Cientistas identificam novos Bt nas montanhas do Himalaia

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Foto: Boas Práticas Agronômicas

Você sabe de quem é o gene que confere resistência a insetos a variedades transgênicas de soja, milho, algodão e cana? O trecho de DNA inserido nessas plantas vem da bactéria do solo Bacillus thuringiensis – daí a sigla Bt. Estudo recente publicado na revista Biotechnology Reports revelou que pesquisadores indianos podem ter encontrado novas cepas do microrganismo na cadeia de montanhas do Himalaia, ao norte da Índia. De acordo com os cientistas, as variações de relevo, clima e altitude da região resultam em uma fonte única de biodiversidade, razão pela qual escolheram o local para buscar bactérias com novas combinações de genes que codificam a proteína inseticida.

Funciona assim: no caso das sementes transgênicas, por meio da inserção de genes da bactéria nas plantas, essas passam a expressar uma proteína inseticida. Quando ingeridas pelo inseto-alvo, elas se ligam à parede do intestino e levam a paga à morte. Os defensivos agrícolas, de maneira análoga, são formulados com base nessas mesmas proteínas. O Bacillus thuringiensis é utilizado em diversos produtos para o controle de insetos que atacam as lavouras há quase 50 anos, inclusive na agricultura orgânica. Até o momento, as cepas deste microrganismo originaram três grupos de proteínas inseticidas que funcionam contra alguns tipos de pragas. Exatamente por isso, a descoberta dos pesquisadores da Universidade Aligarh e do Centro Nacional de Pesquisas de Nova Deli é importante: ela pode permitir a diversificação das pragas controladas pelos produtos à base de Bt.

Entretanto, é muito importante ressaltar que o desenvolvimento de um novo defensivo ou transgênico leva muitos anos e o produtor rural deve preservar a eficiência dos produtos que já estão no campo. Caso contrário, eles podem perder a efetividade mais rápido do que a ciência conseguirá desenvolver uma nova solução. Para enfrentar o desafio da evolução da resistência de pragas, é fundamental a implementação de um programa efetivo de Manejo da Resistência de Insetos (MRI), do qual a adoção de áreas de refúgio é a principal ferramenta.

Os próprios autores do estudo lembram que, na atual fase, eles apenas identificaram microrganismos que expressam proteínas inseticidas, mas não possuem nenhum dos genes já conhecidos por essa característica. Ainda falta um longo caminho para a identificação desses genes e das proteínas por eles codificadas.

FonteBiotechnology Reports, disponível no Portal Boas Práticas Agronômicas

Texto originalmente publicado em:
Portal Boas Práticas Agronômicas
Autor:  Biotechnology Reports

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