Segundo a EMBRAPA “A inoculação das sementes com rizóbios é uma prática sustentável que dispensa a adubação nitrogenada na cultura da soja e, total ou parcialmente.”

Movidos por informações como essa que vem acontecendo uma crescente no número de pesquisas a cerca da inoculação e coinoculação (ou reinoculação) em sementes de soja. Todavia, é válido colocar que ainda o número de informações é baixo, e que o agricultor deve ser critico na leitura de materiais a cerca deste assunto.

A coinoculação não deve ser vista como um fator isolado para incremento na produtividade, mas um fator aditivo que tem como alicerce: observação do sistema em que a lavoura esta inserida, e isso inclui o tipo de solo, a precipitação ou irrigação, a cultura antecessora, cultivo subsequente, entre outros.



O que é coinoculação em sementes de soja?

A técnica de coinoculação consiste na inoculação de Bradyrhizobium em sementes de soja e a coinoculação de Azospirillum uma bactéria utilizada como promotora de crescimento em gramíneas, devido a sua produção de fitormônios à citar como exemplo o milho.

Benefícios com o uso

  • Aumento da área radicular acarretando em maior aproveitamento dos fertilizantes e favorece a planta em situações de estresse hídrico;
  • Quanto aos nutrientes, observa-se maior vigor das plantas e equilíbrio nutricional, pelo melhor aproveitamento dos nutrientes do solo e dos fertilizantes;
  • A combinação entre a incolação e coinoculação proporciona maior nodulação e, consequentemente, maior contribuição da fixação biológica do nitrogênio;
  • Além de ambientalmente sustentável, a coinoculação é uma tecnologia altamente rentável para o agricultor.

Como manejar esta tecnologia?

A inoculação em áreas com histórico de cultivo de soja necessita respeitar a frequência anual de aplicação, tendo em vista que na entressafra de soja ocorre competição entre bactérias fixadoras do nitrogênio e outros microrganismos nativos da área agrícola, e com isso reduzindo a população de bactérias eficientes na fixação do nitrogênio menos adaptadas as variações de regime hídrico e térmico do que os microrganismos nativos, predominando bactérias menos eficientes na fixação do nitrogênio (CÂMARA, 2014).

Boas praticas recomendadas:

Algumas boas práticas são evidenciadas:

  • Necessidade de registro do inoculante para a cultura da soja no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), seja de Bradyrhizobium, seja de Azospirillum;
    atentar para o prazo de validade do produto;
  • Assegurar que o produto não foi exposto ao sol e a temperaturas superiores a 30 °C;
  • Aplicar em dose adequada conforme a modalidade de uso (em áreas tradicionais de cultivo, no mínimo uma dose/ha de inoculante à base de Bradyrhizobium via sementes ou 2,5 a 3 doses via sulco de semeadura. Para Azospirillum, em coinoculação, somente uma dose via sementes ou duas via sulco de semeadura, ou o que constar no rótulo do produto conforme registro no MAPA);
  • Não usar inoculante turfoso diretamente na caixa da semeadora. Nesse caso, usar solução açucarada a 10% (300 mL/50 kg de sementes) para uma boa aderência, misturando-se bem e deixando secar à sombra antes de abastecer a semeadora;
  • Se forem empregados inoculantes “longa vida” em inoculação antecipada à semeadura (pré-inoculação), a pesquisa recomenda que devem ser recuperadas de 80 mil a 100 mil células viáveis de Bradyrhizobium por semente no momento da semeadura;
  • Nesse caso, as sementes pré-inoculadas precisam ser armazenadas sob temperaturas amenas, preferencialmente abaixo de 20 °C até o momento da semeadura;
  • Quando usar químicos no tratamento de sementes, aplicar o inoculante em segunda operação;
  • Em área de primeiro ano de cultivo, ou há muito tempo sem cultivo de soja, o cuidado com a compatibilidade com químicos no tratamento de sementes deve ser redobrado e a dose de inoculante deve ser aumentada, exceto para Azospirillum;
  • Devido à incompatibilidade com químicos no tratamento de sementes, pode-se realizar a inoculação no sulco de semeadura, mas deve-se deixar o tanque para uso exclusivo com o(s) inoculante(s);
  • Inoculação “foliar” só em caso de emergência quando não houver boa nodulação inicial e, ainda assim, quando houver condições de umidade e temperaturas amenas para aplicação. Não substitui a inoculação via sementes ou via sulco de semeadura;
  • Aplicar Co e Mo de preferência via foliar em V3-V5, caso a inoculação seja via sementes;
    Não semear “no pó”, pois isso equivale a armazenar as sementes inoculadas em um ambiente quente e seco, o que é desfavorável à sobrevivência das bactérias. Isso é agravado em sementes tratadas com químicos.

