Caracterização de caldas fitossanitárias compostas de adjuvantes agrícolas

O objetivo do presente trabalho foi caracterizar diversos adjuvantes amplamente utilizados nas aplicações agrícolas quanto a tensão superficial das caldas e ângulo de contato obtidas de gotas depositadas sobre uma superfície padrão.

Autores: FABIANO GRIESANG1, ANA CLAUDIA ZINA2, GABRIEL CARRIJO DE MORAIS3, ALEXSANDRO DA SILVA SOARES4, MARIANE SOSTENA5, MARCELO DA COSTA FERREIRA6

Trabalho disponível nos Anais do Evento e publicado com o consentimento dos autores.

RESUMO

É imprescindível conhecer algumas propriedades e potencialidades do adjuvante, uma vez que o uso inapropriado pode resultar em prejuízos à aplicação. Assim sendo, o objetivo do presente trabalho é caracterizar diversos adjuvantes amplamente utilizados nas aplicações agrícolas quanto a tensão superficial das caldas e ângulo de contato obtidas de gotas depositadas sobre uma superfície padrão.

Utilizou-se um tensiômetro para medir, a cada segundo durante 60 segundos, a tensão superficial e o ângulo de contato em gotas pendentes e depositadas, respectivamente. Os valores de ensões superficiais (gota pendente) e os ângulos de contato obtidos na superfície do parafilme a 1, 5,  10, 20, 40 e 60 segundos a partir da formação/depósito das gotas foram submetidos à análise de variância pelo teste F e as médias comparadas pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade.

Os adjuvantes analisados reduzem a tensão superficial e ângulo de contato de soluções aquosas em diferentes intensidades, muito dependente da composição química dos produtos, sendo que o copolímero de poliéter (Silwet®) apresentou a maior diminuição tanto para tensão superficial quanto para o ângulo de contato em parafilme.

PALAVRAS-CHAVE: Ângulo de contato, Cobertura, Tensão superficial.

CHARACTERIZATION OF PHYTOSANITARY SPRAY LIQUIDS WITH AGRICULTURAL ADJUVANTS

ABSTRACT

It is essential to know some properties and potentialities of the adjuvant, since the nappropriate use can result in damages to the application. Therefore, the aim of the present work is to characterize several adjuvants widely used in agricultural applications regarding the surface tension of he spray liquid and contact angle obtained from drops deposited on a standard surface.

A tensiometer  was used to measure, every second for 60 seconds, the surface tension and contact angle in pendant ops and deposited, respectively. The surface tension values (pendant drop) and the contact angles obtained at the surface of the parafilm at 1, 5, 10, 20, 40 and 60 seconds from the formation / deposit were subjected to analysis of variance by the F test and The means compared by the Tukey test at 5% probability.

The adjuvants used in phytosanitary treatments reduce the surface tension and contact angle of aqueous solutions at different intensities, which are very dependent on the chemical composition of the products. The polyeter copolymer (Silwet®) presented the greatest decrease for both surface tension and contact angle in parafilm.

KEYWORDS: Contact angle, Coverage, Surface tension.

INTRODUÇÃO

No campo do manejo fitossanitário, a demanda pelo uso de insumos químicos cresce com o surgimento de pragas, doenças e plantas daninhas que ameaçam a produtividade dos cultivos.

O uso indevido de produtos fitossanitários faz com que diversos agentes de dano desenvolvam resistência aos produtos utilizados, exigindo aplicações cada vez mais criteriosas, embasadas no conhecimento mais aprofundado do alvo, na escolha e dosagem correta do produto, no melhor momento para a aplicação e com a tecnologia de aplicação adequada para a situação (QUEIROZ; MARTINS; CUNHA, 2008; RODRIGUES DE SOUZA et al., 2014).

A baixa diversidade de moléculas químicas viáveis, infestação pelo agente de dano que exige intervenção imediata e as condições ambientais não adequadas para a pulverização torna a adição de adjuvantes às caldas de pulverização uma alternativa interessante (AGUIAR JÚNIOR et al., 2011).

Os adjuvantes podem atuar como tensoativos, dispersantes, compatibilizadores de soluções, redutores de pH, redutores de deriva a partir de aumentos no DMV ou melhorias na uniformidade de gotas, aceleradores de performance para penetração do produto através da camada cerosa de folhas e outros tecidos, espalhantes e adesivos sobre superfícies alvo (DA CUNHA; CINTRA; PERES, 2010; SOUZA et al., 2014).

