O objetivo desse trabalho foi verificar o efeito da inoculação e coinoculação de bactérias fixadoras de nitrogênio e promotoras de crescimento associadas ou não à adubação nitrogenada na cultura da soja.

Autores: FRANÇA, D.P.de1, RIZZARDI, D.A.2; BATTISTELLI, G.M.2

Trabalho publicado nos Anais do evento e divulgado com a autorização dos autores.

A soja (Glycine max L.) Merrill) é uma leguminosa de ciclo anual originária do extremo Oriente, sendo a principal commodity do agronegócio nacional, representando 48% do total de grãos produzidos no país. Na safra 2015/2016 a produção total foi de 100 milhões de toneladas, em 33,2 milhões de hectares, uma produtividade de 3 Mg ha-1. O Estado do Mato Grosso é responsável por 27% da produção e em seguida vem o Estado do Paraná com 18%.

O nitrogênio (N) é o nutriente requerido em maior quantidade pela cultura, sendo que para a produção de 1000 kg de grãos são necessários aproximadamente 80 kg de N, que faz parte da estrutura da clorofila, enzimas e proteínas.

Por apresentar associação simbiótica com bactérias do gênero Bradyrhizobium, não é necessária a aplicação de N via fertilizante na cultura da soja, pois as bactérias convertem o N2 atmosférico a amônio (NH4+) e o fornece para a soja. No Brasil, estima-se que a taxa de fixação biológica de nitrogênio (FBN) na soja varie de 109 a 250 kg ha-1, o que representa de 70 a 85% da demanda pela cultura.

Além das bactérias do gênero Bradyrhizobium, existem outros microrganismos que podem trazer benefícios às culturas. Um dos grupos mais promissores é o das bactérias associativas capazes de promover o crescimento das plantas por meio de diversos processos, como a produção de hormônios de crescimento e a capacidade de realizar fixação biológica do nitrogênio, entre outros, como as bactérias do gênero Azospirillum.

Essas bactérias tiveram seus primeiros estudos em gramíneas, porém atualmente têm sido objeto de estudos em associação com bactérias simbióticas do gênero Bradyrhizobium em uma técnica conhecida como coinoculação na cultura da soja. Essa combinação pode ser uma estratégia promissora para o aumento da produtividade devido à combinação da FBN e a produção de hormônios que resultam em maior desenvolvimento radicular.

O objetivo desse trabalho foi verificar o efeito da inoculação e coinoculação de bactérias fixadoras de nitrogênio e promotoras de crescimento associadas ou não à adubação nitrogenada na cultura da soja.

O experimento foi realizado no ano agrícola 2015/2016, no município de Campo Mourão – PR, (52º22’40” O, 24º02’38” 24º S, altitude de 500 m) em um Latossolo Vermelho Distroférrico de textura muito argilosa. A área está sob sistema de semeadura direta há mais de 20 anos com rotação de milho ou soja no verão e no inverno culturas de cobertura. A cultura anterior à semeadura do experimento era aveia preta. Anteriormente à instalação do experimento, foi realizada a análise química do solo, cujas características na camada de 0-20 cm eram: pH CaCl2 = 5,7; H + Al (SMP) = 4,06 cmolc dm-3; Matéria orgânica = 2,72%; P (Mehlich 1) = 21,65 mg dm-3; Ca = 4,98 cmolc dm-3; Mg = 0,69 cmolc dm-3; K = 0,42 cmolc dm-3 e V% = 60%.

A cultivar utilizada foi M 5917 IPRO®, sendo que as sementes foram tratadas com StandakTop® (200 mL para 100 kg de sementes) e cobalto + molibdênio com o produto CoMo Platinum® (150 mL para 100 kg de sementes). Para a inoculação com Azospirillum brasilense foi utilizado o inoculante comercial Masterfix®, na dose de 200 mL para 100 kg de sementes. Para inoculação com Bradyrhizobium japonicum, utilizou-se o inoculante comercial Nitragin Optimize Power soja® na dose de 200 mL para 100 kg de sementes. Para a coinoculação foi utilizado o produto AzoTotal Max® na dose de 200 mL por 100 kg de sementes.

O delineamento experimental foi em blocos completos ao acaso em esquema fatorial 4×2, sendo quatro níveis de inoculação (Sem inoculante; Azospirillum brasilense; Bradyrhizobium japonicum; A. brasilense + B. japonicum) e dois níveis de adubação nitrogenada (0 ou 90 kg ha-1 de N na forma de ureia, aplicados em cobertura no estágio V3) com 4 repetições. As parcelas foram constituídas de 4 fileiras de 5 m de comprimento e espaçadas 0,5 m. A densidade de semeadura foi de 14 sementes por metro linear.

As variáveis avaliadas no estádio R8, aos 103 dias após a aplicação do N em cobertura, foram: Altura de plantas, número de vagens por planta, número de grãos por vagem, massa de mil grãos, produtividade e teor de nitrogênio nos grãos.

A altura de plantas foi maior no tratamento com nitrogênio e sem inoculação (Tabela 1). Com isso, o diâmetro do caule foi estatisticamente inferior à testemunha sem adubação e sem inoculação, pois quando a planta cresce mais, tende a reduzir o diâmetro do caule. Os inoculantes não influenciaram a altura das plantas na ausência de nitrogênio, enquanto que na presença de N a altura das plantas inoculadas foi menor que a das não inoculadas.

Tabela 1. Altura de plantas (m), diâmetro do caule (mm) e número de vagens por planta de função de diferentes inoculantes combinados com e sem adubação nitrogenada, Campo Mourão, 2016.

Não houve diferença entre a inoculação apenas com B. japonicum ou quando ele foi coinoculado com A. brasilense para o número de vagens por planta, sendo que esses tratamentos apresentaram maiores valores que o controle não inoculado e a inoculação apenas com Azospirillum, tanto com, quanto sem N em cobertura (Tabela 1). Já o número de grãos por vagem, massa de mil grãos e produtividade foram superiores nas plantas do tratamento coinoculado em relação às que receberam os inoculantes isoladamente, na ausência da adubação nitrogenada (Tabela 2).

Tabela 2. Número de grãos por vagem, massa de mil grãos (g), produtividade (kg ha-1) e teor de nitrogênio em grãos de soja (g kg) em função de diferentes inoculantes combinados com e sem adubação nitrogenada, Campo Mourão, 2016.


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No tratamento de inoculação com B. japonicum, a adubação nitrogenada aumentou a produtividade em 15% em relação ao tratamento sem N (Tabela 2). A produtividade na ausência do nitrogênio foi superior na coinoculação de A. brasilense + B. japonicum, enquanto que com a adição de N foi maior nos tratamentos com B. japonicum e A. brasilense + B. japonicum (Tabela 2).

Na presença do fertilizante nitrogenado, o teor de nitrogênio nos grãos da soja aumentou na inoculação isolada com A. brasilense. Já na ausência de N em cobertura, não houve efeito tratamentos de inoculação (Tabela 2). Conclui-se que a coinoculação de A. brasilense + B. japonicum favorece a produtividade da soja e que o uso de fertilizante nitrogenado em cobertura, na maioria dos casos, não resulta em aumento de produtividade.

Informações dos autores:  

1UNOPAR, Campus Piza, Londrina, PR;

2Geneze Sementes.

Disponível em: Anais do VIII Congresso Brasileiro de Soja. Goiânia – GO, Brasil.

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