uso do avião deixa de ter.

  7. temos uma empresa Aeroagricola e já fizemos vários testes, na ultima safra 2016/2017, realizamos um teste que acredito que seja o mais verdadeiro em comparativos, pois pegamos uma área de 121 ha e dividimos exatamente ao meio ficando 60,5 ha para serem feitas aérea e 60,5 feita com autopropelido com barras de 32 metros, todas as aplicações com os mesmos produtos e realizadas no mesmo dia e horário, a diferença final foi de 6,52 sacas ou seja 391,73 kg/ha, se dividirmos por 06 aplicações que foram realizadas, dará um resultado de 65 kg/ha por aplicação. dados da Ivaí Aeroagrícola.

  8. Qualidade de aplicação terrestre também é um fator. Creio que terrestre é melhor. Que provem como estudos científicos. Amassa menos mas sofre mais com pragas e doenças.

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