É imprescindível conhecer algumas propriedades e potencialidades do adjuvante, uma vez que o uso inapropriado pode resultar em prejuízos à aplicação (AGUIAR JÚNIOR et al., 2011). Assim sendo, o objetivo da presente pesquisa é caracterizar diversos adjuvantes amplamente utilizados nas aplicações agrícolas quanto a tensão superficial das caldas e ângulo de contato obtidas de gotas depositadas sobre uma superfície padrão.

MATERIAL E MÉTODOS

O experimento foi conduzido no Núcleo de Estudos e Desenvolvimento em Tecnologia de Aplicação (NEDTA), localizado no Departamento de Fitossanidade da FCAV/UNESP, Campus de Jaboticabal. Para as avaliações de tensão superficial dinâmica e do ângulo de contato, as soluções contendo os adjuvantes Natur’l Oil®, Nimbus®, Orix®, Dash®, Assist®, Áureo® Li-700®, Agral®, In-Tec®, TA35® e Silwet® foram preparadas com água potável e com as dosagens recomendadas para cada produto. As avaliações de tensão superficial e ângulo de contato foram realizadas em um tensiômetro automático, modelo OCA-15Plus, da Dataphysics Germany.

Neste equipamento, a tensão é determinada pelo método da gota pendente. Uma gota com o volume de 3,5 microlitros, suspensa na extremidade da agulha do equipamento é focalizada pela lente de uma câmera CCD e 60 imagens são capturadas em sequência a cada segundo. As imagens são analisadas instantaneamente por assimetria de eixos (ADSA – Axisymmetric Drop Shape Analysis).

A tensão superficial é então determinada a partir da digitalização e análise do perfil da gota, utilizando a quação de Young-Laplace: ΔP=2γ/R, onde ΔP é a variação de pressão entre superfícies, γ é a tensão  superficial e R é o raio da curvatura da gota pendente. Para a avaliação do ângulo de contato, gotas com o volume de 3,5 microlitros foram depositadas sobre uma superfície padrão Parafilm®, comumente utilizado e difundido no meio científico.

Tiras com as dimensões de 1 x 10 cm foram fixadas em um suporte e, a partir do momento do depósito da gota, o ângulo de contato foi registrado a cada segundo no decorrer de 60 segundos. Os valores de tensões superficiais (gota pendente) e os ângulos de contato obtidos na superfície do parafilme a 1, 5, 10, 20, 40 e 60 segundos a partir da formação/depósito das gotas foram submetidos à análise de variância pelo teste F e as médias comparadas pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade.

FIGURA 1. Gota pendente para avaliação de tensão superficial (a) e gota depositada para avaliação de ângulo de contato (b)

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Em um extremo, a água apresentou os maiores valores tanto para tensão superficial quanto para o ângulo de contato, diferindo significativamente para a maioria dos tratamentos analisados, assemelhando-se apenas ao Natur’l Oil® o qual apresentou um comportamento diferente dos demais adjuvantes, uma vez que apresentou continua e expressiva redução para ambo os parâmetros durante os 60 segundos aalizados.

Os adjuvantes óleo mineral (Nimbus, Orix, Dash e Assist) , óleo vegetal (Aureo) e lectina e ácido propiônico ( Li-700) apresentaram resultados intermediários, semelhantes entre si para ambas as análises realizadas. As caldas constituidas de adjuvantes nonilfenol (Agral e In-Tec) e laurel éter sulfato de sódio (TA35) apresentaram resultados ora semelhantes e ora inferiores aos adjuvantes oleosos, dependendo do momento da avaliação. No extremo oposto, com os menores valore para tensão superficial e ângulo de contato, o copolímero de poliéster (Silwet) diferiu significativamente de todos os demais os tratamentos, independentemente do momento de avaliação.

Diferença mínima significativa representada por barras verticais, sendo que os pontos representados em que as barras se sobrepõem não diferem entre si a 5% de probabilidade.

FIGURA 2. Tensão superficial de gotas pendentes e ângulo de contato sobre superfície de parafilme para caldas compostas de adjuvantes nas concentrações recomendadas em bula.

Os diversos adjuvantes disponíveis para o uso agrícola proporcionam grande variabilidade de tensão superficial de caldas e ângulo de contato de gotas sobre superfície artificial (CALORE; FERREIRA; ALLI, 2015; OLIVEIRA, 2011; OLIVEIRA; ANTUNIASSI, 2012). A calda constituída de surfatante siliconado Silwet® apresentou os menores valores para ambas as variáveis estudadas, o que proporciona uma maior cobertura sobre as superfícies onde for pulverizado (IOST; RAETANO, 2010).

