O presente trabalho traz a proposta inovadora de comparar os componentes de rendimento da soja quando cultivada em terras altas e em terras baixas.

Autores:  Lucas Adílio Sari1, Alencar Junior Zanon1, Eduardo Lago Tagliapietra1, Kelin Pribs Bexaira1, Patric Scolari Weber1, Eduardo Daniel Friedrich1, Alexandre Ferigolo Alves1, Francisco Tonetto1, Luíza Brum Rodrigues1, Gabriel Rodrigues Landskron2, Robson Giacomeli2, André da Rosa Ulguim1.

Trabalho publicado nos Anais do evento e divulgado com a autorização dos autores.

O Brasil é o segundo maior produtor de soja no mundo, produzindo cerca de 117 milhões de toneladas em uma área de cultivo de aproximadamente 35 milhões de hectares, sendo o estado do Rio Grande do Sul responsável por cerca de 5 milhões dessa área, com uma produtividade média de aproximadamente 3 mil kg há-1 (49,8 sacas há-1) estimada para a última safra agrícola (CONAB, 2018).

Desses dados, cerca de 270.000 hectares da área destinada à cultura da soja no Rio Grande do Sul, correspondem ao cultivo em terras baixas (IRGA, 2017). O cultivo de soja em terras baixas é viável pela capacidade da planta em resistir a condições de excesso hídrico, baixa disponibilidade de oxigênio e tolerância a presença de elementos tóxicos (THOMAS et al., 2010).

Quanto ao rendimento da cultura da soja em um ambiente de cultivo inabitual, sabe-se que o ciclo de desenvolvimento da soja não é alterado em terras baixas, sendo similar ao cultivo em terras altas (ZANON, 2015). Os fatores que definem o rendimento da cultura são a interação entre a planta e o ambiente em que está inserida, além do manejo utilizado (GUIMARÃES et al., 2008).

O presente trabalho traz a proposta inovadora de comparar os componentes de rendimento da soja quando cultivada em terras altas e em terras baixas. Possibilitando a partir desse estudo adequar o manejo da cultura em determinado ambiente, garantindo maior rendimento da produção.

O experimento faz parte de um projeto que visa sistemas integrados de produção em solos de regiões orizícolas para aumento da sustentabilidade das atividades agrícolas.O experimento comparativo foi conduzido na cidade de Santa Maria – RS, durante a safra 2017/2018. Para o cultivo de soja em terras baixas foram conduzidos experimentos na Área Experimental da AGRUM, onde o tipo de solo é recomendado para o cultivo de arroz irrigado. E para o cultivo de soja em terras altas foram conduzidos experimentos na área experimental do Departamento de Fitotecnia da Universidade Federal de Santa Maria.

A metodologia do experimento utilizou sete cultivares com diferentes grupos de maturidade relativa (GMR) e épocas de semeadura de setembro até janeiro (Tabela 1). O preparo do solo seguiu as recomendações para cultura da soja, e a semeadura foi realizada manualmente. A adubação foi feita visando altas produtividades. Para as sementes utilizou-se inoculante com estirpes de Bradyrhizobium japonicum. O controle de plantas daninhas, insetos e doenças foi realizado conforme as recomendações técnicas da cultura (REUNIÃO DE PESQUISA, 2012). As cultivares utilizadas e suas respectivas datas de semeaduras, conforme o local do experimento, estão elucidadas na Tabela 1.

Tabela 1: Cultivares de soja, grupo de maturidade relativa, tipo de crescimento e suas respectivas datas de semeadura, conforme local de experimento.

O delineamento experimental foi por blocos ao acaso. Utilizando-se na AGRUM, três blocos, com parcelas de quatro linhas contendo 5 metros de comprimento e espaçamento de 0,5 metros entre fileiras. Já em Santa Maria, quatro blocos, com parcelas de sete linhas com 3 metros cada, com espaçamento de 0,5 metros. Com densidade de plantas de 30 plantas m-². Foram avaliadas oito plantas aleatórias em cada parcela na AGRUM e cinco plantas em Santa Maria, após emissão do primeiro par de folhas unifoliadas (VC). A fenologia seguiu escala de Fehr e Caviness (1977). Quando as plantas atingiram o estágio de maturação final (R8), realizaram-se as colheitas das parcelas do experimento. Os componentes de rendimento avaliados foram peso de mil grãos, número de legumes por m², número de grãos por legume e a população de plantas.

