Cobalto e Molibdênio no solo e na planta

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Por: Gabriel Asa Corrêa Gruberger

  • Cobalto

O Co é considerado como elemento benéfico às plantas, pela maioria dos autores e citado como essencial por Malavolta (2006). O Co ativa diversas enzimas, dentre as quais, a isomerase da metilmalonil CoA, a qual participa da biossíntese dos núcleos pirrólicos. Também faz parte da estrutura da coenzima cobalamina e da vitamina B12 e é responsável pela síntese da enzima leghemoglobina, que participa da atividade dos nódulos (FAQUIN, 2005).

Segundo Aubert e Pinta (1980), o Co é encontrado em todas as rochas da crosta terrestre e o teor varia com a origem das mesmas, o que pode influenciar diretamente o nível do elemento no solo. Os teores de Co no solo variam de 1 a 40 mg.kg-1 e valores superiores podem ocorrer em solos originários de rochas ricas em minerais ferromagnesianos (CAMPO; HUNGRIA, 2002). Na litosfera, os teores de Co oscilam entre 10 e 40 mg.kg-1 (GOLDSCHIMIDT, 1954, apud JACINTHO, 1975; HODGSON, 1963, apud JACINTHO, 1975; MASON, 1971, apud JACINTHO, 1975). Apenas uma fração do Co total – dependendo do material de origem, pH, teor de argila e outros fatores – é disponível para as plantas (TISDALE; NELSON; BEATON, 1985). O nível crítico para deficiências em leguminosas está na faixa de 0,02-0,3 mg.kg-1. A disponibilidade é menor em pH baixo, havendo maior solubilização e lixiviação (MALAVOLTA, 1994).


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Estádio fenológico de aplicação visando a produção de sementes enriquecidas com Co e Mo


O comportamento do Co no solo se assemelha ao de outros metais pesados e, como o Fe, manganês (Mn) e zinco (Zn), ele tem uma forte tendência a formar quelatos, além de influenciar na absorção e comportamento dos metais pesados. Por esse motivo, altas concentrações de Co resultam em sintomas similares aos de deficiência de Fe e Mn em plantas (TISDALE; NELSON; BEATON, 1985). Haja vista a importância na FBN, a deficiência do Co pode resultar na deficiência de N, causando clorose generalizada, seguida de necrose nas folhas mais velhas (SFREDO; OLIVEIRA, 2010).

A absorção do Co pela planta se dá por fluxo de massa, principalmente na forma de Co2+, e a sua translocação na planta ocorre após formação de quelatos com ácidos orgânicos. Dessa forma, o Co é considerado pouco móvel com mobilidade média no floema (GEORGE; MARSCHNER; JAKOBSEN, 1995). Wiersma e Goor (1979) verificaram que a translocação do Co no floema de mamona (Ricinus communis) se deu em um complexo orgânico com carga negativa. Tiffin (1967) verificou que o Co é transportado, principalmente, como cátion Co2+ via xilema. Handreck e Riceman (1969) aplicaram Co marcado via pulverização foliar em trevos (Trifolium Subterraneum) e alfafa (Medicago sativa), verificando sua mobilidade moderada a partir das folhas.

  • Molibdênio

O molibdênio ocorre no solo como ânion de molibdato (MoO4-2), que é adsorvido por sesquióxidos e argilas. A concentração de Mo nos solos se apresenta, normalmente, entre 0,5 a 5,0 mg.kg-1, ocorrendo nas seguintes fases: solúvel na solução do solo; adsorvido na fração coloidal; retido na rede cristalina dos minerais primários; e quelado à matéria orgânica (MELLO et al., 1983). A disponibilidade do Molibdato é maior em solos neutros do que em solos ácidos, devido ao fato de sua adsorção ser máxima em pH 4 (MENGEL; KIRKBY, 1987).

A adição direta de adubo contendo Mo ao solo é, muitas vezes, ineficaz, pois sua disponibilidade decresce em função de níveis de pH mais ácidos (pH<5,5), resultado de sua adsorção aos óxidos de Fe e Alumínio (Al) (KAISER et al., 2005).

O Mo é considerado elemento essencial às plantas, sendo um dos elementos minerais requeridos em menor quantidade. Suas principais funções referem-se à participação na atividade respiratória e à influência na viabilidade do grão de pólen, além de ser componente da enzima nitrogenase, a qual é diretamente atrelada à FBN (FAQUIN, 2005).

O Mo é absorvido principalmente como Molibdato, via fluxo de massa. Nessa forma, é transportado pelo xilema, sendo que a sua absorção pode ser reduzida por efeitos de competição com o sulfato (SO4-2) e, por outro lado, estimulada por íons fosfato (PO4-3) (MENGEL; KIRKBY, 1987; TISDALE; NELSON; BEATON, 1985). As plantas, normalmente, requerem Mo em quantidades muito baixas, com níveis críticos de deficiência, entre 0,1 e 0,5 mg.kg-1 na matéria seca. Entretanto, com relação aos outros micronutrientes, as plantas podem tolerar altas concentrações de Mo, podendo chegar até 1000 mg.kg-1 de matéria seca (GEORGE; MARSCHNER; JAKOBSEN, 1995).

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Fonte: Parte da Dissertação apresentada ao Centro de Energia Nuclear na Agricultura da Universidade de São Paulo para obtenção do título de Mestre em Ciências.

Autor: GRUBERGER, G. A. C. Enriquecimento de sementes de soja com cobalto e molibdênio. 2016. 75 p. Dissertação (Mestrado) – Centro de Energia Nuclear na Agricultura, Universidade de São Paulo, Piracicaba, 2016.

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