Resultados já encontrados nos incrementos produtivos na cultura

Trabalho feito com as culturas da soja e do feijão

QUADRO 1. Ganhos médios no rendimento de grãos de soja (média de 4 ensaios) e do feijoeiro (média de 5 ensaios) pela reinoculação anual das sementes com rizóbios e coinoculação no sulco com Azospirillum. Todos os ganhos foram estatisticamente significativos a 5%, em relação ao controle sem reinoculação. Fonte: Hungria et al., Biology and Fertility of Soils, 49:791–801, 2013.


Inoculação das sementes com bactérias de Bradyrhizobium para a soja, ou Rhizobium para o feijoeiro – com a inoculação com Azospirillum.

A EMBRAPA SOJA também desenvolveu um trabalho em parceria com a EMATER do Paraná, onde o objetivo era difundir a tecnologia de inoculação e coinoculação e avaliar os resultados. A produtividade média foi de 4318, 4091 e 3983 kg/ha para a coinoculação (Brady + Azo), inoculação (Brady) e testemunha sem inoculante, respectivamente. Esses valores são superiores às médias nacional e paranaense, que foram de 3385 e 3508 kg/ha, respectivamente (Conab, 2018). Já a nodulação média foi de 16, 13, 12 nódulos por planta para a coinoculação, inoculação e testemunha sem inoculante, respectivamente.

A inoculação resultou em aumento médio de 1,8 saca/ha, enquanto que a coinoculação resultou em aumento de 5,6 sacas/ ha. Considerando o valor da saca de soja a R$ 72,00 e o custo da dose do inoculante à base de Bradyrhizobium a R$ 3,00/ha e o inoculante à base de Bradyrhizobium + Azospirillum a R$ 12,00/ha, o lucro líquido da coinoculação seria equivalente a R$ 390,00/ha e o da inoculação equivalente a R$ 126,60/ha.

Outras pesquisas que abordaram a temática da coinoculação foram feitas pela Fundação MS




Os resultados do trabalho evidenciam que:

  • A população final de plantas e a massa de 100 grãos da cultura da soja não apresentaram diferenças em função dos tratamentos avaliados
  • Com relação à população final de plantas, a menor média foi obtida no experimento 5 – Naviraí (178.720 plantas por ha). Em relação aos demais municípios, o solo de Naviraí é o único que apresenta textura arenosa (15% argila), os demais municípios apresentam textura argilosa (acima de 40% de argila). Esse fato pode ter interferido na germinação de sementes e reduziu o estande de plantas, em relação a densidade de semeadura de 280.000 sementes por ha (14 sementes por m).
  • Com relação aos municípios com textura argilosa (Maracaju, Amambai e Rio Brilhante), menor média de população final de plantas (184.100 plantas por ha) foi obtido em Maracaju. A ausência de chuvas após a operação de semeadura pode ter reduzido o estande de plantas, sendo que a primeira chuva ocorreu aos 21 dias após a semeadura, com o volume de 32,5 mm.

Ainda os mesmos autores fizeram a avaliação da produtividade, e através desta é possível observar que a produtividade da soja não apresentou aumento significativo com a inoculação de sementes com Bradyrhizobium e com a coinoculação de sementes em diferentes doses do Azospirillum no tratamento de sementes (Tabela 8). No entanto, é importante ressaltar que a inoculação com Bradyrhizobium apresentou numericamente aumento da produtividade da soja nos quatro municípios avaliados. Quanto à coinoculação de sementes com Bradyrhizobium e Azospirillum, não houve diferenças em relação aos demais tratamentos avaliados. Ou seja, a coinoculação de sementes não contribuiu no aumento da produtividade da soja.


Entretanto um outro experimento foi feito e houve um estresse hídrico após a semeadura, portanto em anos com chuvas regulares a coinoculação não apresentou resposta revelante, porém em condições de estresse mostra-se um importante aliado a produtividade da cultura.

IMPORTANTE: Respeitar sempre as boas práticas de inoculação, para que a sobrevivência da bactéria seja assegurada para promover os benefícios esperados.

Confira mais informações sobre coinoculação: – O que é coinoculação? e – Inoculação e coinoculação de sementes de soja

Fonte do Material de Boas Práticas de inoculação você confere aqui.

Elaboração: Daniela Moro – Equipe Mais Soja

SEM COMENTÁRIO

DEIXE UMA RESPOSTA

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.