Os resultados obtidos, mostram que a produtividade potencial variou de 2 a 7 Mg ha-¹ em ambos terrenos analisado. A figura 1 nos permite perceber que a época 3 (outubro), obteve maior produtividade em índices de número de legumes por m² (Figura 1A) e número de grãos por legume (Figura 1C), apresentando uma produtividade de 133.5 sacas há-1. Enquanto a época 4 (novembro), demonstrou melhor rendimento em relação ao peso de 1000 grãos, representando no total uma produtividade de 123.5 sacas há-1. Em relação às terras baixas, nas semeaduras de outubro, o valor médio de 1.831 legumes por m² (Figura 2), apresentou diferença considerável comparada às semeaduras de novembro.


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A época 1 (outubro) obteve maior número de legumes m² (Figura 2A) e produtividade comparado às demais épocas, enquanto que semeaduras tardias não mostraram resultados significativos dos componentes de rendimento e tiveram baixas produtividades. A semeadura da época 3 (novembro) (Figura 1) apresentou, para todos os componentes de rendimento, valores muito abaixo em relação à época 1 e 2 e dos valores citados por Weber (2017). Isso confirma que o cultivo de soja em terras baixas, exige que a época de semeadura seja de acordo com a recomendação, pois o risco de baixas produtividades é muito alto. Nessa mesma época a produtividade média será 1494 kg há-1 (24,9 sacas há-1). Enquanto isso, os valores dos componentes de rendimento das épocas 1 e 2, apresentaram comportamento semelhante quando cultivados em terras altas.

Figura 1: Gráficos com a relação componentes de rendimento da soja versus produtividade, para ambientes de terras altas, Santa Maria, RS. A: Número de legumes por m²; B: Peso de 1000 grãos, C: Número de grãos por legume, D: plantas por m².

Figura 2: Gráficos com a relação componentes de rendimento da soja versus produtividade, para ambientes de terras baixas, Santa Maria, RS. A: Número de legumes por m²; B: Peso de 1000 grãos, C: Número de grãos por legume, D: plantas por m².

A partir dos dados apresentados, se obtivermos nos cultivos de soja em terras altas valores médios de componentes de rendimento 2,39 grãos por legume e 1436 legumes por m², o que corresponde a 3427 grãos por m², com um peso médio de 181 gramas, teríamos 6172,9 kg há-1 ou ainda 102,9 sacas de soja por hectare. Portanto, sugere-se que a época de melhor produtividade seja de outubro a novembro em terras altas, demonstrando melhores valores quanto número de legumes m² e produtividade há-1. Já em terras baixas, os valores médios de componentes de rendimento seriam: 2,36 grãos por legume e 1424 legumes por m², o que corresponde a 3381 grãos por m², com um peso médio de 163 gramas, teríamos 5505.82 kg há-1 ou ainda 91.8 sacas de soja por hectare. Os componentes de rendimento afetaram a produtividade final, variando conforme as épocas de semeadura. Sendo outubro o mês que obteve maior número de legumes m² e produtividade há-1 no cultivo da soja em terras baixas.

Referências

CONAB, Acompanhamento de safra brasileira: grãos, oitavo levantamento, maio/2018 1-145, 2017.

FEHR, W.R., CAVINESS, C.E. Stages of soybean development. Special Report 80, Iowa Agricultural Experiment Station,. 1977

IRGA. Levantamento de área semeada com soja em terras baixas no Rio Grande do Sul, 2018.

GUIMARÃES, F. S. et al. Cultivares de soja [Glycine max (L.) Merrill] para cultivo de verão na região de Lavras-MG. Ciência e Agrotecnologia, 2008.

REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL. Indicações técnicas para a cultura da soja no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, Embrapa Trigo e Apassul, 2012.

THOMAS, A. L. & COSTA, J. A. Soja: manejo para alta produtividade de grãos. Evangraf, 2010.

ZANON, Alencar Junior et al. Desenvolvimento de cultivares de soja em função do grupo de maturação e tipo de crescimento em terras altas e terras baixas. Bragantina, 2015.

WEBER, P. S. Componentes de rendimento e grupo de maturidade relativa que influenciam o potencial de produtividade. 2017. 34p. TCC (Graduação em Agronomia). Universidade Federal de Santa Maria, Santa Maria, RS, 2017.

Informações dos autores:  

1Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Departamento de Fitotecnia, Avenida Roraima, 1.000, 97105-900 Santa Maria (RS), Brasil ;

²Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA), Rua Luiz Joaquim de Sá Brito – Promorar, 97650-000. Itaqui – RS, Brasil.

Disponível em: Anais da 42ª Reunião de Pesquisa de Soja da Região Sul, Três de Maio – RS, Brasil, 2018.

 

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