Diversos adjuvantes adicionados às caldas fitossanitárias propiciam a redução da tensão superficial e, consequentemente, o ângulo de contato entre a gota e a superfície onde é depositada (CALORE; FERREIRA; GALLI, 2015). Essa função espalhante favorece a maior cobertura sobre a superfície onde é depositada. Análises detalhadas nos efeitos de adjuvantes em caldas fitossanitárias facilitam o seu correto posicionamento, de forma a contribuir para o êxito nas aplicações de produtos fitossanitários (OLIVEIRA, 2011).

A partir de resultados obtidos de estudos dirigidos, torna-se possível a adoção de dosagens de adjuvantes alternativas aquelas comumente utilizadas e vantes apresentam o potencial de alterar as propriedades físicas e químicas das soluções aquosas e podem modificar o tamanho das gotas pulverizadas, alterando também o potencial risco de deriva, uma vez que quanto maior o tamanho das gotas gerado, menores são as potenciais perdas por deriva (OLIVEIRA; ANTUNIASSI, 2012).

Para alguns inseticidas, a adição deste tipo de adjuvantes pode resultar em incrementos significativos na eficácia dos produtos, proporcionando a proteção dos cultivos e incrementando a produtividade (CALORE; FERREIRA; GALLI, 2015). O emprego de adjuvantes em caldas fitossanitárias deve obedecer a critérios rígidos, de forma que seu uso traga os benefícios esperados, uma vez que a utilização de adjuvantes em caldas sem a adoção dos devidos critérios pode surtir em efeitos negativos na aplicação.

CONCLUSÕES

Os adjuvantes utilizados em caldas fitossanitárias reduzem a tensão superficial e ângulo de contato de soluções aquosas em diferentes intensidades, muito dependente da composição química dos produtos, sendo que o copolímero de poliéter (Silwet) apresenta a maior diminuição tanto para tensão superficial quanto para o ângulo de contato em parafilme.

REFERÊNCIAS

AGUIAR JÚNIOR, H. O. et al. Adjuvantes e assistência de ar em pulverizador de barras sobre a deposição da calda e controle de Phakopsora pachyrhizi (Sydow & Sydow). Summa Phytopathologica, v. 37, n. 3, p. 103–109, 2011.

CALORE, R. A.; FERREIRA, M. D. C.; GALLI, J. C. Efeitos de adjuvantes no controle de Enneothrips flavens Moulton, 1941 (Thysanoptera: trypidae) na cultura do amendoim. Revista Brasileira de Ciências Agrárias, v. 10, n. 1, p. 74–81, 2015.

DA CUNHA, J. P. R. A.; CINTRA, T.; PERES, M. Influência de pontas de pulverização e adjuvante no controle químico da ferrugem asiática da soja. Acta Scientiarum, v. 32, n. 4, p. 597–602, 2010.

IOST, C. A. R.; RAETANO, C. G. Tensão superficial dinâmica e ângulo de contato de soluções aquosas com surfatantes em superfícies artificiais e naturais. Engenharia Agrícola, v. 30, n. 4, p. 670–680, 2010.

OLIVEIRA, R. B. Caraterização funcional de adjuvantes em soluções aquosas. Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” UNESP Botucatu, 2011.

OLIVEIRA, R. B.; ANTUNIASSI, U. R. Caracterização física e química e potencial de deriva de caldas contendo surfatantes em pulverizações agrícolas. Revista Energia na Agricultura, v. 27, p. 138–149, 2012.

QUEIROZ, A. A.; MARTINS, J. A. S.; CUNHA, J. P. A. R. Adjuvantes e qualidade da água na aplicação de agrotóxicos. Bioscience Journal, v. 24, n. 4, p. 8–19, 2008.

SOUZA, B. J. R. et al. Adjuvantes em pulverizações de fungicidas na cultura do trigo. Ciência Rural, 44, n. 8, p. 1398–1403, 2014.

Informações do autores:     

1Engenheiro Agrônomo, Doutorando em Agronomia (Produção Vegetal), Dep. de Fitossanidade, Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias, UNESP, Jaboticabal/SP– Brasil;

2,3,5Estudante de Agronomia, Departamento de Fitossanidade, Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias, UNESP, Jaboticabal/SP –Brasil;

4Engenheiro Agrônomo, Mestrando em Agronomia (Produção Vegetal), Departamento de Fitossanidade, Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias, UNESP, Jaboticabal/SP – Brasil;

6Engenheiro Agrônomo, Professor Adjunto, Dep. de Fitossanidade, Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias, UNESP, Jaboticabal/SP–Brasil. 

Disponível em: Anais do VIII Simpósio Internacional de Tecnologia de Aplicação – SINTAG, Campinas – SP, Brasil.

SEM COMENTÁRIO

DEIXE UMA RESPOSTA

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.