Produtores de algodão, técnicos e consultores da região de Primavera do Leste (Núcleo Regional Centro Leste) se reuniram com representantes do Instituto Mato-grossense do Algodão (IMAmt) e Instituto de Defesa Agropecuária do Estado de Mato Grosso (Indea-MT) para debater estratégias de controle do bicudo do algodoeiro.

Durante o encontro, segundo Marcio de Souza, coordenador de Pesquisas e Difusão de Tecnologias do IMAmt, foi apresentado um plano piloto de combate à praga que é considerada a principal da cotonicultura nacional. O primeiro “gatilho” do plano é a adesão dos produtores da regional Centro Leste e a instalação de armadilhas de feromônio nas propriedades. Há algumas safras, o IMAmt já vem fazendo o levantamento de bicudo por meio do armadilhamento em todas as regiões produtoras de algodão de Mato Grosso, mas a intenção nesta pré-safra 2018/19, explica Souza, é ampliar o número de armadilhas e comprometer ainda mais produtores e seus colaboradores com essa ferramenta, considerada um passo importante para avaliar a pressão do inseto e a necessidade de se adotarem outras medidas recomendadas pela pesquisa.



“Fazendo o levantamento das populações do bicudo em Mato Grosso, temos condições de alertar produtores e técnicos para as áreas que oferecem maior risco, evitando assim grande pressão da praga na safra 2018/19”, explicou o entomologista do IMAmt, Guilherme Rolim, que também participou da reunião em Primavera do Leste. Dependendo da quantidade de bicudos encontrados a cada semana por armadilha, pode ser necessário redobrar a atenção, principalmente nas áreas onde houve dificuldade na destruição de soqueira. Rolim alertou para a importância de se realizar a destruição de qualquer planta de algodoeiro, evitando a permanência e/ou reprodução do inseto durante a entressafra.

Educação sanitária – Durante 60 dias – o período do vazio sanitário – não pode haver restos culturais do algodoeiro (ou seja, plantas com risco fitossanitário) nas propriedades rurais mato-grossenses. Plantas com risco fitossanitário, de acordo com a Instrução Normativa Conjunta Sedec/Indea-MT nº 001/2016, são “plantas do algodoeiro tigueras (plantas germinadas voluntariamente em qualquer lugar que não tenham sido semeadas) acima do estádio V3 e plantas rebrotadas (soqueiras) com mais de quatro folhas por broto ou estruturas reprodutivas”.

Apesar da medida já vigorar há duas safras, representantes do Indea-MT atenderam ao convite do IMAmt para participar da reunião com produtores e técnicos do Núcleo Regional Leste, com o objetivo de esclarecer melhor os procedimentos que estão sendo adotados durante a fiscalização relativa ao cumprimento do vazio sanitário e à aplicação de eventuais multas aos que infringirem à norma. Compareceram ao encontro o diretor técnico Thiago Tunes, o coordenador de Defesa Sanitária Vegetal Renan Tomazele, os responsáveis pelo programa de controle do bicudo, Rogaciano A. Castro de Arruda e Edson Ramos, e mais seis fiscais que atuam na região de Primavera do Leste.

“Apresentamos na reunião de Primavera do Leste um mapa mostrando a ampliação da área de cultivo do algodão em Mato Grosso na safra 2017/18. O interesse do Estado é que essa cultura continue se ampliando devido à sua importância econômica, porém o bicudo é um fator limitante a essa expansão”, alerta Tomazele. Para o titular da CDSV do Indea-MT, o futuro da cultura do algodão em Mato Grosso depende do trabalho conjunto de orientação, realizado pelo IMAmt, e o de fiscalização. “Não adianta só ter a norma determinando as regras do vazio sanitário. Lavrar um auto de infração não saneia o problema de bicudo, por isso é importante o trabalho de educação sanitária feito em parceria pelo Indea-MT e o IMAmt”, conclui, destacando a importância da colaboração dos produtores e seus colaboradores.

Mato Grosso cultivou 795 mil ha de algodão na safra 2017/18, recém-concluída, e colheu aproximadamente 1,3 milhão de toneladas de algodão em pluma.  Para a safra 2018/19, as consultas feitas pela Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão (Ampa) junto aos associados indicam um crescimento de cerca de 16% na área de semeadura, que poderá chegar a aproximadamente 936 mil ha.

Safra 2018/19 – Na Região I – núcleos regionais Centro (região de Campo Verde), Centro Leste (região de Primavera do Leste) e Sul (região de Rondonópolis) -, o vazio sanitário vigora desde 1º de outubro e será encerrado em 30 de novembro; a semeadura da safra 2018/19 está autorizada a partir de 1º de dezembro. No caso da Região II, que inclui os núcleos regionais Médio Norte (região de Campo Novo do Parecis), Norte (regiões de Lucas do Rio Verde e Sorriso) e Noroeste (região de Sapezal), o término do vazio acontecerá em 14 de dezembro e o plantio da próxima safra poderá ser iniciado a partir do dia 15.

Fonte: AMPA

Texto originalmente publicado em:
Ampa
Autor: Assessoria de Comunicação da Ampa

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